Câmeras trap doadas pela INCAB-IPÊ ajudam a monitorar Sesc Pantanal após incêndios
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Por meio da INCAB – Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira, após os incêndios no Pantanal (MS) em 2020, o IPÊ contribui para o levantamento do impacto dos incêndios na fauna da região, inclusive das antas. Uma das áreas mais afetadas pelo fogo, a Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN Sesc Pantanal, conta hoje com apoio da INCAB para monitoramento dos animais, por meio de armadilhas fotográficas. Conversamos com a superintendente do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Christiane Caetano, e ela nos conta um pouco mais.
O impacto dos incêndios no SESC Pantanal já pôde ser avaliado? Quanto de área se perdeu?
Duas unidades do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, localizadas em Poconé e Barão de Melgaço, foram atingidas pelos incêndios em 2020. A maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN Sesc Pantanal) do país, com 108 mil hectares, teve 93% da sua área atingida pelo fogo em intensidades diferentes. A unidade fica em Barão de Melgaço. O Parque Sesc Baía das Pedras, localizado em Poconé, com área de 5 mil hectares, teve 500 atingidos.
De que forma vocês estão trabalhando atualmente para o restabelecimento da área?
O reestabelecimento da área acontecerá de maneira natural, com o monitoramento da instituição. Há três pesquisas em andamento no momento, na RPPN Sesc Pantanal: sobre a fauna, a flora e a qualidade da água. O objetivo é levantar os impactos dos incêndios e, com dados científicos aliados ao conhecimento local, colaborar para a tomada de decisões em todo o Pantanal.
O bioma é uma região extensa, formada por diferentes territórios, que variam do ambiente urbano, rural, silvestre. São diversas comunidades tradicionais pantaneiras, aldeias indígenas, fazendas, empreendimentos turísticos e unidades de conservação. Todos, em algum nível, foram atingidos pelos incêndios de 2020, e todos, em alguma medida, possuem proteção e também ameaças.
Sobre as doações feitas pela INCAB-IPÊ, de que forma vocês estão aplicando?
As câmeras-trap (armadilhas fotográficas) doadas integram a pesquisa de fauna e permitem o monitoramento dos animais, após o pior incêndio da história da RPPN Sesc Pantanal, que também foi o pior cenário de queimadas do Pantanal das últimas décadas.
Por meio das armadilhas, cerca de 300 registros da fauna eram baixados semanalmente, logo após os incêndios, em setembro. Por estarem debilitados, muitos animais andaram quilômetros em busca de água e alimentos e se concentravam próximos aos pontos instalados pelo Sesc Pantanal, onde ficaram as câmeras, no primeiro momento.
Essa grande concentração de animais não foi mais vista em 2021. Isso demonstra a importância do monitoramento, que permitiu a observação deste suporte emergencial, essencial para que os animais sobreviventes passassem pela fase aguda, na direção de retomarem a vida normal gradativamente, entre eles a anta, também conhecida como a “jardineira das florestas”.
A queda do número de registros pelas câmeras, que passou a ser em média de 30 por semana, a redução do consumo dos alimentos oferecidos, a identificação do reestabelecimento das fontes naturais de alimentação e água, vinda da chuva, contribuíram para o fim da ação emergencial, com a retirada dos cochos e suspensão da distribuição de alimentos em fevereiro.
Com o fim da ação emergencial, as câmeras agora contribuem para a observação da nova rotina e retomada do território pelos animais.
Qual é o papel da sociedade brasileira na proteção do Pantanal? De que forma os brasileiros podem contribuir?
O Pantanal é patrimônio da humanidade e a maior área úmida continental do planeta, sendo indiscutível seu papel na manutenção da biodiversidade e dos sistemas ecológicos, bem como o valor dos recursos e serviços ecossistêmicos provenientes do bioma que a humanidade recebe e usufrui. A sua proteção é responsabilidade de toda sociedade, pública e civil, que em seus diferentes níveis, de maneira compartilhada, devem promover ações de proteção dos seus ecossistemas, o desenvolvimento de boas práticas produtivas e promoção do desenvolvimento sustentável das comunidades que habitam o território, sempre considerando e respeitando as características da região.
Nós temos que considerar que a vida humana está intrinsecamente relacionada ao equilíbrio ecológico do meio ambiente, e que dessa conexão depende a qualidade da nossa existência. Assim, é responsabilidade de todos, que podemos contribuir desde pequenas ações locais como o consumo consciente, redução de resíduos residenciais até ações como a contribuição na elaboração e efetividade de políticas públicas para conservação e o desenvolvimento sustentável do Pantanal.
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Conexões são também o ponto-chave da Firgun. A fintech conecta microempreendedores das periferias em busca de capital com investidores sociais. No site da Firgun, é possível conferir uma galeria com cerca de 80 projetos concluídos. Além daqueles em andamento, abertos a receber investidores. Para fazer parte dessa rede de investidores é preciso apenas realizar um breve cadastro no site. Com o login é possível acessar as histórias dos microempreendedores e conhecer, inclusive, com qual finalidade o recurso será utilizado.
Quando realizou a inscrição no processo seletivo da ESCAS, a bióloga Natália Moretti Rongetta já havia iniciado um Mestrado. “Eu trabalhava com consultoria ambiental e comecei a sentir falta de estudar de novo, de aprender. Já estava cursando um Mestrado na área de fauna dentro de uma reconhecida instituição, mas senti que eu queria, de fato, algo com uma abordagem profissional. Eu buscava, ter essa visão mais ampla de gestão da conservação”.
“Apesar da frequência de avistamentos de antas, até o momento, não existem informações sobre a espécie em áreas periurbanas e urbanas de grande adensamento populacional humano”, afirma Patrícia Medici, coordenadora da INCAB, iniciativa do IPÊ.
As mestrandas da ESCAS/IPÊ, Aghata Comparin Artusi e Thaisi Baech Sorrini são estudantes do curso de Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável e, ultimamente, têm respirado livros, cadernos, aulas online (por conta da pandemia do coronavírus) e pesquisas de campo, no Pontal do Paranapanema.
O Brasil está na contramão da conservação ambiental. Segundo o pós-doutorando Ricardo Gomes César (foto), coordenador da frente de Carbono da pesquisa “Desenvolvimento de Procedimentos Simplificados para a Valoração Econômico-monetária de Serviços Ecossistêmicos e valoração não monetária de Serviços Ecossistêmicos Culturais Associados à Restauração Florestal”, uma parceria do IPÊ com a CTG Brasil, por meio de um projeto de Pesquisa & Desenvolvimento – P&D da ANEEL, realizada no Pontal do Paranapanema, é preciso deixar claro a função que as florestas desempenham, pois são elas que absorvem o CO2, emitido na atmosfera, sendo que as árvores sequestram o CO2 do ar e o absorvem para seu desenvolvimento. Porém, quando uma árvore é cortada ou queimada ela libera o CO2 novamente para a atmosfera.
Já Thaisi (foto) esclarece que sua pesquisa é na tipologia de restauração florestal. Ela vai avaliar a estocagem de carbono em diferentes idades de plantio, ou seja, como era a estocagem anterior ao plantio e como está no pós-plantio. Para levantar estes dados será utilizada a tecnologia Lidar, que é um equipamento acoplado em um avião ou drone. Ao sobrevoar ele escaneia toda a área florestal. Assim, se consegue um mapa 3D-tridimensional da estrutura da floresta. “Esta tecnologia nos permite extrapolar todos os lados e ângulos de restauração do Pontal, nos quais desenvolvo a pesquisa, como a fazenda Rosanela. A hipótese do meu trabalho é que áreas mais jovens acumulam pouco carbono agora, e áreas mais velhas acumulam mais. Nesse sentido elas podem se sustentar futuramente sem a intervenção antrópica (humana), por exemplo, devastação, assoreamento de rios, entre outras”, esclareceu.