Regeneração florestal pode reduzir as taxas de extinção de aves em áreas da Mata Atlântica
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As florestas tropicais contêm mais de metade de todas as espécies de plantas e animais do mundo. Porém, são as que mais perdem biodiversidade, devido à redução de habitat e degradação florestal. Para tornar o cenário ainda pior, muitas das espécies de plantas e animais tropicais mais ameaçadas estão restritas a somente cerca de 20 locais em áreas tropicais, que já perderam mais de 70% do habitat original.
Uma das metodologias para conter a extinção de espécies é a regeneração florestal, conectando grandes fragmentos florestais, utilizada ao longo de mais de uma década pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, na Mata Atlântica, uma das mais ameaçadas florestas tropicais no mundo. Recentemente, o método foi avaliado como altamente eficaz para as aves, de acordo com um estudo liderado pela Universidade de Utah e publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (EUA). A pesquisa, realizada na Mata Atlântica central do estado do Rio de Janeiro e do Pontal do Paranapanema/SP e também nas Montanhas do Arco Oriental da Tanzânia, mostra que a regeneração florestal direcionada entre os maiores fragmentos mais próximos pode reduzir significativamente as taxas de extinção das espécies de aves.
“Estes são dois dos hotspots de biodiversidade tropical mais fragmentados no mundo, por isso eles fornecem exemplos vitais do que pode ser conseguido para evitar extinções em todo o mundo”, afirma o autor principal do artigo, William Newmark.
Todos os fragmentos perdem espécies, eventualmente. Mas o objetivo da conservação é adiar as extinções que poderiam acontecer em alguns anos ou décadas. Assim, os pesquisadores estimam que, se as florestas entre fragmentos maiores e mais próximos em 11 locais dos hotspots forem regeneradas – cerca de 8.100 hectares na Tanzânia e 6.500 hectares na Mata Atlântica – isso reconectaria aproximadamente 77% de todas as florestas restantes no arco Oriental (Tanzânia), 23% no centro do Rio de Janeiro (RJ/Brasil) e 33% no Pontal do Paranapanema (SP/Brasil), aumentando o tempo de vida das aves em até 56 vezes nessas áreas.
Clinton Jenkins, pesquisador do IPÊ e co-autor do estudo, alerta para a necessidade de rapidez em se promover a conectividade entre grandes fragmentos. “Existe uma urgência na regeneração de floresta entre fragmentos florestais o mais rápido possível para obter o máximo benefício. As primeiras extinções podem ocorrer em apenas sete anos, em média, a partir do desmatamento de uma área como a Mata Atlântica”, diz.
Os pesquisadores estimam que o custo para se fazer a reconexão florestal (com corredores de biodiversidade – que ligam um grande fragmento a outro) seja de até 49 milhões de dólares para a Mata Atlântica no centro do Rio de Janeiro e no Pontal do Paranapanema, e de até 21 milhões de dólares nas Montanhas do Arco Oriental da Tanzânia. “Isso poderia fornecer um dos maiores retornos do investimento para a conservação da biodiversidade em todo o mundo”, observa Stuart Pimm, participante da pesquisa e professor da Duke University.
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O IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas foi escolhido como uma das 100 melhores ONGs para se doar, em uma premiação do Instituto Doar em parceria com a Revista Época. O resultado foi apresentado no dia 7 de agosto, em evento em São Paulo, com a participação de todas as organizações eleitas.
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A busca pela interdisciplinaridade na conservação e o entendimento dos profissionais da necessidade cada vez maior de envolver o segmento social na discussão e participação foram os aspectos que também chamaram a atenção de Suzana Padua, ao longo do evento. “Trabalhar junto com a comunidade e de maneira interdisciplinar sempre foi o que acreditamos ser essencial para alcançarmos sucesso frente aos desafios socioambientais. A integração entre os saberes e entre o social e o ambiental estiveram presentes em diversas discussões no evento e eu achei isso muito bastante relevante”, comentou Suzana.
Rafael Morais Chiaravalloti (foto), pesquisador do IPÊ atuante em projetos de áreas protegidas, será palestrante em evento paralelo do WWF EFN, com o tema “Sobrepesca? Gestão de sistemas pesqueiros no Pantanal, Brasil”. O pesquisador usa a pesca do Pantanal no Brasil como um estudo de caso para desconstruir narrativas ambientais sobre acusações de que comunidades tradicionais são os responsáveis pelo declínio das populações de peixes no mundo. O estudo traz dados concretos mostrando que as políticas públicas focadas em desenvolvimento sustentável deveriam celebrar o uso tradicional das comunidades, ao invés da atual abordagem focada em suprimir a permanência dessas populações no Brasil e no mundo.
A coordenadora do Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto, Gabriela Cabral Rezende (foto/Katie garrett), participa de um Knowledge Café, para tratar sobre as conquistas e desafios do projeto que busca proteger o mico na Mata Atlântica do interior do Estado de São Paulo. Dentre as conquistas para a proteção da espécie ao longo de mais de 30 anos de pesquisa, estão a melhora da sua categorização na lista vermelha da IUCN, a criação de uma Unidade de Conservação para conservar o hábitat (Estação Ecológica Mico-Leão-Preto) e ainda a inclusão da educação ambiental no currículo escolar das escolas públicas do município de Teodoro Sampaio, cidade base das pesquisas sobre a espécie.