O sucesso de uma iniciativa de restauração florestal com frequência é associado à quantidade de mudas plantadas em uma área. No entanto, a precisão do planejamento, que antecede o primeiro contato com a terra, é uma etapa-chave para garantir o resultado esperado. No Projeto REFLORA, realizado pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, essa etapa inicial é um exercício de alinhamento técnico e construção coletiva, onde a tecnologia de ponta é aliada ao conhecimento de quem vive na floresta.

Tudo começa com o diagnóstico remoto. Com o uso de drones, a equipe técnica consegue uma visão privilegiada e detalhada da propriedade do comunitário. Este sobrevoo não é apenas visual, ele gera dados geográficos essenciais, que seriam impossíveis de obter apenas com caminhadas pelo terreno.
Ao subir o drone, mapeia-se os limites exatos da área de atuação. Essa tecnologia permite localizar com precisão igarapés, lagos e outras características geográficas da área. Ao compreender a hidrografia e o desenho real do território, a equipe consegue planejar uma estratégia de plantio que respeita as condições naturais de cada terreno. Isso ajuda a evitar perdas desnecessárias e favorece o desenvolvimento das mudas, além de otimizar consideravelmente o tempo de trabalho das equipes que atuam diretamente no campo.

Com o mapa em mãos e as informações geográficas processadas, o trabalho ganha uma nova dimensão: a humana. Os dados coletados pelo drone são a base para o planejamento participativo. É neste momento que a comunidade indica para a equipe técnica do REFLORA qual será a atividade realizada naquela área: se Sistema Agroflorestal em faixa, ciclo ou se outra forma de plantio.
Nesta etapa, a ciência do manejo florestal se adapta à realidade de cada família. Juntos, equipe e comunitário definem dois pontos estratégicos:
- Métodos e Técnicas: a escolha entre o plantio em linhas, o enriquecimento de capoeiras, que consiste em plantar espécies de interesse dentro de áreas onde a mata já está crescendo naturalmente; semeadura direta, que é o plantio das sementes direto na terra sem o uso de mudas; ou outras técnicas de manejo sustentável.
- Biodiversidade Funcional: a seleção de quais e quantas espécies. Aqui, o interesse do comunitário é prioridade, aliando árvores que trazem retorno ecológico com aquelas que possuem valor econômico ou afetivo para a comunidade.
Ao envolver o comunitário em cada decisão baseada em dados reais, o projeto recupera a cobertura vegetal e fortalece o vínculo da comunidade com a conservação ambiental.
O planejamento é estratégico para compreender as funções que aquele ambiente tendo em vista recuperá-lo, transformando áreas degradadas em ecossistemas resilientes, buscando que cada hectare em restauração contribua para o equilíbrio climático e o bem-estar social da região.
Sobre o projeto REFLORA
O Projeto REFLORA é uma iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, financiada pelo Edital Amazonas – Floresta Viva. O Floresta Viva é uma iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinada a apoiar projetos de restauração ecológica nos biomas brasileiros.
O edital 02/2023 conta com o FUNBIO como parceiro gestor. O apoio financeiro é realizado pelo BNDES, pela Eneva S.A. e pela Cooperação Alemã, por meio do KfW. A iniciativa conta ainda com o apoio financeiro do Governo do Brasil. A SEMA, a APCT e a Natura também atuam como parceiras no projeto.