Reunião técnica promovida pelo IPÊ reúne 21 empresas de plantio e manutenção para alinhar práticas, compartilhar aprendizados e aprimorar ações em campo
A troca de experiências e o alinhamento de práticas têm se consolidado como estratégias fundamentais para garantir a qualidade das ações de restauração florestal do Projeto Corredores de Vida, no Pontal do Paranapanema, extremo Oeste Paulista. Assim, a equipe técnica do IPÊ realizou, em abril, encontro com os proprietários das 21 empresas de serviços florestais que atuam nas frentes de plantio e manutenção dos corredores ecológicos.
Fortalecer o diálogo entre equipe técnica da instituição e os empreendedores florestais, promover o compartilhamento de experiências e aprimorar a execução das atividades em campo, contribuindo para a padronização das práticas adotadas, são os principais destaques dessa dinâmica.
A reunião conduzida pelo coordenador de campo do IPÊ, Haroldo Borges Gomes, reforçou a pesquisa de aplicação prática como chave nesse processo para orientar as ações na ponta, no campo, seja no viveiro comunitário ou no plantio e no desenvolvimento das mudas. Entre os temas abordados estavam: preparo adequado do solo, sulcamento, controle de formigas, espaçamento das mudas nativas (2,5 metros nas entrelinhas por 1,7 m entre plantas), plantio com irrigação simultânea e monitoramento da irrigação nos primeiros dias após o plantio, etapa crucial para o pegamento das mudas.

“Esses encontros são estratégicos para alinhar expectativas e promover melhorias contínuas nas atividades de restauração florestal. A troca de experiências entre as empresas é fundamental para avançarmos com mais qualidade e eficiência”, destaca Haroldo.
Segurança no trabalho
Outro tema de destaque do encontro foi a segurança no trabalho. O técnico da empresa Vital Safe, Matheus Pessoa, responsável pelo acompanhamento na área, reforçou a importância do uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), além da necessidade de manter as casas de vivência em boas condições, com estrutura adequada e acesso à água potável para os trabalhadores, entre outras orientações.
Aprendizado na prática
Após a etapa teórica, os participantes seguiram para visita técnica à fazenda Vó Júlia, no município de Presidente Epitácio/SP. No local, acompanharam de perto a fase de manutenção em uma área de 140 hectares, restaurada há cerca de um ano e meio pela empresa Main & Carvalho Ltda. Na fazenda, os participantes puderam observar diferentes abordagens de manejo, esclarecer dúvidas e trocar experiências sobre temas como mato competição, controle de formigas e índice de mortalidade.
“Na época do plantio enfrentamos um período de seca, então intensificamos a irrigação. Após o pegamento das mudas, iniciamos os tratos culturais para controle do mato competição, o que favoreceu o desenvolvimento das plantas. Atualmente, seguimos com a manutenção, principalmente no controle de formigas e plantas invasoras”, relatou Aguinaldo Alves de Carvalho, líder de campo da empresa Main & Carvalho.
Para Éder Henrique Leite, sócio-proprietário da RH Reflorestamento, a troca de experiências traz melhorias práticas no dia a dia no campo. “As reuniões de alinhamento são muito úteis. Sempre levamos dúvidas e, na troca de experiências, encontramos soluções. Isso amplia nosso conhecimento e fortalece nossa atuação como empreendedores florestais”, afirmou.
Ele também destacou o aprendizado obtido durante a visita técnica. “Ver uma área sem mato competição e com baixa mortalidade de mudas mostra que é possível alcançar esse nível de qualidade. Isso nos motiva a alinhar nossas práticas para chegar ao mesmo padrão”, completou.
Trabalho em rede
Ao investir na capacitação contínua e no alinhamento técnico dos empreendedores florestais, o IPÊ reafirma seu compromisso com a qualidade das ações de restauração florestal. Mais do que recuperar áreas degradadas, essas ações contribuem para construir florestas resilientes, fortalecendo a conectividade da paisagem, a conservação da biodiversidade e a geração de benefícios ambientais duradouros, com base em mais de duas décadas de pesquisas e ações práticas no território.