Resposta Emergência Pantanal: Avaliação de impacto dos incêndios sobre a fauna

Os incêndios no Pantanal atingiram todos os grupos animais - de invertebrados até grandes aves e mamíferos. Pesquisadores de várias organizações atuando no bioma uniram forças para contabilizar o impacto na fauna buscando estimar o número de animais mortos. No caso das antas (foco dos estudos da INCAB) e dos tamanduás-bandeiras (foco de estudo do nosso parceiro ICAS - Instituto de Conservação de Animais Silvestres), algumas estimativas estão sendo levantadas conforme as carcaças vão sendo encontradas.

Temos mantido contato com organizações em diferentes partes do Pantanal, para reunir o máximo de informações possível sobre a mortalidade dessas espécies de forma a modelar e avaliar as consequências desses incêndios nas suas populações.

A EMBRAPA Pantanal desenvolveu um método padrão (contagem de carcaças usando amostragem de transectos lineares) que passou a ser utilizado pela comunidade científica de forma a padronizar os esforços para levantamento do impacto nos animais. Resultados preliminares das contagens de carcaças demostraram o impacto maior ocorreu em animais de baixa mobilidade, como répteis e roedores – que são base de cadeia alimentar e cuja ausência afeta seus predadores e toda a cadeia alimentar com a falta de alimento, causando a “fome cinzenta” na floresta destruída. Já animais como o tatu-canastra (foco de estudo do Projeto Tatu-Canastra), têm menos registros. De qualquer maneira, devido a seus hábitos de permanecer sob o solo, também é bastante provável que tenham sido  fortemente impactados morrendo dentro de suas tocas.

Outra iniciativa tem sido coordenada por pesquisadores atuando no SESC Pantanal. A maior reserva particular do Brasil, a qual abriga uma das maiores populações de antas do Pantanal, teve 91% de sua área queimada. Com o apoio de parceiros, o SESC distribuiu 160 estações de água e alimentação para os animais (o chamado “assistencialismo”), e 12 dessas estações vem sendo sendo monitorados através de armadilhas fotográficas. Esta será uma forma extremamente eficaz de monitorar e avaliar o retorno dos animais às areas queimadas, bem como as condições corporais nas quais eles se encontrarão. A INCAB apoiou a equipe de pesquisadores do SESC com 10 armadilhas fotográficas (bem como todos os acessórios necessários incluindo cartões de memória, baterias recarregáveis, carregadores de baterias) para o monitoramento de mais estações de assistencialismo.

Estamos em processo de busca de outras iniciativas de avaliação do impacto dos incêndios que necessitem de apoio.