Soluções tecnológicas para apoiar o manejo das abelhas e os processos de extração do mel de abelhas nativas, em parceria com Amazônia BEE, priorizando o aproveitamento dos produtos das colônias, esse é o principal desafio que a Fábrica de Inovações em Sociobioeconomia (FIS), do IPÊ, tem como objetivo apoiar.
“As expedições representam um momento estratégico da jornada de co-inovação. É durante as visitas de campo que os Comitês de Inovação são confrontados com a realidade dos territórios, permitindo validar desafios, identificar gargalos, mapear oportunidades e refinar hipóteses e caminhos para os protótipos que serão desenvolvidos e testados nas etapas seguintes do programa”, explica Floriana Breyer, co-líder da Frente de Bioeconomia do IPÊ e coordenadora da FIS.
“Atualmente, a maior parte da produção está concentrada na coleta do mel, enquanto outros produtos de alto potencial, como o saburá (pólen das abelhas sem ferrão) e o cerume, ainda são pouco aproveitados comercialmente”, relata Sidney Carvalho, sócio-fundador da Amazônia Bee.

Por dentro da expedição
Durante a visita do Comitê realizada no distrito de Cametá do Ramos/AM, meliponicultores, técnicos e especialistas trabalharam na identificação das tecnologias mais adequadas para monitoramento das colônias e nos processos de coleta e beneficiamento dos produtos; considerando tanto a saúde e o bem-estar das abelhas, quanto a segurança e a qualidade de vida dos meliponicultores e meliponicultoras que têm se destacado como criadoras dentro da Associação Jupará.
Entre os protótipos em desenvolvimento estão:
– sistemas de monitoramento das colônias
– ferramentas digitais de acompanhamento produtivo
– tecnologias e infraestrutura para os processos de coleta
– sistematização dos novos processos em protocolos de manejo e cartilhas educativas
– melhorias nos sistemas de refrigeração para transporte dos lotes
– soluções voltadas à valorização dos produtos da meliponicultura e ao desenvolvimento de novos produtos derivados das abelhas sem ferrão.
Confira os depoimentos dos participantes

“Pra nós é uma alegria muito grande receber esse pessoal aqui. Eu nunca imaginei poder fazer parte de um trabalho desse tamanho, aprendendo junto com tanta gente”, Jatir Silva pioneiro na criação de abelhas nativas sem ferrão em Cametá do Ramos.
“Hoje eu fico feliz de ver que os meus filhos já sonham em seguir esse caminho. Esse projeto traz esperança para quem vive aqui e quer continuar cuidando da floresta”, Jatir Silva pioneiro na criação de abelhas nativas sem ferrão em Cametá do Ramos.
“As abelhas fazem muito mais do que produzir mel. Sem os polinizadores a floresta perde a força e cuidar delas também é cuidar da Amazônia”, Jatir Silva pioneiro na criação de abelhas nativas sem ferrão em Cametá do Ramos.
Próximos passos
Com a conclusão desta etapa de campo, a FIS avança para a fase de implementação dos protótipos nos territórios e nos laboratórios de análise conduzidos pelos Comitês de Inovação. Os próximos meses serão dedicados à instalação de equipamentos, realização e acompanhamento dos experimentos, monitoramento dos pilotos, produção de conhecimento aplicado e fortalecimento das capacidades locais para acompanhar e aprimorar as soluções desenvolvidas.