“O mato só ajuda”. Confira como os SAFs estão beneficiando pequenos agricultores no Pontal do Paranapanema
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Há mais de 15 anos, o IPÊ vem desenvolvendo novas alternativas de produção sustentável junto com as famílias assentadas no Pontal do Paranapanema. Com os Sistemas Agroflorestais (SAFs), o Instituto aposta no grande potencial de desenvolvimento e fortalecimento da agricultura familiar, contribuindo para uma transição para a agroecologia. A ideia central é promover um ponto de equilíbrio produtivo ecologicamente funcional e economicamente viável para os pequenos produtores.
A proposta dos SAFs nessa região, é cultivar culturas anuais e perenes variadas entre árvores nativas da Mata Atlântica. Essa variedade traz riqueza ecológica, promove a recuperação do solo e diversificação produtiva, além de colaborar com a geração de renda ao produtor. Mais do que isso, gera benefícios à biodiversidade, por ser uma estratégia para a recomposição da paisagem local, já que as áreas com esse sistema servem como trampolins ecológicos, que facilitam a dispersão animal e vegetal entre os fragmentos florestais e ajudam na reconexão do bioma.
Em 2017, o IPÊ trabalhou com as 51 famílias em 51 hectares de terras dentro de 13 assentamentos, em três municípios: Teodoro Sampaio, Mirante do Paranapanema e Euclides da Cunha Paulista. Nesses assentamentos, os SAFs foram implementados com apoio técnico e financeiro do Instituto nas Áreas de Reserva Legal e áreas comuns de produção dentro dos lotes. Ao todo, foram plantadas 60 espécies nativas e 10 espécies frutíferas, café e outras culturas anuais, como a mandioca.
A assistência técnica e extensão rural (ATER), insumos e ferramentas fazem parte do suporte dado pelo IPÊ aos assentados, para o desenvolvimento das agroflorestas na região. No ano, 15 tratoritos (maquinário usado para ajudar na lavoura) foram distribuídos e hoje são utilizados de forma compartilhada entre os agricultores.
“O mato só ajuda”
A família de Zilma da Silva é uma das beneficiadas pela iniciativa. Em seu terreno de 16 hectares, no assentamento Nova Esperança (Euclides da Cunha Paulista), onde já mantinha plantações como a mandioca, em modelo convencional, ela separou um hectare para desenvolver os Sistemas Agroflorestais. Mas Zilma não começou isso recentemente. A agricultora apostou na ideia há mais de 10 anos, quando o IPÊ ainda implementava o projeto Café com Floresta, um dos primeiros projetos do Instituto na região com a proposta de plantar árvores junto com a produção agrícola.
“Entrei no projeto porque eu sempre tive vontade de ter árvores nativas. Os meninos do IPÊ vieram com a ideia e eu topei plantar nativas e café. E nunca me arrependi. Ouvi muita gente dizendo que eu ia perder terra, que não ia ganhar nada. Mas eu ganhei”, conta.
Desde 2015, em uma nova etapa dos SAFs no Pontal, ela aceitou mais um desafio: plantar frutas e outras culturas debaixo das árvores. Com apoio técnico do IPÊ, Zilma afirma que muita coisa mudou, desde então. “A gente planta pra consumir e pra ter renda, claro, mas com o SAF é diferente. Não colocamos veneno na plantação e ainda trabalhamos debaixo de sombra. A diferença é enorme pro nosso próprio bem estar. Tenho muita coisa no terreno que eu uso para consumo meu. Não compro nada de fora que eu posso produzir aqui e ainda consigo vender e ganhar uma renda. Outra coisa que a gente aprendeu foi que o mato que cresce e que a gente corta é bom e enriquece o solo quando a gente deixa ele abafando a terra. Antes a gente tirava todo o capim e deixava a terra ‘pelada’. Hoje a gente sabe que o mato só ajuda”, afirma.
A produção sem uso de agrotóxico também é um dos princípios dos SAFs. No lote, os produtores têm os recursos para combater naturalmente pragas que podem afetar a produção e o manejo do solo com uso de adubo natural também é uma forma de enriquecer os plantios.
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Cerca de 35 especialistas (membros de universidades, pesquisadores, representantes de organizações da sociedade civil) que atuam na Mata Atlântica reuniram-se na última semana para dar continuidade ao desenho do novo mapa de áreas com prioridade de conservação no bioma. A Oficina Técnica para Definição de Alvos e Metas de Conservação da Biodiversidade da Mata Atlântica aconteceu em Atibaia (SP), cidade onde o primeiro mapa com esse mesmo objetivo foi construído em 1999. Essa foi a segunda etapa de um projeto que começou no ano passado e que será finalizado até dezembro de 2018, fruto de um trabalho do Ministério do Meio Ambiente (MMA) em conjunto com o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas.
Renata Chemim, co-fundadora do Polen, é otimista com relação ao crescimento desse movimento de doação. “Não tenho dúvidas de que o interesse em participar de movimentos como esse tem aumentado, principalmente quando é relacionado à marcas sendo solidárias/responsáveis socialmente. O consumidor tem exigido posicionamento de suas marcas preferidas, o que vai totalmente a favor da corrente que estamos gerando. Além disso, ferramentas que facilitam a interação entre público/OSCs vão ser cada vez mais utilizadas, em um mundo onde pedir um táxi ou comida não precisa de mais que um clique, doar não pode ser diferente”, afirma.
Grande beleza e elevada biodiversidade cercam o Parque Estadual da Serra do Conduru (PESC) e a Área de Proteção Ambiental (APA) da Costa de Itacaré/Serra Grande, no sul da Bahia, e também muitos desafios, como a falta de regularização fundiária, desmatamento, ocupações irregulares, entre outros. Criado em 1997, pelo Governo do Estado da Bahia, como medida compensatória à construção da Rodovia BA-001, trecho Ilhéus/Itacaré, o PESC possui uma das maiores biodiversidades do planeta e com alto grau de endemismo, ou seja, no mundo todo, diversas espécies de plantas e aves só existem ali. Todo o entorno do PESC é englobado por Áreas de Proteção Ambiental (APA), sendo a APA da Costa de Itacaré/Serra Grande, de grande relevância local.
Os mestrandos tiveram oportunidade de desenvolver o plano partindo de um diagnóstico sobre o PESC/APA, revisitando o histórico das UCs e entrevistando os públicos de interesse: gestores, comunidades do entorno e que esperam regularização fundiária, ONGs parceiras, Amigos do PESC, funcionários, entre outros. A partir disso, refletiram os papéis de cada um deles para a melhoria dos fluxos comunicativos e estabeleceram um planejamento que conta com ações até 2020 para o enfrentamento de grandes questões atuais, como a deficiência na regularização fundiária, melhoria nos canais de comunicação digitais, comunicação visual, entre outros.