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Paula Piccin

Projeto lança livro infantil sobre tamanduá-bandeira para ajudar na conservação do animal no Cerrado do Mato Grosso do Sul

4 de abril de 2018 Por Paula Piccin

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O icônico tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é considerado vulnerável à extinção, de acordo com a Lista Vermelha das Espécies (IUCN/ União Internacional para a Conservação da Natureza). No Cerrado, essa vulnerabilidade se dá, principalmente, pela falta de habitat, devido à conversão de florestas em áreas para atividade agropecuária e devido a atropelamentos nas rodovias, especialmente as que cortam o Mato Grosso do Sul. No Estado, o tamanduá é a terceira espécie com maior incidência de atropelamentos, perdendo apenas para o cachorro-do-mato e o tatu-peba.

 Além das altas velocidades nas estradas, os atropelamentos dos tamanduás ocorrem devido a crenças populares de que o animal atrai mau agouro. “Essas crenças acabam virando motivo de perseguição com os animais. Há quem acredite, por exemplo, que, ao cruzar com um desses bichos, a sorte só volte se bater no focinho dele. Outros, em posse de veículos, acabam cometendo o atropelamento proposital.”, conta a bióloga Mariana Catapani.

Com o objetivo de desmistificar essa e outras ideias que prejudicam a vida da espécie, o projeto Bandeiras e Rodovias, do ICAS – Instituto de Conservação de Animais Silvestres em parceria com o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, produziu o livro infantil “O Incrível Tamanduá Bandeira”. A ideia é levar informação a crianças e jovens sobre a importância da espécie, sua ecologia e comportamentos, de forma a conscientizá-los sobre o respeito à vida desses bichos.

Para a criação do livro, foram utilizados os conhecimentos levantados por Bruna Oliveira, Biologa e coordenadora do Projeto Tatu Canastra Cerrado e  Mariana, que é doutoranda do programa de Ciências Ambientais da Universidade de São Paulo (USP).Elas avaliaram as crenças populares sobre a espécie a partir de mais de 500 entrevistas na região de Cerrado do Mato Grosso do Sul. “Existem diversas questões apontadas pelos entrevistados sobre não gostar da espécie, de crenças à baixa percepção estética sobre o animal. Isso é um processo psicológico e algo que passa de geração em geração. Espero que com esse livro, possamos alcançar as crianças para que elas cresçam com um olhar livre de preconceitos e desse tipo de crença que só prejudica essa espécie tão importante”, afirma Mariana.

A publicação conta também com um Manual do Professor, com atividades para serem executadas em sala de aula com os alunos, e ilustrações do biólogo Pedro Rodrigues Busana. As artes são resultados do seu mestrado profissional na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). “Os desenhos têm uma abordagem científica baseados em observações científicas e entrevistas com profissionais com a função de delinear o que precisaria ficar evidente nessa arte. Buscamos um traço mais realista, para que as crianças identifiquem os animais quando avistá-los. Ao divulgar isso para as crianças, acreditamos que possamos alcançar também os adultos, já que elas são multiplicadoras de informação para os pais”, comenta Pedro.

O lançamento durante Congresso da SZB – Sociedade Brasileira de Zoológicos, no dia 6 de Abril, em Brasília.  Ao todo, cinco mil exemplares serão distribuídos gratuitamente em escolas públicas (com prioridade para as rurais), em cidades com ocorrência de tamanduás no Mato Grosso do Sul. O pesquisador  Arnaud Desbiez, Coordenador do Projeto Bandeiras e Rodovias. acredita que o livro é uma ferramenta importante para ampliar o conhecimento sobre o trabalho de conservação. “Este Ano a Sociedade Brasileira de Zoológicos está lançando o Ano do Tamanduá, assim, vamos trabalhar com os diferentes zoológicos da SZB para poder alcançar  e distribuir o livro e o manual  nas salas de aula do país. Esse apoio dos educadores de zoológicos é fundamental para a gente poder aumentar o alcance da nossa mensagem pela proteção da espécie”, diz.

 

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“Semeando Água” tem novo blog

2 de abril de 2018 Por Paula Piccin

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O projeto “Semeando Água”, patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, lançou seu novo blog. No endereço http://semeandoagua.ipe.org.br, é possível acompanhar todas as ações do projeto, que trabalha pela conservação dos recursos hídricos no Sistema Cantareira.

 

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ESCAS/IPÊ: Confira os cursos de curta duração com inscrições abertas!

29 de março de 2018 Por Paula Piccin

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Ainda dá tempo para se inscrever nos cursos de curta duração da ESCAS!

  • Como implementar os ODS em empresas e organizações (últimas vagas)
    De 06 a 08 de Abril
  • Ecologia de Paisagem Aplicada a Diagnósticos Ambientais (últimos dias para inscrição)
    De 19 a 22 de Abril
  • Software R aplicado à Análise de Biodiversidade (1° lote com desconto)
    De 02 a 05 de Agosto

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IPÊ e ICMBio realizam plantio na Estação Ecológica Mico-Leão-Preto, em Euclides da Cunha Paulista (SP) no Pontal do Paranapanema

16 de março de 2018 Por Paula Piccin

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O IPÊ realizou o primeiro plantio de árvores nativas de 2018 no Pontal do Paranapanema. Desta vez, na Estação Ecológica (ESEC) Mico-Leão-Preto, localizada nos municípios de Teodoro Sampaio e Euclides da Cunha Paulista (SP). O evento contou com mais de 40 voluntários.

O plantio foi realizado em uma área de recuperação florestal da ESEC, uma das Unidades de Conservação mais importantes da região. No mutirão desta sexta, foram plantadas 150 árvores e, ao todo, serão plantadas  2000 nativas de várias espécies.

A ESEC, de 6.680,6200 hectares, junto com o Parque Estadual Morro do Diabo, de 33.845,33 hectares, formam o maior pedaço de Mata Atlântica de interior que restou na região, protegendo a espécie símbolo do Estado de São Paulo, o mico-leão-preto. As duas áreas são conectadas por um grande corredor reflorestado pelo IPÊ, que tem quase 20 quilômetros de extensão.

O reflorestamento na estação ecológica é parte de um projeto sobre mudanças climáticas chamado Climate Crowd. Em 2017, o IPÊ realizou um levantamento na região, entrevistando 33 moradores e trabalhadores da área rural sobre a percepção deles a respeito do clima. Na pesquisa, os entrevistados associaram as mudanças do clima ao longo das últimas duas décadas com as mudanças percebidas na natureza como a falta de sazonalidade nas estações do ano, o desaparecimento e a mortalidade de espécies e o avanço de pragas. A partir desse diagnóstico, foram traçadas algumas estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas localmente, como o plantio de árvores.

O evento teve apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da organização internacional WWF.

 

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IPÊ está de volta com o Projeto ¨Semeando Água¨

14 de março de 2018 Por Paula Piccin
AGUA NAZARE

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*Do Blog Semeando Água

Mais uma vez o Sistema Cantareira está no centro das discussões sobre segurança hídrica e é nesse contexto que o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, reinicia, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o ¨Semeando Água¨, projeto que tem como foco a recuperação dos serviços ecossistêmicos por meio do manejo adequado das pastagens e da conservação e restauração florestal na margem de nascentes e rios.

Por meio de metodologias que envolvem extensão rural, educação ambiental e comunicação, as ações acontecerão durante dois anos, até 2019, em oitos municípios do Sistema Cantareira: Mairiporã, Nazaré Paulista, Joanopólis, Piracaia, Bragança Paulista, todos no Estado de São Paulo, e Extrema, Itapeva Camanducaia, no Estado de Minas Gerais.

A primeira edição do projeto, que aconteceu de 2013 a 2015, teve como resultado a implantação de 15 hectares com 10 modelos de baixo custo de restauração florestal, a implantação de 34,8 hectares de manejo de pastagem ecológica e também a realização de capacitações e campanhas de sensibilização para a conservação da água.

Para a segunda edição estão previstas a implantação de 20 hectares de manejo de pastagem ecológica, a restauração florestal de 10 hectares em APPs hídricas, o monitoramento físico-químico e biológico dos benefícios do manejo de pastagem ecológica, além de cursos de capacitação ambiental para educadores, asssessoria à projetos socioambientais nas escolas e novas campanhas de conscientização.

¨Além da ampliação das áreas e dos cursos, nessa nova etapa o diferencial é ganhar escala por meio de influência em políticas públicas de forma a aproveitar o contexto da exigência do CAR (Cadastro Ambiental Rural) e da legislação florestal que está começando a vigorar agora entre outras políticas públicas. Com a obrigatoriedade da adequação ambiental das propriedades esse é um momento importante que o projeto pode influenciar positivamente¨, afirma Alexandre Uezu, coordenador do projeto.

Entre as primeiras principais ações do ¨Semeando Água¨ está a participação no 8º Fórum Mundial da Água, um dos congressos ambientais mais importantes do mundo, que acontece de 18 a 23 de março de 2018, em Brasília.

 

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Workshop identifica plantas de UCs da Amazônia

14 de março de 2018 Por Paula Piccin

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*Do site ICMBio

O herbário RB, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), recebeu, de 19 a 25 de fevereiro, um workshop de identificação de amostras de plantas coletadas na Amazônia. A identificação é uma das etapas do protocolo avançado de plantas do Programa Monitora – Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade, realizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em suas Unidades de Conservação (UCs) com o intuito de aprimorar a gestão dessas áreas e conhecer sua efetividade na conservação da biodiversidade brasileira. A iniciativa conta com o apoio do programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, que tem o Funbio como parceiro e gestor financeiro, e com forte e fundamental envolvimento das equipes das unidades gestoras das unidades de conservação.

Durante os sete dias do workshop, um grupo de 23 profissionais, formado por taxonomistas do JBRJ, alunos de mestrado e doutorado da Escola Nacional de Botânica Tropical (ENBT/JBRJ), bolsistas do projeto e pesquisadores e técnicos do New York Botanical Garden (NYBG), trabalhou na identificação das amostras arbóreas coletadas em 11 UCs da Amazônia.

O projeto de monitoramento começou bem antes, com a instalação de 30 parcelas permanentes distribuídas pelas UCs de norte a sul e de leste a oeste da Amazônia brasileira. Em seguida, duas equipes lideradas pelo pesquisador Douglas Daly, do NYBG, e sob a coordenação de campo do pesquisador Flávio Obermüller, passaram seis meses coletando amostras nessas parcelas e seus arredores. Ao todo, as expedições foram a sete estados – Acre, Pará, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Maranhão. O herbário do JBRJ, parceiro na iniciativa, é o responsável pelo recebimento das amostras, que passam a fazer parte de seu acervo. As duplicatas serão enviadas para o NYBG e para herbários próximos das UCs onde foram feitas as coletas. Esta fase do trabalho contou com recursos do Arpa e também da Fundação Moore, por meio do Projeto de Monitoramento Participativo, coordenado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ).

Daly realiza pesquisas na Amazônia desde o início da década de 1980. Ele explica que o NYBG foi convidado a participar do programa por contar com pessoal treinado para realizar o levantamento necessário: “Os levantamentos florestais executados recentemente através do Inventário Florestal Nacional e do ICMBio estão estabelecendo uma linha de base para o monitoramento, mas deve-se considerar quais informações vão compô-la e como serão levantadas. Aí entra a participação social, que constitui o princípio fundamental da nossa iniciativa, e que, além de prática, é apropriada em vista de quem é mais afetado por mudanças nas florestas. Naquela imensidão amazônica, precisamos das comunidades florestais para cumprir esse compromisso tão desafiante, de gente in situ capacitada para utilizar e melhorar as ferramentas e técnicas para detectar e avaliar mudanças. É viável, com investimentos adequados – e modestos, considerando a escala da tarefa”. Nesse sentido, o pesquisador ressalta o papel dos mateiros ou assistentes de campo: “São eles que sabem quais são as plantas e onde elas estão. Percebemos que era preciso formar novas gerações de mateiros nas localidades, e demos início a um trabalho de capacitação. Por isso estamos aqui”.

Já a etapa de identificação possibilitou não apenas saber quais espécies estão presentes nessas parcelas, mas também a estrutura das comunidades de plantas que elas abrigam. Entre os achados mais interessantes até agora, por exemplo, estão duas amostras de Siparuna ficoides, planta que era conhecida somente por quatro coletas, sendo duas delas do mesmo indivíduo. Com esses e outros dados provenientes do monitoramento, os gestores podem acompanhar de que maneira as espécies estão respondendo às ameaças e fatores de pressão sobre elas – como as mudanças climáticas e a presença de espécies invasoras, possibilitando um melhor planejamento do manejo, conservação e uso sustentável da flora nativa.

Maior bioma em área, abrangendo 49,29% do território brasileiro, a Amazônia ainda apresenta muitas incógnitas no que se refere à diversidade de sua flora (vide artigo publicado em jbrj.gov.br/node/838). No levantamento realizado pelo grupo da Flora do Brasil 2020 (floradobrasil.jbrj.gov.br), o bioma aparece como segundo mais rico do país em número de espécies, atrás da Floresta Atlântica, que ocupa apenas 13,04% do território nacional. Porém, os cientistas sabem que há uma lacuna no número de espécies amazônicas registradas nos estudos. E esse problema se deve, em grande parte, à escassez de coletas na Região Norte.

Segundo a curadora do herbário RB, Rafaela Forzza, que participou de duas destas expedições, embora as parcelas forneçam uma amostragem mínima diante das áreas gigantescas em que estão inseridas, o trabalho realizado é um passo inicial para gerar listas de espécies para as UCs abrangidas pelo projeto. “Foram coletadas muitas amostras complementares especialmente no Parna Juruena (MT/PA) e no Parna Tumucumaque (AP)”, destacou.

Texto e fotos: Claudia Rabelo Lopes (Ascom/JBRJ)

Comunicação ICMBio

 

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Latin America is squandering its most valuable resource. Here’s what we need to do

13 de março de 2018 Por Paula Piccin

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*From World Economic Forum on Latin America website

Suzana Padua
Claudio Valladares Padua

One of the greatest riches of Latin American countries is their biodiversity. Nevertheless, it rarely contributes to the economic development of the nations that make up the region. 

In Brazil, according to official statistics, not one of the 10 main exports in 2016 had its origin in the country’s biodiversity. Instead, the emphasis has been on products that require transformation or even, and this is the worst scenario, the destruction of biodiversity itself. The result is of low cost products with little added value, such as monocultures, extensive cattle raising, and mining.

While we insist on this economic formula, the world marches on towards the Fourth Industrial Revolution, with its incredible developments in genetics and biology. Despite holding outstanding genetic materials, our countries are losing momentum and failing to capitalise on our natural riches. This is down to a lack of understanding that there is a need beyond saving those materials, which is not even being done effectively. We must use our biodiversity innovatively and sustainably. What is even better, we can do so by conserving our biodiversity and maintaining our ecosystems.

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A América Latina está desperdiçando seu recurso mais valioso. O que precisamos fazer

28 de junho de 202313 de março de 2018 Por Paula Piccin

*Artigo de Suzana e Claudio Padua (Fundadores do IPÊ)
Texto original do Blog do Forum Econômico Mundial Latino Americano

Uma das maiores riquezas dos países latino-americanos é a sua biodiversidade. No entanto, raramente contribui para o desenvolvimento econômico das nações que compõem a região. No Brasil, de acordo com as estatísticas oficiais, nenhuma das 10 principais exportações em 2016 teve sua origem na biodiversidade do país. Em vez disso, a ênfase tem sido em produtos que exigem transformação ou mesmo, e este é o pior cenário, a destruição da própria biodiversidade. O resultado disso são produtos de baixo custo com pouco valor agregado, como monoculturas, pecuária extensiva e mineração.

Enquanto insistimos nesta fórmula econômica, o mundo avança em direção à Quarta Revolução Industrial, com seus incríveis desenvolvimentos em genética e biologia. Apesar de terem materiais genéticos excepcionais, nossos países estão perdendo força e não conseguindo capitalizar nossas riquezas naturais. Isso é uma falta de compreensão de que há uma necessidade de salvar esses materiais, o que nem sequer é feito de forma eficaz. Devemos usar nossa biodiversidade de forma inovadora e sustentável. O que é ainda melhor, podemos fazer isso conservando nossa biodiversidade e mantendo nossos ecossistemas.

Para fazê-lo, no entanto, devemos avançar urgentemente na economia do conhecimento da Quarta Revolução Industrial. Podemos pensar que isso não é possível em nossos países, mas, pelo menos no Brasil, houve exemplos que mostram que, quando há vontade política e planejamento adequado, os resultados são positivos. Este é o caso da agricultura e da pecuária, que foram modernizadas após a criação da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Outro exemplo é a EMBRAER (Empresa Brasileira de Aeronáutica), que contrata a maioria de seus profissionais do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), uma notável escola de engenharia que manteve altos padrões internacionais desde a sua fundação. Existem outros bons exemplos entre os produtores de papel e celulose, como a Fibria e outros que se associaram às melhores universidades brasileiras, resultando em avanços exemplares que são respeitados em todo o mundo.

Exemplos sobre o que não devemos fazer são abundantes, como manter o modelo atual de desenvolvimento, que só irá intensificar as perdas sociais e naturais. Não adianta construir centros de pesquisa se não houver profissionais ou investimentos de alto nível para alavancar a qualidade de um determinado campo. Alguns centros têm laboratórios caros, mas não possuem a equipe de profissionais capaz de conceber novas ideias que favoreçam o uso da biodiversidade que podem resultar em ganhos sociais, econômicos e ambientais.

Houve uma falta geral de apoio para a implementação de modelos econômicos ousados ​​que permitiriam que esses países explorassem os setores econômicos mais dinâmicos, como aqueles que dependem do uso intensivo do conhecimento – biotecnologia, informática e comunicações. Esses setores poderiam acelerar o crescimento e reduzir a exploração dos recursos naturais. Parece evidente que, para se desenvolver no mundo de hoje, a sociedade precisa ser rica em conhecimento. Isso, por sua vez, requer investimento em capital humano e importação e posterior exportação de produtos que dependem do conhecimento e não apenas dos recursos naturais. A implicação para uma política de desenvolvimento para um futuro mais equilibrado e próspero é adotar mecanismos políticos que abandonem o uso intensivo dos recursos naturais; e combinar educação e pesquisa de novas maneiras que permitem ganhos econômicos através de uma nova visão que respeite a natureza e evite a sobreexploração da biodiversidade.

O acesso aos recursos genéticos deve, naturalmente, ser regulado para proteger o meio ambiente e assegurar a justiça social, e esses objetivos exigem muito mais do que apenas leis ou tratados. Eles exigem uma mudança de paradigma que inclua um contrato social que reflete o planejamento consultivo com metas e objetivos claros que podem ser implementados de forma contínua e em longo prazo, em todos os setores da sociedade. Aumentar a capacidade científica dos países em desenvolvimento e educar os profissionais que podem mudar seus países para o desenvolvimento baseado no conhecimento parece mais importante do que proteger partes de terra como reservas, ou mesmo transformar áreas naturais em monoculturas agrícolas, como tem sido a tendência atual.

A cooperação interinstitucional ou mesmo continental pode certamente contribuir para o conhecimento necessário para determinar como a biodiversidade pode se tornar uma fonte de riqueza para um país, em vez de ser vista como algo a ser destruído. Somente com esse conhecimento, nossos países podem se tornar exportadores de recursos naturais de forma a não mais promover a extinção de espécies e a destruição da biodiversidade. Um uso sólido e racional baseado no conhecimento da biodiversidade pode levar à justiça social e um relacionamento respeitoso com a natureza, o que, por sua vez, pode aumentar sua proteção para as gerações atuais e futuras. Isto, em nossa opinião, parece um desafio apropriado para a América Latina no início do século XXI.

 

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Monitoramento e Cadeia de Valor da Castanha foram temas de debate

6 de março de 2018 Por Paula Piccin

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A Oficina Integrada de Monitoramento e Cadeia de Valor da Castanha do Brasil recebeu representantes comunitários, gestores, pesquisadores e instituições para debaterem as ações voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva de castanha do Brasil. O evento foi organizado na Embrapa Rondônia, em Porto Velho, e discutiu a experiência implementada na Reserva Extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema. A ideia é replicar o modelo de monitoramento para as Resex Rio Ouro Preto, Rio Cautário e Lago Cuniã, que também trabalham com a castanha. O encontro é uma iniciativa do projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade, realizado pelo IPÊ, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Ali, foram debatidas informações atuais sobre ecologia da castanha e suas variações geográficas e temporais, os resultados preliminares do monitoramento participativo do produto na Resex Cazumbá-Iracema, bem como dados de pesquisa, produção e monitoramento de algumas cadeias de valor sustentáveis. A partir dessas informações, foram encontrados pontos em comum bem como os principais desafios que envolvem a produção sustentável de castanha do Brasil na região.

Foram priorizadas discussões acerca da produtividade e do monitoramento dos castanhais, o nível de envolvimento social e aspectos voltados ao acesso a mercados e comercialização da produção. “É muito importante que produtos resultantes do extrativismo sejam objetos de monitoramento, só dessa forma será possível uma melhor análise sobre a sustentabilidade no uso dos recursos pelas populações tradicionais que habitam as Unidades federais, além de permitir estimarmos, com maior segurança, os quantitativos extraídos, bem como e, caso necessário, implementarmos adequações nas práticas produtivas adotadas em nossas Resex”, afirmou o analista ambiental e representante da Coordenação de Produção Sustentável (COPROD) Robson Silva.

“Na oficina pudemos construir um entendimento coletivo sobre os pontos chave da cadeia da castanha, visando sua sustentabilidade, com vinculação das questões relacionadas à comercialização, ao fortalecimento do manejo de base comunitária, assim como à ecologia da castanheira e ecossistema em que se insere. Esses são insumos muito importantes para consolidar a estratégia de monitoramento, criando também um elo mais forte entre a biodiversidade e a comercialização, pensando inclusive no subsídio a instrumentos como a certificação”, ressaltou a coordenadora Geral de Pesquisa e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio, Katia Torres Ribeiro.

Os próximos passos são a apresentação da proposta de monitoramento nas UCs, junto aos conselhos e comunidades. Depois da aprovação, será feita a adequação dos protocolos de monitoramento já para implementação na próxima safra. “Espera-se também a boa gestão dos dados, aportando informações qualificadas sobre a produção de castanha nessas reservas extrativistas, apoiando a implementação de políticas públicas”, destaca Katia.

A Oficina foi organizada pela Coordenação de Monitoramento da Biodiversidade (COMOB) e pela Coordenação de Produção e Uso Sustentável (COPROD) do ICMBio, ARPA, USAID, Embrapa, Fundação Moore e IPÊ. A ação faz parte do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade, coordenado pelo ICMBio.

Com informações do ICMBio.

 

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Baixe o calendário do Voluntariado das Unidades de Conservação do Brasil

5 de março de 2018 Por Paula Piccin

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O Programa de Voluntariado do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), que conta com apoio do IPÊ para seu fortalecimento, disponibilizou um calendário virtual de 2018 para ser baixado no SITE. O calendário foi todo produzido com as fotos dos ganhadores do 1° Concurso de Fotografia do Programa de Voluntariado lançado no ano passado, através de um edital. O Instituto tem mais de 2 mil voluntários atuando em mais de 150 unidades de conservação no país.

O programa é uma oportunidade para que as pessoas possam contribuir para um meio ambiente equilibrado e uma melhor da qualidade de vida para todos, exercitando, assim, a cidadania. A população pode atuar, juntamente com as equipes do Instituto, em diversas ações de conservação da natureza como pesquisa, visitação, comunicação, educação ambiental e proteção, entre outras previstas na Instrução Normativa nº 03/2016.

Desde o início do programa, em 2009, o ICMBio contabiliza mais de 150 unidades organizacionais com o voluntariado formalizado. O programa está em processo de expansão em todo país, ampliando a rede de proteção das unidades de conservação, patrimônio que é de todos os brasileiros.

Com informações do ICMBio

 

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