A meliponicultura está entre as atividades que integram a produção rural ao desenvolvimento do turismo sustentável. Com o objetivo de conhecer mais sobre a prática, 17 pessoas, entre agricultores familiares e empreendedores do turismo de base comunitária, participaram, no fim de junho (25 e 26), de oficina sobre a atividade. A formação realizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável da Puranga Conquista, a 50 km de Manaus é uma iniciativa do projeto Agroecologia em Rede, do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas.

Oficina reuniu participantes interessados na criação de abelhas sem ferrão. Foto: Dirce Quintino/IPÊ
“A oficina reforça o compromisso do Agroecologia em Rede com o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis, pois a meliponicultura é uma atividade que reúne conservação ambiental, valorização dos saberes locais e geração de trabalho e renda. Ao incentivar essa prática, fortalecemos alternativas sustentáveis que contribuem para o desenvolvimento das comunidades amazônicas”, afirmou a técnica do projeto Fernanda Freda.

Participantes aprendendo sobre transferência de colônias. Foto: Dirce Quintino/IPÊ
A oficina contou com o apoio na facilitação do presidente da Associação dos Criadores de Abelhas do Amazonas-ACAM, Sérgio Carvalho, e combinou teoria e prática, garantindo que os participantes pudessem experimentar os processos envolvidos na criação de abelhas nativas, como transferência e divisão de colônias, alimentação complementar e boas práticas de manejo. Durante a prática, os participantes tiveram contato com as espécies moça-branca (Frieseomelitta doederleini) e jupará (Melipona interrupta).
Para a presidente da Rede Tucumã, uma das associações beneficiadas pelo projeto Agroecologia em Rede, Cintia Valentim, a oficina trouxe um despertar para o desenvolvimento econômico. “Foi uma oportunidade de adquirir conhecimento sobre essa atividade, que também é sustentável e que vamos exercer daqui para frente, gerando renda para os agricultores e fortalecendo o turismo de base comunitária aqui na nossa comunidade”, afirmou.

Cuidados após divisão de colônias foram abordados durante atividade. Foto: Dirce Quintino/IPÊ
Abelhas sem ferrão na Amazônia
A Amazônia concentra a maior diversidade de abelhas sem ferrão do país são aproximadamente 200 espécies registradas, das quais mais de 100 ocorrem exclusivamente na região. Também chamadas de abelhas nativas, elas são grandes parceiras da natureza e da agricultura, pois ajudam na polinização das plantas, aumentam a produção de frutas, sementes e outros alimentos e contribuem para a conservação da floresta e para a recuperação de áreas em processo de restauração.
Cadeia produtiva
Além do mel, a criação de abelhas sem ferrão pode gerar outros produtos que também representam uma fonte de renda para os meliponicultores, como própolis, cerume, pólen e geoprópolis. Entre eles, o própolis se destaca pelo seu alto valor comercial e pela crescente procura nos mercados nacional e internacional. Conhecido por suas propriedades antimicrobianas, antioxidantes e anti-inflamatórias, ele é utilizado na fabricação de medicamentos, cosméticos e alimentos,; ampliando as oportunidades de geração de renda para os produtores.
Sobre o projeto Agroecologia em Rede
O projeto Agroecologia em Rede trabalha por meio de assessoria e capacitação, visando fortalecer as organizações locais, com a estruturação das unidades de produção, certificação orgânica e apoio à comercialização para a melhoria da qualidade de vida de agricultores familiares e a conservação da biodiversidade.
O projeto atua em nove municípios do Amazonas: Manaus, Apuí, Iranduba, Rio Preto da Eva, Careiro da Várzea, Borba, Manicoré, Urucurituba e Tefé. Com o projeto, a estimativa é impactar a conservação de 12,5 milhões de hectares de floresta, em uma Unidade de Conservação Estadual e cinco Assentamentos Rurais. O projeto Agroecologia em Rede é realizado pelo IPÊ, tem parceria com a Rede Maniva de Agroecologia – Rema e conta com financiamento do Fundo Amazônia/BNDES.