Iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas pretende potencializar as oportunidades para o manejo sustentável da castanha na Floresta Nacional mais antiga da Amazônia
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Moradores da Floresta Nacional de Caxiuanã, no arquipélago do Marajó, no Pará, participaram, na última semana de julho, de uma oficina sobre o diagnóstico da cadeia produtiva da castanha-da-amazônia. A iniciativa, promovida pelo projeto Castanha Caxiuanã, do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, tem o objetivo de fortalecer o diálogo local e potencializar as oportunidades para o manejo sustentável da castanha no território.
“A nossa ideia é ouvir a comunidade e entender como funciona a cadeia da castanha, já que há muito tempo este produto é manejado no território. A partir disso, vamos auxiliar nos pontos da cadeia que precisarem de atenção, seja na forma de manejo, na organização social ou na venda da castanha”, afirma Ilnaiara Sousa, pesquisadora do IPÊ.
A primeira etapa do projeto prevê o mapeamento dos castanhais e um diagnóstico participativo sobre a atividade econômica local. A ação também conta com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela gestão e monitoramento da FLONA.
Durante a oficina foram mapeados 25 castanhais na comunidade de Caxiuanã na unidade de conservação. O levantamento foi feito com base na informação dos próprios moradores, que desenharam o mapa da Flona e identificaram os pontos de coleta de castanha no território.

Além do encontro com os extrativistas, realizado na escola da comunidade Caxiuanã, o projeto também realizou visitas em dois castanhais da Flona para fazer o georreferenciamento da área (perímetro do castanhal).
Coletora de castanha há mais de 50 anos, a extrativista Maria Calixta, 63, disse que está animada com a execução do projeto e vê a iniciativa do IPÊ como uma oportunidade para valorizar a produção de castanha na localidade
“A coleta de castanha faz parte da rotina da minha família. Todos os anos nos reunimos para coletar e vender os frutos, mas devido às dificuldades que enfrentamos a cada ano, sem nenhum apoio, esse trabalho está cada vez mais desvalorizado. Como não temos uma cooperativa para fortalecer as vendas, o atravessador é que impõe o preço dele e muitas vezes acaba colocando um preço muito abaixo, que desestimula o trabalho. Por isso, acho importante ter uma oportunidade como essa, pois todos aqui passam pela mesma situação de desvalorização”, ressalta.

A expectativa de dona Calixta também é compartilhada pelo extrativista Roberto Araújo, 38. Ele conta que a falta de apoio à atividade faz com que muitos coletores sejam obrigados a vender seus produtos muito abaixo do mercado. “Acredito que esse projeto pode ser uma oportunidade para fortalecer a nossa cadeia produtiva, principalmente em relação à comercialização. Outro ponto positivo que achei é a possibilidade da gente se organizar numa cooperativa, que certamente vai incentivar os coletores da nossa comunidade”
As próximas etapas do projeto contarão com mapeamento e diagnóstico participativo em mais três comunidades da FLONA, inventários participativos dos castanhais, estimativa da produção, e elaboração do documento técnico participativo da Cadeia de Valor.

Flona de Caxiuanã
Criada em 1961, a Floresta Nacional de Caxiuanã possui uma área de 330 mil hectares. A unidade de conservação, que ocupa os territórios dos municípios de Portel e Melgaço, no arquipélago do Marajó, é a Flona mais antiga da Amazônia e possui alguns dos ecossistemas naturais mais representativos da região como floresta de terra firme, igapó e várzea. De acordo com o último levantamento do ICMBio, na unidade vivem cerca de 118 famílias distribuídas em sete comunidades.
Projeto Castanha Caxiuanã
Iniciado em dezembro de 2025, o projeto “Castanha Caxiuanã: fortalecimento da Cadeia de Valor da Castanha-da-amazônia na FLONA de Caxiuanã” tem como objetivo organizar e fortalecer o manejo florestal não madeireiro, com foco no desenvolvimento da cadeia de valor da castanha-da-amazônia na Floresta Nacional de Caxiuanã. A iniciativa, financiada pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), com o apoio do ICMBio, prevê o fomento à sociobioeconomia local, através da participação coletiva e a melhoria dos planos de manejo florestal comunitário na unidade de conservação atendida.
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Foto de capa: Sidney Oliveira/IPÊ