Egressa da ESCAS conta sobre a mudança de área dentro da conservação e sinaliza para novas perspectivas

Para a bióloga Raphaela Cantarino Ribeiro, o mestrado representou uma oportunidade de iniciar pesquisa na área que ela tanto buscava ingressar: a restauração florestal, mas também a levou a descobrir novas possibilidades na esfera pessoal. “Quando eu vi o Mestrado Profissional da ESCAS com inscrições abertas e com a possibilidade de uma bolsa na área de restauração florestal, apliquei em busca de novos caminhos. Até então eu trabalhava em um projeto de conservação do ouriço do mar, gostei de trabalhar nessa área, mas não era o que eu queria seguir”, explica.

Segundo a egressa, desde o início o Mestrado foi uma surpresa positiva. “Eu não imaginava que encontraria pessoas de áreas tão distintas como colegas, havia artista plástico, advogado, pessoas que trabalham com pecuária, com corte de eucalipto; foi muito enriquecedora essa troca de experiências, de conhecimentos”. 

As disciplinas também surpreenderam Raphaela. “O curso ofereceu disciplinas que eu também não esperava, uma delas foi sobre como lidar com os diferentes perfis de pessoas, algo de extrema importância. Além de várias disciplinas de campo, o que foi ótimo”. 

Nesse período, Raphaela começou a trabalhar na gestão de um projeto temático relacionado às mudanças climáticas com quatro laboratórios da USP – Universidade de São Paulo e da UNESP – Universidade Estadual Paulista. “Era um projeto temático de conservação na área de biologia, mas não de restauração. Eu fazia a gestão do projeto, controle, campo, organização do material e a parte econômica. Depois de concluir o mestrado fiquei mais um tempo na USP e os caminhos da vida foram me trazendo para uma vida no campo”. 

Raphaela conta que essa vontade sempre existiu, mas que a partir desse momento houve de fato essa possibilidade. “Pude começar a viver no campo, no sítio tirando o sustento da propriedade, temos um planejamento para torná-la autossustentável. Em um ano no sítio Alto da Pedra, localizado em Cajuru (SP), já conseguimos implementar: aquecimento solar da água, aproveitamento máximo da luz solar nos ambientes com uso de telhas transparentes estrategicamente instaladas, utilização do esterco de galinhas, porcos e vacas para adubação, plantio de alimentos orgânicos (no momento para consumo), plantio de milho e capim para alimentar os animais com alimento seguro. Já estabelecemos piquetes rotacionados para evitar a compactação do solo, exaustão da vegetação e o controle da população de carrapatos. Temos um reservatório para captação de água que usaremos para irrigação esse ano. Futuramente queremos implementar o sistema do biodigestor para transformar o esterco em energia e gás. Pretendemos plantar outras culturas também, como feijão, mandioca, entre outros).  Fiz trabalhos paralelos de restauração florestal. Atualmente, penso em estruturar mais o sítio para trabalhar com atividades de educação ambiental”.