Fintech busca contribuir com a redução das desigualdades com financiamento a empreendedores das periferias

Mais de R$ 1 milhão em microcrédito para 363 empreendedores das periferias, desde 2017. Esse é um dos resultados obtidos pela Firgun, plataforma de investimentos coletivos para microempreendedores das periferias, junto com parceiros. “Qualitativamente a gente vê a importância do crédito para a sobrevivência desses negócios e principalmente para alimentação, uma necessidade básica dessas pessoas. Esses empreendedores conseguiram se manter, aumentar o negócio e inclusive contratar alguns profissionais”, destaca Fabio Takara, idealizador e fundador da Firgun, egresso do MBA em Gestão de Negócios Socioambientais da ESCAS.

Neste ano, o negócio social de Fábio financiará ao menos mais R$ 820 mil para microempreendedores das periferias, junto com dois fundos parceiros e os planos não param por aqui. “Já estamos presentes via parcerias em todas as regiões do país e nosso próximo objetivo é estarmos também nos 26 estados e no Distrito Federal”, revela Takara. E o melhor, você também pode contribuir a partir de investimento de R$ 25,00.

Quando Fábio conheceu a ESCAS, a Firgun tinha pouco mais de um ano. “Nesse período eu estava em busca de orientação, soube que o ICE – Instituto de Cidadania Empresarial estava fomentando o setor de negócios sociais e lá conheci uma egressa da ESCAS, a gerente executiva Fernanda Bombardi. Ela me disse que eu estava bem estruturado, começando a crescer e ela acreditava que o MBA da ESCAS poderia me ajudar na construção da Firgun. Minha expectativa era simplesmente ter aulas, obter mais conhecimento, mas as aulas foram surpreendentes, de fato, práticas. Os professores são profissionais de peso com visão de mercado, eles compartilharam tanto os desafios quanto os aprendizados; o que agregou muito e me ajudou a tomar melhores decisões na Firgun”. 

Fábio também destaca a diversidade de perfis dos colegas e a realidade que acredita teria encontrado em um MBA de uma instituição tradicional na área de educação. “No MBA da ESCAS tive contato com colegas de diferentes formações e áreas de atuação, incluindo Amazonas, no Rio Grande do Sul, no Mato Grosso, por exemplo, pessoas que estão na ponta e trouxeram essa experiência para a aula. Se eu estivesse em um MBA na cidade de São Paulo eu estaria preso dentro de uma bolha, conversando com diretores, gerentes de empresas, todos com a mesma realidade. Entre os professores da ESCAS a diversidade também está presente, por conta disso tudo acredito que conseguimos construir algo inovador. As conexões, sem dúvida, estão entre os pontos altos do MBA”. 

Negócio social

Imagem plataforma FirgunConexões são também o ponto-chave da Firgun. A fintech conecta microempreendedores das periferias em busca de capital com investidores sociais. No site da Firgun, é possível conferir uma galeria com cerca de 80 projetos concluídos. Além daqueles em andamento, abertos a receber investidores. Para fazer parte dessa rede de investidores é preciso apenas realizar um breve cadastro no site. Com o login é possível acessar as histórias dos microempreendedores e conhecer, inclusive, com qual finalidade o recurso será utilizado. 

Na própria galeria do site da Firgun, o investidor escolhe qual microempreendedor financiará a partir de R$ 25,00. “Em média, os projetos conseguem obter o financiamento em até duas, três semanas. O valor médio da maioria dos financiamentos é de R$ 8.500,00, com média de 40 investidores. O teto do financiamento é de R$ 21.000,00. Em 2021, a expectativa é chegarmos aos 120 projetos financiados via plataforma Firgun”.

Sobre o valor, ainda que os microempreendedores sinalizem quanto estão buscando, a equipe da Firgun realiza um estudo para chegar a um valor real. “Realizamos um cálculo para entender qual é o fluxo de caixa dessa pessoa e a partir disso identificamos a capacidade de pagamento mensal, muito baseado no faturamento e de forma que a gente consiga ofertar um crédito que ele possa pagar, sem atrasar outras contas ou deixar de comprar algo para dentro de casa. Em média o pagamento é realizado em 17 meses, sendo o prazo máximo de 36 meses. A taxa de inadimplência é de 7% e com renegociação chega a 3%”, explica Fábio.

Crédito e Investimento 

Desde 2017 no mercado, Fábio destaca a presença de dois perfis de investidores sociais. “Identificamos a presença de pessoas da geração millenium buscando diversificar o investimento e um público mais sênior financeiramente mais estabilizado”. Os investidores recebem atualizações sobre o impacto gerado pelo empréstimo, o investimento de volta e os rendimentos. A única exceção fica para os financiamentos inferiores a R$ 3.000,00 em que não há juros para o empreender e nem rendimento para o investidor. “Subsidiamos esse crédito junto com o investidor para permitir que o microempreendedor consiga crescer, quando isso acontecer ele terá maior faturamento e maior capacidade de pagar juros. Financiamentos entre R$ 3 mil e R$ 9 mil possuem juros 0,5% ao mês, já para valores acima de R$ 9 mil, os juros ficam em 1% ao mês”.

Contexto da pandemia

Além dos financiamentos realizados no próprio site, a Firgun também é parceira de três fundos em resposta aos impactos socioeconômicos nas periferias diante da pandemia de Covid-19. “Nas três iniciativas, a Firgun realiza análise de crédito e a gestão de cada fundo. Tempo de empreender é um projeto realizado pela Firgun com a Fundação FEAC, com foco em empreendedores periféricos de Campinas (SP). Já o Ser+Empreendedor é um projeto junto com o Instituto InterCement voltado a empreendedores das cidades onde a InterCement possui plantas fabris. A terceira iniciativa é o Fundo Periferia Empreendedora, da Empreende Aí que também está na realização ao lado da Impact Hub e da Firgun”, revela Fábio.  

Em 2020, o crescimento do número de microempreendedores que recebeu financiamento pela Firgun (incluindo os financiamentos por meio dos fundos) foi de mais de 700% em relação a 2019. “Em 2020, tivemos aumento da disponibilidade de capital para trabalhar. A gente sempre teve uma demanda muito grande de crédito. Com a criação do Fundo Periferia Empreendedora tivemos ao lado dos parceiros R$ 500 mil para trabalhar e conseguimos atender um número maior de pessoas. Ainda assim, mais da metade das pessoas que solicitaram o crédito estão em fila de espera porque falta capital. O que a gente vê é que ainda faltam investidores dispostos a colocar recursos em microempreendedores. O Brasil não é um país em que as pessoas estão acostumadas a investir. O desafio é aumentar a base de investidores”, destaca Fábio.