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Cibele Quirino

Na Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados da América do Sul, o futuro da anta brasileira está em risco

8 de fevereiro de 2022 Por Cibele Quirino

Atualmente, ouvir dizer que uma espécie está em risco de extinção é corriqueiro. No caso da anta brasileira (Tapirus terrestris), está cientificamente comprovado que quase 100% das populações ainda existentes na Mata Atlântica da América do Sul correm risco de desaparecer no futuro próximo. A conclusão é do estudo The distribution and conservation status of Tapirus terrestris in … Ler mais

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Conheça o trabalho realizado por aluno da ESCAS na Fundação de Meio Ambiente do Pantanal

2 de fevereiro de 2022 Por Cibele Quirino

Há um ano, Gabriel Oliveira, aluno do Mestrado Profissional da ESCAS, vem atuando como gerente de educação ambiental e pesca, da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, vinculada à Secretaria Municipal de Governo de Corumbá/MS. “Eu esperava que sensibilizar e conscientizar as pessoas fosse um trabalho desafiador de levar informação, mas vai muito além, é … Ler mais

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Contribuir com o desenvolvimento sustentável do Maranhão é o foco de egressa da ESCAS

2 de fevereiro de 2022 Por Cibele Quirino

Há três anos a bióloga Naiara Rabelo Valle é a coordenadora técnica do Instituto Ecos de Gaia em um projeto de monitoramento de fauna no Maranhão. O projeto é realizado na Reserva Legal de uma empresa que atua nas proximidades com mineração.  “Trabalhamos para entender qual é a influência da atividade de mineração para os … Ler mais

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Metodologia internacional começa a ser aplicada em escolas do Sistema Cantareira

2 de fevereiro de 2022 Por Cibele Quirino

Na primeira semana de fevereiro, 22 educadores da Escola Estadual Professora Clélia de Barros Leite da Silva, no município de Nazaré Paulista (SP), participaram da primeira oficina de sensibilização para professores sobre mudanças climáticas. Essa é primeira atividades das Escolas Climáticas, uma das ações de educação ambiental do Projeto Semeando Água, iniciativa do IPÊ – … Ler mais

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Parceria Cantão e IPÊ reverte mais de R$ 12 mil para ações de sustentabilidade e conservação do Instituto

2 de fevereiro de 2022 Por Cibele Quirino

Seis camisetas desenvolvidas em conjunto pela marca de moda feminina Cantão e o IPÊ resultaram na venda de 662 peças que tiveram 100% do lucro, R$ 12.578,00, doados para o Instituto. Para o processo de criação, a equipe Cantão utilizou as referências científicas do IPÊ, em uma produção que retrata a beleza da biodiversidade brasileira … Ler mais

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Capacitação leva alternativas de comercialização para agricultores  do Pontal do Paranapanema

22 de dezembro de 2021 Por Cibele Quirino

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Lideranças de assentamentos localizados em Teodoro Sampaio, Mirante do Paranapanema e Euclides da Cunha Paulista, no extremo Oeste do estado de São Paulo participaram da capacitação “Execução das Atividades de Capacitação para Comercialização”, na segunda quinzena de novembro, no escritório do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, em Teodoro Sampaio.

A capacitação teve como objetivo contribuir para comercialização de produtos dos SAFs – Sistemas Agroflorestais na região. Trata-se de uma ação que integra o Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável – Microbacias II – Acesso ao Mercado (PDRS) vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SMA), com recurso do Fehidro – Fundo Estadual de Recursos Hídricos.

Ministrada pelos técnicos Josenilton Xavier do Amaral e Natália Capellin, da Amater – Cooperativa de Trabalho e Assessoria Técnica, Extensão Rural e Meio Ambiente, a iniciativa teve como resultado prático o desenvolvimento conjunto de uma matriz estratégica para comercialização dos produtos dos SAFs com os supermercados locais e regionais.  A matriz tem como base o Business Model Canvas, ferramenta de planejamento estratégico, que permite desenvolver e esboçar modelos de negócios novos ou existentes.

Para Zilma da Silva, agricultora e presidente da Associação Nova Esperança, de Euclides da Cunha Paulista, a capacitação foi positiva e reativou a pretensão de comercializar os produtos do SAF. “O curso me encheu de esperança”, revela.

Os participantes têm o compromisso de multiplicar as informações para os demais agricultores familiares que são beneficiados pelo Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável – Microbacias II – Acesso ao Mercado (PDRS) vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SMA).

Amaral, técnico da Amater, ressalta que a logística é um gargalo a ser resolvido e destaca o potencial do fortalecimento e da aliança entre as associações. “O importante é a união para buscar alternativas, como entregas em conjunto, por exemplo, com potencial de trazer melhorias para todos”, afirma.

Aline Souza, técnica do IPÊ, reforça os SAFs como aliados do desenvolvimento sustentável. “Vejo o SAF com um sistema essencial para agricultura familiar pelo fato de estar ancorado na questão socioeconômica com geração de renda e diversidade de produção, garantindo a segurança alimentar no campo e na cidade. Os SAFs também são ativos no quesito meio ambiente com produção de sementes, conservação da flora e da fauna.” Na região, 51 famílias implantaram em seus lotes SAFs sob a orientação dos técnicos do IPÊ.

Marilene Lima Santana, moradora do assentamento Ribeirão Bonito, em Teodoro Sampaio, compartilha da mesma opinião. “Concordo com a Aline quando ela ressalta a importância ambiental que o SAF proporciona. No meu lote a agrofloresta foi a salvação para um córrego que corta meu lote, caso contrário, o mesmo já estaria assoreado”, pontua.

Para o ano de 2022, estão previstas, pelo Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável – Microbacias II – Acesso ao Mercado (PDRS), três capacitações, na região, com datas a definir.

 

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Capacitação leva alternativas de comercialização para agricultores  do Pontal do Paranapanema

22 de dezembro de 2021 Por Cibele Quirino

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Lideranças de assentamentos localizados em Teodoro Sampaio, Mirante do Paranapanema e Euclides da Cunha Paulista, no extremo Oeste do estado de São Paulo participaram da capacitação “Execução das Atividades de Capacitação para Comercialização”, na segunda quinzena de novembro, no escritório do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, em Teodoro Sampaio.

A capacitação teve como objetivo contribuir para comercialização de produtos dos SAFs – Sistemas Agroflorestais na região. Trata-se de uma ação que integra o Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável – Microbacias II – Acesso ao Mercado (PDRS) vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SMA), com recurso do Fehidro – Fundo Estadual de Recursos Hídricos.

Ministrada pelos técnicos Josenilton Xavier do Amaral e Natália Capellin, da Amater – Cooperativa de Trabalho e Assessoria Técnica, Extensão Rural e Meio Ambiente, a iniciativa teve como resultado prático o desenvolvimento conjunto de uma matriz estratégica para comercialização dos produtos dos SAFs com os supermercados locais e regionais.  A matriz tem como base o Business Model Canvas, ferramenta de planejamento estratégico, que permite desenvolver e esboçar modelos de negócios novos ou existentes.

Para Zilma da Silva, agricultora e presidente da Associação Nova Esperança, de Euclides da Cunha Paulista, a capacitação foi positiva e reativou a pretensão de comercializar os produtos do SAF. “O curso me encheu de esperança”, revela.

Os participantes têm o compromisso de multiplicar as informações para os demais agricultores familiares que são beneficiados pelo Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável – Microbacias II – Acesso ao Mercado (PDRS) vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SMA).

Amaral, técnico da Amater, ressalta que a logística é um gargalo a ser resolvido e destaca o potencial do fortalecimento e da aliança entre as associações. “O importante é a união para buscar alternativas, como entregas em conjunto, por exemplo, com potencial de trazer melhorias para todos”, afirma.

Aline Souza, técnica do IPÊ, reforça os SAFs como aliados do desenvolvimento sustentável. “Vejo o SAF com um sistema essencial para agricultura familiar pelo fato de estar ancorado na questão socioeconômica com geração de renda e diversidade de produção, garantindo a segurança alimentar no campo e na cidade. Os SAFs também são ativos no quesito meio ambiente com produção de sementes, conservação da flora e da fauna.” Na região, 51 famílias implantaram em seus lotes SAFs sob a orientação dos técnicos do IPÊ.

Marilene Lima Santana, moradora do assentamento Ribeirão Bonito, em Teodoro Sampaio, compartilha da mesma opinião. “Concordo com a Aline quando ela ressalta a importância ambiental que o SAF proporciona. No meu lote a agrofloresta foi a salvação para um córrego que corta meu lote, caso contrário, o mesmo já estaria assoreado”, pontua.

Para o ano de 2022, estão previstas, pelo Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável – Microbacias II – Acesso ao Mercado (PDRS), três capacitações, na região, com datas a definir.

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Programe-se: ISE – Integração de Serviços Ecossistêmicos terá novas turmas em 2022

16 de dezembro de 2021 Por Cibele Quirino

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Mais de 180 profissionais já participaram do curso “ISE – Integração de Serviços Ecossistêmicos em processos de planejamento, gestão e comunicação estratégica no contexto territorial, com foco nas áreas protegidas e outras medidas de conservação locais” recém-lançado em outubro. Trata-se de uma realização da ESCAS/IPÊ em parceria com a GIZ – Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável. 

Segundo María Olatz Cases, diretora do projeto regional áreas protegidas locais, da GIZ, a parceria busca dar sustentabilidade ao curso, relevância do tema para o alcance dos ODS e para o Acordo de Paris. “O IPÊ é parceiro de longa data e instituição expoente no tema. O apoio da ESCAS/IPÊ e de outras redes multiplicadoras – como o ICLEI – para a divulgação e promoção dos cursos é de fundamental importância para alcançar o público-alvo e para que as discussões sobre integração dos serviços ecossistêmicos nos processos de planejamento e gestão continuem”.

Para Eduardo Badialli, coordenador da Pós-graduação Lato Sensu e dos cursos de curta duração da ESCAS, a parceria é vista como estratégica para o fortalecimento das áreas protegidas.  “IPÊ/ESCAS e GIZ são parceiros há mais de 20 anos. Especificamente com esse curso, acreditamos que estamos diante de um passo importante para o fortalecimento das áreas protegidas na esfera local”. 

Com 35 horas, 100% online no site da ESCAS e dividido em três módulos, o curso tem como público-alvo gestores, tomadores de decisão, planejadores de desenvolvimento e técnicos. “Observamos que há pouco material disponível sobre a oferta dos benefícios prestados por esses territórios às comunidades locais, o que dificulta a sua inclusão nos processos de planejamento e tomada de decisão por parte de gestoras e gestores locais. É importante que esses profissionais possam ampliar seus conhecimentos e o entendimento desse tema, incentivando, assim, a criação de políticas ou outras medidas para colaborar para a manutenção desses serviços”, destaca.

Estreia 

“Tivemos uma procura bastante alta na primeira edição, em outubro, o que nos fez abrir uma nova turma ainda em 2021. Esperamos nos próximos anos muitas outras turmas para esse curso e contamos com a ESCAS/IPÊ e com os multiplicadores para isso”, revela María Olatz Cases, diretora do projeto regional áreas protegidas locais, da GIZ.  

O curso ISE integra o Projeto APL – Áreas Protegidas e outras medidas de conservação baseadas em áreas em nível dos governos Locais, da GIZ, implementado no Brasil, Colômbia, Equador e Peru que visa promover o intercâmbio e a integração entre experiências na região. “Ele não apenas é implementado em uma linha temática comum aos quatro países, como também possibilita essa troca de aprendizagem. Por isso, optamos por difundir um tema de alta relevância para a conservação da biodiversidade em toda a região”, afirma a diretora do projeto regional áreas protegidas locais, da GIZ.  

Quanto aos desafios para a implementação da metodologia ISE ao planejamento e desenvolvimento e gestão de Áreas Protegidas, Maria Olatz comenta que esse é também um dos objetivos do curso. “Consiste em que a metodologia seja internalizada e considerada na construção das políticas públicas dos governos locais, de maneira que outras áreas de planejamento territorial nos municípios olhem de forma conjunta para as contribuições e a relevância das áreas protegidas e outras medidas de conservação. 

Esperamos que o curso qualifique o planejamento e a tomada de decisões de gestores locais e resulte em gestões mais harmônicas, bem como na melhoria das condições de provisão dos serviços ecossistêmicos, com os respectivos efeitos na economia e no bem-estar da população local, ajudando, dessa forma, a superar esse grande desafio”.

Histórico 

Segundo Olatz, a capacitação vem como resultado da adaptação de outro curso preexistente, desenvolvido e realizado pela GIZ, o Helmholtz Centre for Environmental Research (UFZ) e o Conservation Strategy Fund (CSF), no âmbito do projeto global ValuES, em mais de 16 países. 

“O curso também potencializa a formação multiplicadores desse conhecimento, o que é fundamental para a sua sustentabilidade, considerando que o projeto APL encerra em 2022. É preciso que outros parceiros e instituições continuem repassando essas informações adiante. Esse é o papel das redes multiplicadoras nos quatro países em que atuamos”.

O conteúdo leva a assinatura da GIZ, do ICLEI e da UICN – parceiros de implementação do projeto Áreas Protegidas e outras medidas de conservação baseadas em áreas em nível dos governos locais e na elaboração do curso. “A abordagem do projeto buscou considerar, tanto quanto possível, as especificidades nacionais, subnacionais e locais, adequando o conteúdo contexto de cada um dos quatro países.  Além do ICLEI e da UICN, também foram envolvidas no processo as contrapartes políticas em cada país o Ministério do Meio Ambiente do Brasil (MMA), o Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia (MinAmbiente), o Ministério do Ambiente, Água e Transição Ecológica do Equador (MAATE) e o Ministério do Ambiente do Peru (MINAM), assim como os governos locais dos quatro países”, explica Maria.

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Estudo inédito mostra atuação dos grandes herbívoros para desacelerar perda de diversidade em florestas tropicais devido a mudanças climáticas

8 de dezembro de 2021 Por Cibele Quirino

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Durante 10 anos, na Mata Atlântica, pesquisadores compararam áreas de floresta utilizadas por mamíferos herbívoros, incluindo a anta-brasileira (Tapirus terrestris) e a queixada (Tayassu pecari), e áreas para as quais o acesso desses animais foi bloqueado por plots de exclusão (cercas). O resultado principal é que as áreas utilizadas por esses animais apresentaram menor perda de diversidade do que as áreas cercadas.

O estudo inédito em florestas tropicais gerou um artigo recém-publicado no Journal of Applied Ecology do British Ecological Society (BES). As pesquisas foram realizadas no Parque Estadual Morro do Diabo, no extremo oeste do Estado de São Paulo. O trabalho traz um alerta para a importância de ações de conservação de animais ameaçados de extinção. A anta brasileira, por exemplo, integra o Red List da IUCN – União Internacional para Conservação da Natureza, como “Vulnerável à Extinção” em toda a sua distribuição. Já a queixada é considerada “Criticamente Ameaçada” na Mata Atlântica.

A coordenadora da INCAB – Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira, do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, Patrícia Medici, assina o artigo junto com Nacho Villar, pesquisador do Instituto Holandês de Ecologia NIOO-KNAW. “Neste estudo, relatamos os resultados de um primeiro experimento sobre os efeitos que a conservação e proteção dos grandes herbívoros têm sobre a manutenção da biodiversidade em florestas tropicais e, até onde sabemos, em qualquer outro bioma florestal. O estudo indica que os grandes herbívoros têm um papel muito importante para desacelerar a perda de diversidade florestal”, conta Patrícia.

 Medici Tapirs Brazil HRS Credit Joao Marcos Rosa

Conservacionista Patrícia Medici fotografa anta-brasileira no momento em que o animal sai da armadilha de caixa onde foi capturada para a coleta de materiais biológicos para estudos de saúde e genética.
O registro foi feito na Fazenda Baia das Pedras no Pantanal brasileiro (Município de Aquidauana, Estado do Mato Grosso do Sul), um dos principais biomas para a conservação da anta no país.
Crédito da foto: João Marcos Rosa

Segundo o estudo, as florestas maduras com alta diversidade foram as que mais se beneficiaram da presença dos grandes herbívoros. “Por outro lado, os resultados mostram como a composição da floresta é severamente afetada quando os animais são excluídos do bioma, sinalizando o que pode estar acontecendo em uma série de outros fragmentos da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do planeta”, destaca a pesquisadora.

Com o início da Década da Restauração das Nações Unidas (2021-2030), os resultados deste estudo são também uma orientação para futuras iniciativas de conservação e restauração florestal.  “A conservação desses animais e a restauração trófica (sem participação do homem) são cada vez mais reconhecidas como ferramentas importantes para restaurar ecossistemas florestais e evitar os efeitos agudos das mudanças globais sobre a biodiversidade. No entanto, tais soluções baseadas na natureza ainda não são reconhecidas como uma opção de conservação, sobretudo para florestas tropicais. Acreditamos que o estudo reforça como seria estratégico seguirmos nessa direção”, destaca a pesquisadora.

Do ponto de vista aplicado, tais descobertas indicam que a conservação das espécies e a restauração promovida por elas, podem ser mais eficazes na proteção contra fortes declínios de diversidade de longo prazo em florestas tropicais bem preservadas com altos níveis de diversidade florestal. “Durante os 10 anos do estudo, a abundância de plantas na fase inicial de germinação, o estabelecimento delas e a riqueza de espécies diminuíram cerca de 20% ou mais, proporcionando um experimento natural único para testar a significância funcional dos grandes herbívoros para evitar o colapso da biodiversidade a longo prazo”, diz Patrícia.

Os pesquisadores observaram também se os grandes herbívoros afetam de forma diferenciada as florestas maduras em comparação com as florestas secundárias. “Essa é uma questão importante e inexplorada na conservação e restauração trófica. Nas florestas secundárias, identificamos cerca de metade do número de espécies das florestas maduras. Em florestas secundárias, os resultados indicam limitada proteção dos grandes herbívoros contra a perda de diversidade. Mudanças ambientais regionais de longo prazo colocam em risco o potencial de recuperação de tais florestas secundárias e a transição para mais florestas maduras e diversificadas”, afirma Nacho Villar.

Detalhes da pesquisa na prática

As descobertas são fruto do monitoramento de 200 m² de Mata Atlântica do Interior no Parque Estadual Morro do Diabo, São Paulo, Brasil, realizado entre 2004 e 2014.  “Investigamos o potencial de atuação dos grandes herbívoros contra o colapso da diversidade vegetal a longo prazo, examinando seus efeitos na abundância de plantas na fase inicial de germinação, riqueza e diversidade de espécies, diversidade temporal e na taxa de mudança de composição florestal. Esses animais contribuem diretamente com as plantas do sub-bosque, por meio da dispersão de sementes e atuação nas plantas na fase inicial de germinação. Desta forma, redutos de biodiversidade são altamente sensíveis ao desaparecimento de animais tais como a anta-brasileira (Tapirus terrestris) e o queixada (Tayassu pecari), por exemplo”, explica Villar.

A equipe de Patrícia dividiu a área monitorada em 200 parcelas, incluindo 100 áreas cercadas de forma a evitar o acesso dos grandes herbívoros e 100 áreas de controle, onde não houve restrição à entrada dos animais. Como forma de compreender possíveis diferenças de acordo com o amadurecimento da floresta, as áreas cercadas estavam divididas em dois grupos, sendo 25 pares em áreas de floresta madura e 25 pares em floresta secundária.

Para o isolamento das áreas (plots de exclusão), os pesquisadores utilizaram postes de madeira e tela de arame (2×2 cm). As exclusões tinham as seguintes dimensões: 3 metros de largura, 6 metros de comprimento e 1,20 metros de altura. Foi mantida uma abertura de 20 cm ao redor da parte inferior do plot permitindo assim a entrada de pequenos mamíferos terrestres, tais como roedores e marsupiais. Dentro de cada área de exclusão, uma área de amostragem central de 1×4 m foi estabelecida e dividida em quatro quadrantes de 1×1 m.

Parcelas de controle não cercadas tinham 1 m de largura e 4 m de comprimento, divididas em quatro quadrantes de 1×1 m. Para cada parcela de exclusão e controle, dois dos quadrantes de 1×1 m foram escolhidos aleatoriamente para serem amostrados ao longo do estudo.

Amostragem florestal

Nas áreas monitoradas, todas as plantas com mais de 10 cm e diâmetro ≤ 5 cm foram marcadas com placas de PVC e receberam um número de referência. A metodologia permitiu realizar amostragem subsequentes dos mesmos indivíduos. As novas plantas que surgiram durante a pesquisa e que também atendiam aos critérios foram incorporadas ao protocolo de monitoramento.

Durante os primeiros cinco anos do estudo (2004-2008), os pesquisadores realizaram medições das plantas duas vezes por ano, no início da estação chuvosa (outubro) e no início da estação seca (abril). No período de 2009 a 2012, a coleta de dados foi realizada uma vez ao ano. As medições finais ocorreram em 2014, encerrando 10 anos de coleta de dados, com 14 medições. “Seguimos o destino de 7.287 plantas e rastreamos o declínio da diversidade durante o período de 10 anos”, destaca Patrícia.

Ameaças e oportunidade

A conservação dos grandes herbívoros e a restauração florestal promovida por eles, especialmente em florestas tropicais, representam desafios por uma série de ameaças que esses animais enfrentam pela ação do homem. Segundo os pesquisadores, avanços nessa direção precisam considerar medidas de proteção às espécies. “Manejo da paisagem eficaz, fiscalização e conservação visando aumentar as populações desses animais e a facilitação da dispersão e movimentação entre remanescentes florestais são estratégicas. Além delas, vale pontuar, a necessidade de iniciativas de reintrodução e translocação desses animais, uma vez que grandes extensões de florestas maduras ricas em diversidade atualmente estão desprovidas desses animais, por conta da caça, do atropelamento e tantas outras ameaças”. 

Com base nos resultados, os pesquisadores destacam que a restauração ativa das florestas neotropicais com grandes herbívoros pode ser, de fato, a solução mais eficaz para melhorar o estado de conservação de muitas espécies de grandes herbívoros contribuindo com a diversidade das florestas tropicais a longo prazo. “Sugerimos que as medidas tenham início em florestas maduras e, em seguida, em florestas secundárias com altos níveis de diversidade”.

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Automonitoramento da pesca na RDS Itatupã-Baquiá ganha novos indicadores 

8 de dezembro de 2021 Por Cibele Quirino

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Na segunda quinzena de novembro, monitores que realizam o automonitoramento da pesca na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Itatupã-Baquiá, localizada no Pará, participaram da amostragem anual da atividade, que neste ano incluiu novos indicadores para o formulário de coleta: potência do motor da embarcação de pesca e informações da malhadeira (rede de pesca), como o comprimento em metros e o tamanho da malha em milímetros. “Com essas informações será possível trabalhar melhor a questão do esforço da atividade durante o monitoramento”, explica Ana Maira Bastos Neves, pesquisadora local do IPÊ. 

As informações obtidas com o formulário de coleta serão utilizadas para criar e avaliar padrões de observação que possibilitem acompanhar e comparar o desenvolvimento da atividade ao longo do tempo. “A coleta dessas informações irá contribuir para tomada de decisões e a construção de políticas públicas”, destaca a pesquisadora.

MPB autominitoramento pesca

Crédito da foto: Raimundo Anacleto das Graças de Souza, Comunidade de São João / RDS Itatupã-Baquiá

A novidade é o resultado do monitoramento participativo, que na RDS Itatupã-Baquiá conta com 39 famílias, entre jovens e adultos, de cinco comunidades São Francisco do Piracuí, Santa Maria do Tauari, Belo Horizonte, Santa Luzia do Urucuri e São João do Jaburu, além de pesquisadores do IPÊ, do CEPAM, gestor e profissionais da RDS, pesquisadores da UFPA – Universidade Federal do Pará,  do INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, da UFOPA – Universidade Federal do Oeste do Pará, da UFAM – Universidade Federal do Amazonas, do MPEG – Museu Paraense Emílio Goeldi e da WCS Brasil – Wildlife Conservation Society. 

Durante a visita, Ana Maira também capacitou duas técnicas que passaram a integrar a equipe do automonitoramento da pesca da RDS. Elas atuam na parte de digitação das informações coletadas pelos monitores. Ambas são contratadas via NGI – Núcleo de Gestão Integrada, do ICMBio, para realizar essa entre outras atividades. A equipe também foi ampliada com a contratação pelo NGI de um articulador para  apoiar as atividades em campo, morador da Reserva e apoiador desde a criação da Unidade de Conservação. 

A atividade integra o projeto MPB – Monitoramento Participativo da Biodiversidade, uma parceria entre IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas e o ICMBio –Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, por meio do MONITORA – Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade e do CEPAM – Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica que coordena o subprograma aquático continental.

Encontro dos Saberes

Em abril de 2022, os monitores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Itatupã-Baquiá vão participar do Encontro de Saberes. O tema do encontro será a apresentação dos resultados obtidos com o automonitoramento da pesca que teve início em 2017. Em 2019, os monitores receberam devolutiva pelo trabalho realizado entre 2017 e 2018 e passaram por capacitação. Com a pandemia, a próxima devolutiva será realizada em abril de 2022 e trará um consolidado dos avanços obtidos até o momento.  

Durante o encontro, serão respondidas questões relativas à produção da unidade, como espécies capturadas, áreas de pesca, material mais utilizado nas pescarias, consumo e venda, além de potenciais novos alvos”, antecipa  Ana Maira Bastos Neves, pesquisadora local do IPÊ.

Leonardo Rodrigues, coordenador pedagógico do MPB-IPÊ, à frente dos Encontros dos Saberes, realizou o alinhamento para a realização do Encontro com as comunidades, previsto para 2022.

Sobre o Encontro dos Saberes

O Encontro dos Saberes tem se revelado uma experiência muito rica e tem aumentado o interesse das comunidades na luta pela conservação da biodiversidade. Esses encontros oferecem aos pesquisadores, monitores e gestores, um diálogo entre eles para que cada um, com o saber que possui, com a sua experiência, com sua vivência no monitoramento, dialogue olhando para a biodiversidade a partir da lente da ciência, no caso dos pesquisadores; jurídico-administrativa, no caso dos gestores; e da lente do conhecimento tradicional e da sua experiência vivencial, no caso dos monitores.

A atividade faz parte da parceria entre IPÊ e o ICMBio, por meio do CEPAM – Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica, que faz parte do MONITORA -Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade, Subprograma Aquático Continental.

A iniciativa integra o projeto de “Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia”, desenvolvido pelo IPÊ em parceria com o ICMBio, com apoio de Gordon and Betty Moore Foundation e USAID.

Sobre o MPB

O Projeto de Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia (MPB) apoia a implementação do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore, USAID, Programa ARPA e mais de 20 instituições locais.

Desde 2013, o projeto realiza o monitoramento participativo da biodiversidade e promove o envolvimento socioambiental para o fortalecimento da gestão e da conservação da biodiversidade em unidades de conservação da Amazônia. Esse processo é estratégico para entender e moderar a extensão de mudanças que possam levar à perda de biodiversidade local, subsidiar o manejo adequado dos recursos naturais e promover a manutenção do modo de vida das comunidades locais e a obtenção de renda de maneira sustentável. A principal motivação do MPB é fomentar a participação social como alicerce para compreensão e conservação da biodiversidade.

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