A 1ª Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis começa no dia 24 de abril, em Santa Marta, Colômbia. A iniciativa é copresidida pelo país anfitrião e Holanda e surgiu como desdobramento da COP30, em Belém, que não definiu metas explícitas de eliminação total de combustíveis fósseis nos seus textos finais. Como uma resposta à falta de objetivos claros sobre o tema na conferência e, já que as emissões de combustíveis fósseis são a principal causa da crise climática, uma coalizão de 84 países foi formada para discutir exclusivamente os principais passos para a transição energética necessária para a redução dos impactos da mudança climática no mundo.
A conferência, que vai até dia 29 de abril, vai buscar a implementação da “Declaração de Belém sobre a Transição Justa Longe dos Combustíveis Fósseis” um dos marcos políticos significativos surgidos durante a COP30. Como forma de buscar colocar em prática essa transição, o Brasil já deu os seus primeiros passos desenvolvendo o “Mapa do Caminho” para a transição (road-map), que aponta como ela se dará na prática.
Embora não vinculado aos eventos oficiais da ONU pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), a primeira reunião deve reunir mais de 50 representantes de nações e mais de 3 mil organizações do terceiro setor. Organizações como o IPÊ, com expertise em conservação socioambiental, vão acompanhar o evento com o objetivo de influenciar medidas que garantam que a transição energética não comprometa a biodiversidade.
“Como organização que lida com conservação da biodiversidade brasileira, entender os rumos da transição energética e como eles vão afetar ecossistemas é fundamental. Temos participado de grupos de trabalho derivados das COPs de Clima e Biodiversidade com esse olhar. A participação da sociedade civil nesses espaços é essencial para influenciar boas tomadas de decisão com relação à conservação de espécies e seus habitats, além de pressionar para que essa transição respeite e seja justa com comunidades e populações tradicionais e indígenas”, afirma Simone Tenório, representante do IPÊ.
De acordo com o Observatório do Clima (OC), rede da qual o IPÊ também é parte, apesar deste caráter não vinculante em relação às negociações da ONU ou ao Acordo de Paris, o encontro em Santa Marta é visto como uma oportunidade de estabelecer critérios para esta mudança e ampliar o número de países da coalizão.
A conferência tem como missão: ser um espaço de participação focado na ação de quem realmente quer participar da mudança; ter a implementação como guia, com base na ciência que acelere a transição para longe dos combustíveis fósseis, a fim de alcançar as metas climáticas, defender os direitos humanos e enfrentar a tripla crise planetária; e concentrar-se em soluções que apoiem significativamente a transição, em vez de a atrasar.
Os pilares das discussões na conferência são: a superação econômica dos combustíveis fósseis; a relação da demanda e da oferta (junto aos incentivos para isso); e a promoção da cooperação internacional e diplomacia climática.
O IPÊ deve acompanhar de perto as discussões sobre Transição Justa e Soluções Baseadas na Natureza, pensando na interface sobre como essa transição impacta biomas críticos e como a bioeconomia e trabalhos verdes podem substituir modelos extrativistas fósseis. O assunto conecta-se às ações realizadas pelos projetos do Instituto em diversos territórios, com foco em modelos socioeconômicos que integram conservação e desenvolvimento econômico sustentável.