Viveiristas participam de curso de botânica no Pontal do Paranapanema
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Profissionais de restauração florestal dos corredores ecológicos implementados pelo IPÊ – Instituto de Pesquisa Ecológicas, na região do Pontal do Paranapanema, no extremo Oeste do estado de São Paulo, participaram do “Curso de boas práticas de identificação botânica e escolha de espécies estruturantes para restauração florestal no bioma Mata Atlântica de Interior”, no viveiro Viva Verde, da viveirista Iraci Lopes Duveza.
O curso é uma parceria entre o IPÊ e a WeForest que apoia a restauração florestal de algumas áreas na região, e tem como objetivo contribuir para a formação dos proprietários de viveiros comunitários, colaboradores e as equipes de plantio. “A ideia é fazer cursos de atualização com certa periodicidade, pois a botânica é uma área dinâmica com mudanças frequentes”, explicou Cristina Yuri Vidal, gerente de projetos da WeForest no Brasil.
No curso, os participantes tiveram a oportunidade de compreender melhor, por exemplo, as diferenças entre árvores da Mata Atlântica do interior e do litoral. “A Quaresmeira (Tibouchina granulosa), por exemplo, é nativa na região litorânea, porém é exótica no extremo Oeste Paulista”, explicou o engenheiro florestal Guilherme Faganello, da Embira Consultoria, que ministrou o curso.
Resultados práticos
“Eu tinha a concepção que árvores exóticas eram somente as espécies nativas em outros países. Agora, aqui na atualização esse conceito de exótica ficou muito claro”, disse Francisco Barbosa da Silva, sócio na Mafran Ambiental Consultoria.
“Ficou evidente o potencial agressivo das árvores exóticas, pois elas se desenvolvem mais rápido e atrapalham a formação das nativas. Agora minha empresa, que trabalha com produção de mudas e plantio no campo, vai redobrar os cuidados, pois o ideal é atacar o problema na base, ou seja, não coletar sementes e não produzir espécies exóticas”, comentou Marta Aparecida da Silva, sócia na Mafran.
Para Tamires Ferreira de Lima , colaboradora do viveiro Viva Verde, o aprendizado sempre é bem-vindo. “Sou o tipo de profissional que gosta de aprender mais e mais sobre as árvores nativas”.
Na avaliação de Nivaldo Ribeiro Campos, técnico do IPÊ e coordenador dos viveiros comunitários, o curso fortalece os viveiros e assim os resultados com a restauração florestal na região. “Com conhecimento é possível avançar com qualidade. A cada dia os viveiristas da região se tornam mais especializados no mercado de mudas nativas do bioma Mata Atlântica de interior, o que traz ainda mais benefícios para toda a cadeia da restauração”.
Quais as árvores mais adequadas para restauração no Pontal do Paranapanema?
Durante a capacitação, Guilherme Faganello, engenheiro florestal da Embira Consultoria, pontuou a importância de elaborar uma lista de árvores nativas que são interessantes para a restauração florestal na região, com a função de aumentar a eficácia da iniciativa e reduzir custos, por exemplo, com o replantio de árvores. Nesse contexto, é possível, inclusive, refinar as espécies com melhor desempenho no campo, principalmente aquelas que resistem a longos períodos de seca, pois este é um dos fatores ocasionado pelas mudanças climáticas.
Para a elaboração da lista, os participantes priorizaram dois pontos: a presença de espécies do grupo funcional/diversidade – aquelas que atraem animais dispersores de sementes, como pássaros e a anta-brasileira (Tapirus terrestris) e do grupo estruturante/recobrimento – árvores que contribuem para a formação mais rápida da floresta, como por exemplo, a Sangra d’água (Croton urucurana), de crescimento rápido, com formação de copa que oferece sombra e ajuda a combater o capim braquiária.
Com base nessas orientações a lista de espécies prioritárias na região inclui:
Aroeira Pimenteira (Schinus terebinthifolius) – grupo estruturante/ recobrimento
Cabreúva (Myroxylon Peruiferum) – grupo funcional/ diversidade
Espinho de Maricá (Mimosa bimucronata) – grupo estruturante/ recobrimento
Fedegoso (Senna macranthera) – grupo estruturante/ recobrimento
Fruta de Lobo (Solanum lycocarpum) – grupo estruturante/ recobrimento
Ipê Amarelo (Tabebuia chrysotricha) – grupo funcional/ diversidade
Jatobá (Hymenaea courbaril) – grupo funcional/ diversidade
Louro Pardo (Cordia trichotoma) – grupo funcional/ diversidade
Mutambo (Guazuma ulmifolia) – grupo estruturante/ recobrimento
Pau formiga (Triplaris americana) – grupo funcional/ diversidade
Sangra d’água (Croton urucurana) – grupo estruturante/ recobrimento
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A primeira ação pedagógica realizada pelo IPÊ em assentamentos rurais no Espírito Santo tratou sobre o tema Água e Manejo de Bacias Hidrográficas. Dois cursos gratuitos foram realizados pelo Projeto Educação, Paisagem e Comunidade, beneficiando 50 pessoas nos assentamentos Beija-Flor e Rosa de Saron, nos municípios de Alto Rio Novo e Águia Branca, respectivamente. Os encontros tiveram participação de assentados, técnicos, representantes do sindicato rural e lideranças comunitárias, e foram aplicados por Felipe Senna, do Instituto Socioambiental de Viçosa.
território.

Para atuar muito mais próximo aos produtores da área rural do Espírito Santo, o projeto “Educação, Paisagem e Comunidade”, selecionou quatro moderadores jovens, que têm um papel de criar articulação entre as ações do projeto e os moradores dos assentamentos. Os moderadores também são assentados rurais e suas famílias são produtoras na região, dos assentamentos Rosa de Saron (em Águia Branca) e Boa Esperança, Laje e Beija-Flor (em Alto Rio Novo).“Temos o papel de mediar informações entre o IPÊ e os assentados que participam do projeto, com uma linguagem que as pessoas consigam entender. Sou como um fio entre o instituto e o assentamento. Quando se tem alguém que é morador de assentamento, conversando a mesma língua do assentado, isso motiva as pessoas”, comenta Elisa Marins Maciel (foto), estudante de veterinária de 21 anos, do assentamento Rosa de Saron.

