Crédito da foto principal: Acervo IREO – Pedro Rafael Pojo
A conservação da Floresta Amazônica só é possível com o fortalecimento de indígenas e de comunidades tradicionais. Afinal, são eles os povos da floresta os guardiões dessa que abriga a maior biodiversidade do planeta. O IPÊ desde 2000 atua na região com projetos desenvolvidos a partir do interesse e/ou do trabalho já realizado pelos povos da floresta. As formações e trocas de saberes voltadas para a aplicação no dia-a-dia estão entre as atividades comuns à maioria dos projetos. Nelas, os conhecimentos científicos e tradicionais se transformam em aliados, o que favorece quem vive da floresta e também os pesquisadores. Na prática, esse conhecimento compartilhado contribui com a conservação da biodiversidade, o desenvolvimento de negócios sustentáveis e o aumento da resiliência diante das pressões externas, como o desmatamento, por exemplo, e das mudanças climáticas.
Confira cada iniciativa em andamento:
LIRA – Legado Integrado da Região Amazônica
O Fundo LIRA é um mecanismo que combina financiamento de projetos com ações estruturantes voltadas ao desenvolvimento territorial. O modelo conecta organizações comunitárias, pesquisadores, gestores públicos, empresas e redes da sociedade civil para implementar soluções de conservação em escala. A iniciativa se estrutura a partir de: financiamento com desenvolvimento institucional; atuação em escala territorial, não apenas por projeto; integração entre conhecimento científico e saberes locais; estruturação de cadeias produtivas da sociobioeconomia; acompanhamento contínuo e monitoramento dos resultados.
A estrutura do Fundo revela um arranjo que combina recursos públicos e privados, incluindo o Fundo Amazônia/BNDES e a Gordon and Betty Moore Foundation, e o IPÊ como implementador. Desde 2019, são R$ 50 milhões investidos, 93 projetos apoiados, 91 áreas protegidas alcançadas, 45.175 pessoas beneficiadas e 27 cadeias de valor apoiadas. As iniciativas também contribuíram para evitar o desmatamento de 1,6 milhão de hectares e a emissão de 298 milhões de toneladas de carbono.
Com isso, promovemos a transformação de áreas protegidas em polos de conservação e justiça climática, mantendo florestas, águas e o bem viver de povos e comunidades tradicionais. Na semana do Dia da Amazônia, o LIRA lança plataforma de transparência dos resultados, que possibilita saber onde os recursos chegam e o que ajudam a transformar.

Crédito: Acerco AMS
Navegando Educação Empreendedora
Empreendedores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, no Amazonas, contam com o projeto Navegando Educação Empreendedora na Amazônia para estruturar negócios que contribuem com a floresta em pé. O trabalho do instituto, com apoio do LinkedIn desde 2021, já alcançou 25 empreendedores locais, que já têm desenhados seus planos de negócio, para impulsionar suas iniciativas.
Em 2026, o projeto chega ao segundo ciclo, atualmente com 12 empreendedores beneficiados, de quatro comunidades, da RDS, a cerca de 65 km via barco de Manaus/AM. Por meio de viagens, oficinas e mentorias de profissionais voluntários, a equipe do projeto e os mentores realizam o diagnóstico das necessidades reais, com o objetivo de fortalecer as capacidades locais e apoiam negócios comprometidos com a conservação da floresta e o desenvolvimento justo e sustentável no território.

Crédito: Juliana Nascimento
Castanha Caxiuanã: fortalecimento da Cadeia de Valor da Castanha-da-amazônia na FLONA de Caxiuanã
Iniciado em dezembro de 2025, o projeto tem como objetivo organizar e fortalecer o manejo florestal não madeireiro, com foco no desenvolvimento da cadeia de valor da castanha-da-amazônia na Floresta Nacional de Caxiuanã. A iniciativa, financiada pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), com o apoio do ICMBio, prevê o fomento à sociobioeconomia local, por meio da participação coletiva e da melhoria dos planos de manejo florestal comunitário na unidade de conservação atendida.

Crédito: Sidney Oliveira/IPÊ
Imersões
O projeto promove vivência, educação e intercâmbio de conhecimento regional, nacional e internacional nas iniciativas desenvolvidas pelo IPÊ no Baixo Rio Negro (AM). A bordo do Maíra I, estudantes e profissionais de organizações, universidades e empresas visitam as áreas onde desenvolvemos os projetos, para que conheçam mais profundamente essa parte do território amazônico e as soluções implementadas. A visitação é feita de forma responsável e sustentável.

Foto: Rafael Estrela/IPÊ
Reflora – Recuperação Ecológica e Implantação de Sistemas Agroflorestais Multifuncionais
O projeto desde 2024 atua em cinco comunidades entre indígenas e ribeirinhas que vivem na RDS Puranga Conquista, localizada na região do Baixo Rio Negro. As ações valorizam a floresta em pé, contribuem com a segurança alimentar dessas comunidades, diversificam as fontes da renda familiar e auxiliam na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. O projeto é uma iniciativa do Floresta Viva Amazonas, do Funbio – Fundo Brasileiro para a Biodiversidade.

Crédito: Juliana Nascimento
Agroecologia em Rede
O projeto é baseado no fortalecimento da agroecologia e da produção orgânica no Amazonas, por meio de assessoria técnica, formação de produtores rurais, fortalecimento das organizações locais, estruturação das unidades de produção, fomento à certificação orgânica participativa e apoio à comercialização de produtos, como frutas, hortaliças, mel e ao turismo de base comunitária. A proposta é melhorar a qualidade de vida de agricultores familiares, ribeirinhos, extrativistas, indígenas e assentados de reforma agrária. As atividades beneficiam sete associações locais e envolvem 192 propriedades rurais e 891 famílias dos municípios de Manaus, Apuí, Iranduba, Rio Preto da Eva, Careiro da Várzea, Borba, Manicoré, Urucurituba e Tefé.

Crédito: Dirce Quintino/IPÊ
INCAB – Iniciativa Nacional para Conservação da Anta brasileira
Desde 2021, a INCAB expandiu as ações também para a Amazônia, especificamente ao longo do arco sul do desmatamento, nos estados do Mato Grosso e do Pará. A partir dos estudos, os pesquisadores vão determinar os contextos de conservação da anta em três paisagens na interface com a Amazônia: agricultura em larga-escala, mineração e óleo de palma. Estudar as antas em áreas antropizadas (intensamente alteradas por conta da ação do homem) é importante para entender a escala das ameaças e quantificar seus impactos. Dessa forma é possível traçar estratégias para mitigá-las. Até o momento, 43 antas já foram capturadas, sendo que 33 foram equipadas com colares de telemetria satelital. Além disso, amostras biológicas foram coletadas de 40 indivíduos. A equipe também conta com 150 armadilhas fotográficas (cameras trap) que permitiram identificar até o momento mais de 270 animais. Os pesquisadores já notaram maior taxa de gordura corporal nas antas dessa porção da Amazônia, alterações nos cascos, além de contaminação por agroquímicos e metais e e possíveis alterações hormonais causadas pela mudança na dieta.

Crédito: João Marcos Rosa
Mapeamento de brigadas voluntárias e comunitárias na Amazônia Legal
Em 2025, iniciamos, em parceria com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o mapeamento de brigadas voluntárias e comunitárias na Amazônia Legal. Assim estabelecemos um banco de dados digital e georreferenciado da localização desses coletivos, com a identificação de suas capacidades. Além disso, elaboramos um Mapa de Priorização para Incentivo de Brigadas Florestais Voluntárias e Comunitárias na Amazônia Legal específico para essa região, adaptado de um estudo realizado para todo o território nacional durante a construção da Estratégia Federal do Voluntariado no Manejo Integrado do Fogo. O trabalho dá continuidade ao levantamento realizado pelo projeto Voluntariado no Manejo Integrado do Fogo, do IPÊ, que mapeou cerca de 200 brigadas voluntárias voltadas para a prevenção e combate de incêndios florestais no Brasil.

Nosso histórico
Monitoramento da Biodiversidade em Área Protegida com Concessão Florestal
O monitoramento vinculado ao projeto Voluntariado no Manejo Integrado do Fogo, coordenado pelo IPÊ, apoiou a implementação do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora), do ICMBio, na Floresta Nacional de Caxiuanã (PA), em área de concessão florestal. As respostas obtidas com o monitoramento da biodiversidade nas áreas conservadas e com manejo florestal nortearam as ações de conservação implementadas pelo ICMBio, parceiros (as concessionárias florestais) e a população local. O projeto contou com apoio do Serviço Florestal dos Estados Unidos (USFS) e parceria com ICMBio, Ibama, Serviço Florestal Brasileiro e Museu Paraense Emílio Goeldi.
Voluntariado no Manejo Integrado do Fogo
A iniciativa apoiou a estruturação de uma estratégia federal de voluntariado no manejo integrado do fogo. Com abrangência nacional, o projeto identificou cerca de 200 brigadas voluntárias e comunitárias voltadas para a prevenção e combate de incêndios florestais e outras iniciativas de conservação no Brasil. Entre elas, 50 estão na Amazônia Legal e 24 dessas o projeto identificou como brigadas indígenas
MPB – Monitoramento Participativo da Biodiversidade
O projeto MPB realizado de 2013 a 2022, em 17 Unidades de Conservação da Amazônia, em uma área de 12 milhões de hectares, apoiou a consolidação do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora), do ICMBio. A iniciativa mobilizou a sociedade civil, com destaque para as comunidades tradicionais, desenvolveu metodologias de monitoramento da biodiversidade, adquiriu equipamentos, desenvolveu aplicativos para coleta digital de dados, além de dois sistemas de gestão de dados.
Após 9 anos, o projeto encerrou seu ciclo, como previsto, quando suas ações passaram a ser uma política pública nas Unidades de Conservação participantes do MPB.
O MPB foi uma parceria com Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio de Gordon and Betty Morre Foundation, USAID e Programa ARPA – Áreas Protegidas da Amazônia.
O monitoramento de espécies da fauna e da flora definidas pela comunidade, com a participação de moradores do entorno das Áreas Protegidas, fortalece a gestão e a conservação da biodiversidade em unidades de conservação da Amazônia.

MOSUC – Motivação e Sucesso na Gestão de Unidades de Conservação
De 2012 a 2021, o IPÊ atuou junto com o ICMBio incentivando o compartilhamento de boas práticas de gestão nas UCs da Amazônia. Entre os resultados do projeto também está a criação do cadastro nacional de voluntários do ICMBio para quem busca atuar em lugares como parques nacionais e centros de pesquisa.