A principal entrega prevista pela Fábrica de Inovações em Sociobioeconomia (FIS), do IPÊ, para a cadeia do cacau em parceria com a Na’kau e Instituto Piagaçu é a construção de uma balsa coletora e beneficiadora de cacau, uma solução com potencial de responder aos desafios logísticos enfrentados pelos produtores amazônicos e ampliar a agregação de valor.
Nesse primeiro ciclo, a Fábrica é uma iniciativa do IPÊ em parceria com o Fundo LIRA – Legado Integrado Amazônico, do IPÊ, com apoio de financiadores como a Fundação Gordon and Betty Moore.
Por dentro da expedição
No município de Borba/AM, localizado na calha do Rio Madeira, o Comitê implementou a operação piloto de um laboratório de beneficiamento embarcado. Os participantes realizaram a compra e a quebra dos frutos, além da condução de diferentes experimentos de beneficiamento, testando distintos protocolos de fermentação, a partir do momento zero da abertura dos frutos.
Os experimentos foram transferidos para o polo produtivo da Na’kau, em parceria com o produtor Joel de Oliveira Moreira, onde seguem em monitoramento, incluindo análises físicas, químicas e sensoriais. Essa etapa tem o acompanhamento de pesquisadores e agentes locais de conhecimento vinculados às comunidades, com suporte técnico dos especialistas.

Como etapa final, os lotes experimentais serão transformados em chocolates bean-to-bar – conceito de chocolate artesanal quando o próprio fabricante controla toda a cadeia de produção – permitindo avaliar como cada protocolo de fermentação influencia as características sensoriais do produto final. Ao todo, a expedição realizou 17 experimentos relacionados ao cacau que serão avaliados por especialistas.
“Mais do que atividades de diagnóstico, as expedições funcionam como espaços de aprendizagem, intercâmbio e construção coletiva de conhecimento. Por meio de visitas técnicas, escuta dos produtores, observação dos sistemas produtivos, experimentos reunindo ciência e saberes ancestrais, oficinas colaborativas e reuniões com atores estratégicos locais, a FIS mobiliza diferentes formas de conhecimento para compreender os desafios em profundidade e construir soluções mais efetivas”, afirma Floriana Breyer, co-líder da Frente de Bioeconomia do IPÊ e coordenadora da FIS.

Confira os depoimentos dos participantes
“A ideia da balsa abriu espaço para pensar muito além do transporte. Ela nos fez enxergar novas possibilidades para aproveitar todo o potencial do cacau”, Luiz Matheus Barreto Farias, Instituto Piagaçu.
“O nosso sonho é construir uma balsa grande pra comprar o cacau dos produtores ribeirinhos, fermentar, secar e ajudar a levar mais valor pra quem produz aqui no Rio Madeira”, Joel de Oliveira Moreira, produtor de cacau e líder de um dos principais polos produtivos da Na’kau na calha do Rio Madeira.
“Essa expedição foi uma experiência muito grande para gente. Ver esse pessoal todo trabalhando junto com a gente, estudando o nosso cacau e pensando em soluções dá mais vontade ainda de continuar sonhando alto”, Joel de Oliveira Moreira, produtor de cacau e líder de um dos principais polos produtivos da Na’kau na calha do Rio Madeira.
Próximos passos
A expectativa é a de que os resultados terão o potencial de contribuir tanto para o desenvolvimento da balsa quanto para a criação de protocolos capazes de ampliar a qualidade e o valor agregado do cacau produzido nos territórios.