O Brasil é referência na pesquisa e conservação da anta brasileira, por meio de projeto com o maior banco de dados do mundo sobre o maior mamífero terrestre da América do Sul
Crédito da foto: Lucas Ninno
Há 30 anos, a INCAB – Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira, projeto do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, iniciava um trabalho pioneiro: o estudo da anta no Brasil. Três décadas depois, o projeto já capturou 571 antas, monitorou 160 por meio de colares de telemetria satelital e identificou e monitorou 600 indivíduos por meio de armadilhas fotográficas espalhadas por todo o país. O que era um simples estudo de ecologia, inicialmente realizado no Parque Estadual Morro do Diabo, no oeste do estado de São Paulo, tornou-se uma referência mundial na conservação do maior mamífero terrestre da América do Sul – uma espécie vulnerável à extinção.
Atualmente, a INCAB-IPÊ atua em cinco biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Os estudos da equipe multidisciplinar forneceram dados que mudaram a ciência; por exemplo, os pesquisadores descobriram que as antas são poligâmicas – ao contrário do que se pensava – e encontraram a espécie na Caatinga, bioma em que ela havia sido classificada como localmente extinta. Além disso, estudos de toxicologia com antas levaram os pesquisadores a identificar populações humanas contaminadas por agroquímicos e metais no Cerrado do Mato Grosso do Sul.
“Fazer conservação no mundo de hoje não é uma tarefa simples. É uma luta constante repleta de desafios. O fato de termos, aqui no nosso país, um projeto deste porte e com esta longevidade é absolutamente incrível e razão suficiente para enorme orgulho e celebração. De maneira geral, a conservação de espécies não é vista como prioridade e requer muito apoio. Ao longo desses 30 anos, tivemos a parceria institucional e financeira de centenas de pessoas e organizações, sobretudo internacionais, o que nos permitiu chegar tão longe com esse trabalho”, afirma Patrícia Medici, coordenadora da INCAB-IPÊ.
Para celebrar as três décadas de atuação, a INCAB-IPÊ, em parceria com a NITRO Histórias Visuais, produtora de conteúdos de comunicação e de projetos culturais e educativos sediada em Minas Gerais, está lançando um documentário longa-metragem chamado ANTA. O documentário é uma história de muita paixão, dedicação e inspiração e será o primeiro filme brasileiro sobre a anta, a Jardineira da Floresta – espécie vital para a formação e manutenção das florestas. Passando por cinco biomas brasileiros, a produção conta com imagens de tirar o fôlego – pelo esplendor da natureza brasileira e pelas ameaças que a colocam em risco.
O filme será lançado em junho, em quatro cidades brasileiras: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Belo
Horizonte (MG) e Brasília (DF). Para esquentar os motores para o filme e celebrar o Dia Mundial da Anta
no dia 27 de abril, a INCAB-IPÊ está realizando um concurso de arte no qual o(a) ganhador(a) receberá
um quadro pintado por uma anta e um ingresso para o filme na cidade de sua escolha. As regras do
concurso estão na página @incab.brasil, no Instagram.
“A produção do filme ANTA foi uma jornada incrível. Quase um ano na estrada — e mais alguns meses
de pesquisa e pré-produção. E tudo começou durante uma conversa despretensiosa, tomando um café
no intervalo de um evento… e acabou virando esse documentário que conta a história de tanta gente
que dedica sua vida a estudar essa espécie e a entender os desafios enfrentados por ela. O filme ANTA
vai muito além de contar a história de uma espécie. Ele mostra as conexões que fazem o mundo girar —
muitas vezes invisíveis, mas sempre presentes e muito humanas. A partir do trabalho da Patrícia Medici
e de toda a equipe da INCAB-IPÊ, o filme acompanha essa caminhada pelos biomas do Brasil, mostrando
que cuidar de uma espécie também é manter vivos os ciclos que sustentam o equilíbrio do planeta”,
explica João Marcos Rosa, fotógrafo de natureza e sócio da NITRO HISTÓRIAS VISUAIS.