Troca de experiências, construção coletiva e olhar para o futuro. Esse foi o tom da 2ª Econsulta – fase devolutiva do projeto ARR Corredores de Vida, com foco na geração de créditos de carbono, a partir da restauração florestal, da Mata Atlântica, na região no Pontal do Paranapanema, no extremo Oeste Paulista, realizada em abril (8), no Parque Estadual Morro do Diabo, Pontal do Paranapanema, no extremo Oeste Paulista.
Mais de 70 profissionais envolvidos na cadeia da restauração florestal participaram do encontro que sintetizou os resultados dos últimos quatro anos, incluindo também a perspectiva de quem está na ponta, vivendo o dia a dia da restauração florestal.

Conduzido pelo consultor Leonardo Rodrigues, o encontro foi marcado pela devolutiva das contribuições levantadas na fase informativa, realizada no mês de março, com base em um diálogo participativo.
Os destaques
Logo na abertura, o painel Levantamento das Inovações e Impactos trouxe o consolidado com a sistematização dos aprendizados do projeto. No eixo social, os relatos evidenciaram mudanças que vão além do plantio de árvores. Entre as experiências compartilhadas, a qualificação da mão-de-obra, o fortalecimento da economia local e a presença de mulheres e jovens na restauração ecológica estão entre os impactos positivos.

“A gente traz contribuições e depois recebe esse retorno organizado. Isso fortalece o conhecimento e mostra que o trabalho está gerando resultado”, destacou Sidnei de Macedo, sócio-proprietário da Floresterra.
A criação do Grupo de Trabalho de Equidade de Gênero (GTEG) mostra que restaurar também é olhar para as pessoas. Alinhado a compromissos globais, como o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5) da Organização das Nações Unidas (ONU), o projeto reforça que promover igualdade de gênero também faz parte do caminho para restaurar paisagens e transformar realidades.
Na parte ambiental, também há avanços, entre eles, o aumento da escala de plantio. Em 2000, o projeto plantava 200 hectares/ano; em 2020, esse número já era de 2.000 hectares/ano, alta de 900%. O resultado está relacionado ao aumento dos investimentos via parceiros na restauração florestal. Outro progresso foi a melhoria no monitoramento e no uso de ferramentas digitais que estão transformando a forma de restaurar. No campo, isso se reflete em melhor desenvolvimento das áreas, maior controle das operações e mais precisão nos dados.
Próximos passos
Entre as prioridades no médio prazo estão: fortalecimento do engajamento com as comunidades do entorno e a busca por soluções que reduzam os conflitos entre pessoas e animais silvestres. Nesse contexto, a construção de um plano de convivência humano-fauna é um dos caminhos para avançar nessa agenda.

Para os participantes, esse olhar para o futuro está diretamente ligado ao espaço de escuta promovido pelo encontro. “Não é só para quem está no projeto. A Econsulta traz respostas, mostra o que está acontecendo na região e abre espaço para sermos ouvidos”, afirmou Ítalo de Freitas, coordenador de campo na JF Inovações.
O grupo também avançou na identificação de potenciais caminhos para o incremento da renda no longo prazo. Entre eles: apicultura e da meliponicultura, o fortalecimento de redes de sementes, a valorização de conhecimentos tradicionais e a ampliação do território como espaço de formação e capacitação. “Você começa a enxergar outras possibilidades. Aprende com outras áreas e leva isso para o dia a dia”, contou Vanessa Bonfim, proprietária da WVB Ambiental.
Aline Souza, coordenadora de projetos de Comunidades do IPÊ no Pontal do Paranapanema, destaca o aprimoramento profissional como central nesse processo. “A formação é um caminho fundamental para fortalecer a restauração no território. Quando a gente investe nas pessoas, amplia as oportunidades e valoriza o conhecimento local, a gente também fortalece toda a cadeia”.
Esse conjunto de experiências e aprendizados construídos ao longo do projeto também abre caminhos para novas oportunidades de geração de renda no território. Mais do que restaurar áreas degradadas, o Corredores de Vida vem consolidando um conhecimento técnico e social que pode ser compartilhado e replicado.
Um conhecimento que gera oportunidades
Com mais de duas décadas de atuação no Pontal do Paranapanema, o projeto Corredores de Vida acumula resultados expressivos. Já foram plantadas mais de 12 milhões de mudas nativas da Mata Atlântica em cerca de 7 mil hectares, área equivalente a aproximadamente 7 mil campos de futebol.
As ações são orientadas pelo chamado Mapa dos Sonhos, que busca conectar Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais de propriedades privadas a importantes unidades de conservação, como o Parque Estadual Morro do Diabo (Fundação Florestal) e a Estação Ecológica Mico-leão-preto (ICMBio), por meio de corredores de vida.