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Notícias

Da vigilância à preservação das espécies: a vida de monitores dedicada à floresta

30 de julho de 2021 Por Paula Piccin

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Do site *USAID

“A importância do monitoramento é semelhante ao ato de se alimentar todos os dias. Você precisa comer para não deixar o corpo fraco. Conservar as espécies é uma forma de não tirar as forças da natureza. Temos que pensar no futuro e preservar”, diz Manoel Cordovaldo Chaves, morador da Comunidade São João, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Itatupã-Baquiá (PA).

“O cuidado que temos com os lagos e rios, evitando as invasões, é para não deixar acabar. Os invasores levam peixes pequenos e grandes, não se preocupando se amanhã haverá mais. Nós queremos conservar para ter peixes hoje e no futuro”, afirma Antônio Marcos Farias, da Comunidade Antonina, na Reserva Extrativista Baixo Juruá (AM).

A preocupação que os ribeirinhos Manoel e Antônio expressam em suas declarações permeia a fala de outros moradores da Amazônia que, assim como eles, dedicam a vida ao monitoramento de peixes, quelônios e outras espécies da região. 

Durante o ano, equipes se revezam na vigilância de rios, praias e lagos de Unidades de Conservação (UCs) para evitar a ação de invasores. Fazem a contagem da quantidade de indivíduos de cada espécie (incluindo a coleta de dados e o preenchimento de planilhas), realizam a soltura de filhotes (no caso dos quelônios) e a pesca monitorada de peixes visando promover a conservação da biodiversidade.

Saiba mais

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Dados inéditos comprovam que a vida do mico-leão-preto depende da conexão da floresta e 98% de variabilidade genética

26 de julho de 2021 Por Paula Piccin
Mico no oco

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O mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), espécie ameaçada de extinção que só ocorre no interior do estado de São Paulo, foi tema dos primeiros estudos de conservação ambiental do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, que, graças às pesquisas sobre o primata, expandiu suas ações com mais projetos de restauração de paisagem e de educação ambiental.

Apesar das extensas pesquisas em mais de 35 anos, dados inéditos ainda surgem sobre a espécie. Os mais recentes analisaram a influência da estrutura da floresta – conservada ou degradada – na conservação do mico-leão-preto, e foram apresentados no Virtual Meeting of the Association for Tropical Biology and Conservation (ATBC), de 21 a 23 de julho.

Gabriela Rezende, doutoranda em Ecologia, Evolução e Biodiversidade (UNESP – Rio Claro) e mestra pela ESCAS-IPÊ lidera a pesquisa. O estudo analisou os dados de  “mochilas” com GPS (pequeno mecanismo para monitoramento dos animais) em quatro grupos de micos em duas áreas diferentes: em uma área bastante conservada, o fragmento Ponte Branca, da Estação Ecológica Mico-leão-preto (ICMBio), no extremo Oeste de São Paulo; e em uma área intensamente fragmentada, no município de Guareí (também em São Paulo).

A diferença entre essas áreas também está presente nas dimensões. A área analisada na Estação Ecológica conta com 1.303 hectares, o equivalente a pouco mais de 1.000 campos de futebol. Já a área em Guareí é de apenas 105 hectares –  cerca de 100 campos de futebol. Os grupos foram acompanhados de 10 a 22 dias consecutivos, entre setembro de 2019 e fevereiro de 2021.   Os dados inéditos da pesquisa foram apresentados no Virtual Meeting of the Association for Tropical Biology and Conservation (ATBC), nesta semana (21 a 23 de julho), em encontro online. 

“Os dados mostraram que os grupos no fragmento menor também têm áreas de vida reduzidas, até cinco vezes menores do que as áreas de vida utilizadas pelos grupos da Estação Ecológica. Além disso, em Guareí foi registrada sobreposição de até 37% desses territórios vizinhos, enquanto que na Ponte Branca isso não foi observado. Esses resultados sugerem um forte efeito de fragmentação no uso do espaço pelos micos. O mais interessante é que, apesar dessa diferença entre as áreas, a distância percorrida pelos micos por dia é em média de 2,6 km em ambas as áreas”, revela Gabriela Rezende, que assina a pesquisa junto com Milene Alves-Eigenheer (UENF), Luca Börger (Swansea University – Reino Unido), Daniel Felippi (IPÊ), Gabriel P. Sabino (UNESP – Rio Claro) e Laurence Culot (UNESP – Rio Claro).  

Na próxima fase da pesquisa, o objetivo é quantificar o gasto energético dos animais nessas áreas e integrar informações sobre a estrutura da vegetação nas análises para entender o que causa essas variações. 

Risco elevado de extinção

Já Francy Forero Sanchez, pesquisadora do Programa de Conservação Mico-leão-preto, do IPÊ, buscou estimar se as populações conhecidas continuarão resistindo no longo prazo. Para chegar a esses dados, Francy usou a metodologia da Análise de Viabilidade Populacional (AVP), por meio de um software que alinhou essas variáveis  às ameaças presentes em cada região. 

“Para ter viabilidade e saúde na população de micos, deve haver ao menos 98% de diversidade genética na população. Isso torna a espécie mais resistente a doenças, por exemplo. O risco de ameaça à extinção  deve ser inferior ou no máximo igual a 2%, o menor possível. O que vimos é que nesse cenário, entre as 17 populações analisadas, apenas duas são viáveis em longo prazo (100 anos, o equivalente a 13 gerações), em especial por conta do número de indivíduos. Seis populações podem se tornar extintas em média em 25 anos pela combinação de fatores envolvendo: isolamento, baixa variabilidade genética e ameaças.  Com base na análise de todas essas variáveis, a população mínima para garantir a viabilidade da espécie é de 800 indivíduos”, destaca. 

Para Francy, o estudo só reforça a importância da continuidade de ações do IPÊ, tanto relacionadas à recuperação do habitat quanto de manejo de pequenos grupos.  “Quanto menores as populações de micos e mais isoladas por conta da fragmentação da paisagem, maiores são os riscos. A conservação da espécie no longo prazo está relacionada ao aumento da conectividade entre os fragmentos. Essa ação tem o potencial de contribuir como fluxo gênico. Na mesma medida, precisamos implementar estratégias eficazes de manejo envolvendo indivíduos, em especial de pequenas populações isoladas em pequenos fragmentos”. Francy também é mestra em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, pela ESCAS/IPÊ – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade. 

Francy conta com a coautoria de Gabriela Rezende (UNESP/IPÊ), Kathy Traylor-Holzer (CPSG/UICN), Cláudio Valladares Padua (ESCAS) e Arnaud Desbiez (ICAS/IPÊ). 

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Vaga para planejamento e implementação de agroecologia (PJ), no Espírito Santo

21 de julho de 2021 Por Paula Piccin

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Contratação de prestação de serviços pessoa jurídica (PJ) para apoiar o planejamento e realizar a implementação de atividades de agroecologia e conservação ambiental para oprojeto em quatro assentamentos rurais nos municípios de Alto Rio Novo e Águia Branca, ambos no Estado do Espírito Santo.

O projeto “A educação como agente de mudanças: agroecologia, participação e sustentabilidade para assentamentos rurais e instituições na bacia do rio Doce” é uma iniciativado IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, por meio de sua escola, a ESCAS – EscolaSuperior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, que conta com o financiamento daFundação Renova.

Confira TDR na íntegra

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Vaga para educador/a em projeto no Espírito Santo (PJ)

21 de julho de 2021 Por Paula Piccin

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Contratação de Prestação de Serviço Pessoa Jurídica (PJ) para apoiar os trabalhos de educação e comunicação de projeto no estado do Espírito Santo, de acordo com planejamento e implementação dasatividades, em quatro assentamentos rurais nos municípios de Alto Rio Novo e Águia Branca.

O projeto “A educação como agente de mudanças: agroecologia, participação e sustentabilidade para assentamentos rurais e instituições na bacia do rio doce” é uma iniciativado IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, por meio de sua escola, a ESCAS – EscolaSuperior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, que conta com o financiamento da Fundação Renova.

Confira TDR AQUI

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Banco de sementes: conheça essa estratégia a favor da biodiversidade

19 de julho de 2021 Por Paula Piccin

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Cerca de 100 espécies de árvores nativas da Mata Atlântica, como Peroba-rosa (Aspidosperma cylindrocarpon), Jequitibá (Cariniana estrellensis), Cedro (Cedrela fissilis), Pau-brasil (Paubrasilia echinata) formam o Banco de Sementes ou Banco de Germoplasma, do IPÊ, localizado em Teodoro Sampaio, na região do Pontal do Paranapanema, no extremo Oeste do estado de São Paulo. 

BANCO DE SEMENTES LAURIE HEDGES 4 minBancos de sementes são preciosos, em especial, em biomas como a Mata Atlântica, que conta com apenas 12% da cobertura original. “Estas árvores nos possibilitam estudar os processos de transformação e muitas vezes garantir a sobrevivência de algumas espécies. As sementes das árvores matrizes são coletadas pelos viveiristas comunitários. Nos viveiros da região, as sementes se transformam em mudas que são utilizadas para restaurar a paisagem de um dos biomas mais ameaçados do mundo. Com isso a gente garante a sobrevivência das florestas e de outros animais que dependem desse bioma para sobreviver”.  Confira o vídeo de Aline sobre o Banco de Germoplasma. 

Valter Ribeiro Campos (foto), proprietário do Viveiro Alvorada, contabiliza os resultados que foram possíveis a partir do banco de sementes. “Por conta do banco de sementes, mais de 10 mil sementes de Guaritá (Astronium graveolens) germinaram no viveiro Alvorada e hoje estão espalhadas em matas reflorestadas aqui na região”, pontua orgulhoso. Segundo Campos, essa espécie até então não era mais encontrada na região. 

Para Iraci Lopes Duveza, proprietária do viveiro Viva Verde, o fato dos viveiristas terem livre acesso ao banco, sem dúvida, é um diferencial. “O banco é a primeira opção para os viveiristas coletarem sementes de árvores nativas da Mata Atlântica, como o Mutambo (Guazuma ulmifolia) Angico (Anadenanthera peregrina), Guaritá (Astronium graveolens), Aroeira: Preta (Myracrodruon urundeuva) e Pimenteira (Schinus terebinthifolius), Canudo de Pito (Esenbeckia febrifuga), entre outras”, frisa. A coleta de sementes em propriedades privadas depende da autorização do proprietário. Nas Unidades de Conservação a coleta de sementes é proibida. 

Maria Regina dos Santos, proprietária do viveiro Mata Nativa e estudante de Gestão Ambiental, destaca a localização do banco de germoplasma como diferencial. “A proximidade entre o Mata Nativa e o banco de sementes gera uma dupla economia: financeira e de tempo. Resumindo é uma grande facilidade econômica para nós viveiristas da região”, disse. Dos nove viveiros, quatro deles estão localizados a menos de 2 km do banco de germoplasma. Já o mais distante chega a 30 quilômetros.

O técnico do IPÊ, Nivaldo Ribeiro Campos, explica que o banco de germoplasma teve início com a doação de mudas feita pela Companhia Energética do Estado de São Paulo (CESP) ao IPÊ, em 2005.  

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IPÊ e TRUSS ampliam ação conjunta pela Mata Atlântica

16 de julho de 2021 Por Paula Piccin

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O IPÊ e a Truss ampliaram a ação de marketing relacionado à causa até o fim de julho.

A cada produto Uso Obrigatório;, da TRUSS, comercializado, uma muda nativa da Mata Atlântica será produzida no Viveiro Escola do IPÊ, em Nazaré Paulista (SP). 

Após seis meses, a muda estará apta a ser plantada em regiões de reflorestamento da Mata Atlântica, totalizando 26 mil árvores, o equivalente a aproximadamente 14 campos de futebol.

A princípio, a ação conjunta entre o IPÊ e a TRUSS seria realizada exclusivamente no mês de junho, mas a adesão foi grande!

Para a ação, a Truss desenvolveu uma embalagem personalizada para o produto com a logomarca do IPÊ, em comemoração ao Dia do Meio Ambiente celebrado em junho (5). 

Uso Obrigatório;

De criação própria, o Uso Obrigatório; é um reconstrutor capilar para ser usado após o shampoo e antes do condicionador. Durante o mês de junho, ou enquanto durar o estoque, cada unidade vendida corresponde à doação de uma muda de árvore nativa da Mata Atlântica, produzida no Viveiro Escola do IPÊ, em Nazaré Paulista (SP). O viveiro é um local de produção de mudas que são utilizadas para reflorestamento e também um espaço de educação ambiental para os moradores, professores e estudantes da região. A edição especial leva a marca do IPÊ junto à TRUSS e conta com a seguinte mensagem: TRUSS e você ajudando a salvar a Mata Atlântica.

Quem já é apaixonado pelo Uso Obrigatório; poderá agora participar dessa corrente do bem e ajudar, acesse: www.loja.trussprofessional.com.br

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Semad/Goiás inicia capacitação em gestão de UCs com ESCAS/IPÊ

16 de julho de 2021 Por Paula Piccin

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onlineMais de 20 profissionais da Semad – Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás, entre chefes de Unidades de Conservação, superintendentes e gerentes da Secretaria, participaram do curso “Gestão de Unidades de Conservação” desenvolvido pela ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, do IPÊ. Os participantes estão à frente da gestão das 24 Unidades de Conservação (UCs) estaduais de Goiás. 

Para Paula Tambellini, analista ambiental da Semad, a ESCAS-IPÊ tem uma abordagem prática com potencial de contribuir com o alinhamento dos gestores das Unidades de Conservação do estado. “Estamos com profissionais que chegaram há pouco tempo na chefia das UCs e outros que estão há muitos anos à frente das UCs, mas que também precisam desse apoio. Em 2013, tivemos um curso básico sobre gestão das UCs com profissionais do IPÊ e desde aquela ocasião sentimos a necessidade de aprofundar o conhecimento na temática”. 

O curso foi criado pela ESCAS sob medida para a Semad.  “Optamos por iniciar a capacitação com um módulo introdutório sobre a gestão das UCs, alinhando conteúdos com momentos de discussão com os profissionais da Semad. Com essa dinâmica, contamos com as contribuições dos profissionais da Semad para a construção dos próximos encontros. Para estar à frente desse curso, convidei a Angela Pellin, especialista em áreas protegidas do IPÊ”, explica Eduardo Badialli, coordenador na Escola do IPÊ.

Para saber mais sobre cursos sob medida desenvolvidos pela ESCAS para órgãos públicos, empresas e organizações do terceiro setor, contate: cursos@ipe.org.br

Dividido em cinco encontros, o módulo abordou temas-chave para a gestão das Unidades de Conservação. “Eles trouxeram conhecimentos e elementos, que em 10 anos de gestão a gente ainda não tinha tido esse tipo de conteúdo. A princípio fiquei preocupada por ser um curso online, mas as estratégias didáticas favoreceram demais a integração, estou encantada”, pontua  Paula Tambellini, analista ambiental da Semad à frente da iniciativa.

Para Tatiana Agostinho, chefe do Parque Estadual Águas do Paraíso (PEAP) e da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto, a troca de experiência com os gestores das outras UCs está entre os destaques. “Foi maravilhoso, a gente não espera que um curso online seja tão dinâmico e foi incrível, aprendi muito.  A construção do mural também permitiu conhecer as perspectivas dos outros gestores sobre as Unidades de Conservação em que tenho trabalhado, o que foi ótimo”.  

Com o primeiro módulo recém-concluído, Paula Tambellini, comemora o resultado. “O curso superou as minhas expectativas e me animou para os próximos módulos.  Os chefes das UCs também parabenizaram bastante a iniciativa. Eles estão recebendo a atenção que precisam”, destaca a analista ambiental da Semad.

Como próximos passos, Badialli revela que a equipe da ESCAS entregará à Semad o material construído em conjunto com os participantes: o pré-plano de capacitação.  “Temos as prioridades relacionadas pelo grupo e também as contribuições da equipe ESCAS/IPÊ. A partir desse conjunto vamos definir junto à Semad os próximos módulos”.

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IPÊ participa de encontro sobre experiências de monitoramento comunitário na Amazônia brasileira

15 de julho de 2021 Por Paula Piccin

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(Informações UICN)

O projeto Amazônia 2.0 no Brasil e o Comitê Nacional de Membros da UICN (União Internacional para Conservação da Natureza) neste país organizou nos dias 30 de junho e 7 de julho o evento online sobre “Experiências de Monitoramento Comunitário na Amazônia Brasileira“. A primeira sessão abordou o tema de Monitoramento de Pressões e Ameaças e Vigilância Territorial, enquanto a segunda focou em experiências de Monitoramento da Biodiversidade e de Recursos Naturais.

O encontro reuniu representantes da sociedade civil, academia e governos em um espaço de diálogo e intercâmbio de experiências sobre diferentes iniciativas de monitoramento e deu visibilidade à projetos bem-sucedidos promovidos por parceiros locais do projeto no Acre e por organizações membro da UICN no Brasil.

“Iniciativas de base comunitária têm se mostrado eficazes na proteção dos ecossistemas e das espécies neles presentes, e estes espaços de troca e articulação são importantes para fortalecer e difundir estas iniciativas”, enfatizou a coordenadora técnica do projeto Amazônia 2.0 no Brasil, Carolle Alarcon.

Na sessão sobre Monitoramento de Pressões e Ameaças e Vigilância foram apresentadas as experiências da Comissão Pro-índio do Acre (CPI-Acre) com a inciativa dos Agentes Agroflorestais Indígenas (AAFI), a qual o A2.0 apoia e capitaliza, do WWF-Brasil com a Ferramenta de Monitoramento e Análise Espacial (SMART, da sigla em inglês) e de proteção ambiental de base comunitária do Instituto Mamirauá, ambos membros da UICN no Brasil. A sessão também contou com a moderação da FGVCes, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da fundação Getúlio Vargas, que atualmente faz a secretaria da Rede de Monitoramento Territorial Independente (rede MTI).

A segunda sessão focou nas iniciativas de Monitoramento Participativo da Biodiversidade do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, realizado em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para apoiar a implementação do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora), e que tem como premissa a promoção da participação social na conservação da biodiversidade. No Acre, o Programa Monitora é coordenado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, com apoio do A2.0 no Parque Estadual Chandless, e foi a segunda inciativa apresentada. Além destas, a sessão contou com outras duas experiências, da Fundação Vitoria Amazônica (FVA), com o Sistema de Monitoramento do Uso dos Recursos Naturais do Rio Unini, e o projeto Ciência Cidadã, do WCS-Brasil. A sessão teve também a moderação a cargo do IPÊ.

Angela Pellin, coordenadora de projeto do IPÊ e vice-presidente do Comitê Nacional de Membros, moderou a segunda sessão e destaca que “o evento foi uma oportunidade de ampliar a articulação entre o Projeto Amazônia 2.0 e o Comitê Nacional de Membros da UICN. As experiências compartilhadas neste evento reforçaram a importância da promoção do intercâmbio entre os membros do comitê, que é formado por instituições diversas e com muita experiência na agenda da conservação nos vários biomas do país”

Globalmente, iniciativas de base comunitária têm se mostrado eficazes na proteção dos ecossistemas e das espécies neles presentes. No entanto, as experiências apresentadas mostram que ainda existe uma fragilidade na institucionalização de iniciativas como estas, o que demanda o constante envolvimento de organizações da sociedade civil, inclusive para captação de recursos garantindo a sustentabilidade de muitas delas. É fundamental que sejam estabelecidas ponte de cooperação: entre iniciativas, com a academia, com entes de apoio jurídico, com a imprensa e meios de comunicação, e de principalmente, de forma horizontal, com as comunidades envolvidas.

Com um total de 220 participantes de 13 diferentes países, a série de webinars apontou a necessidade de seguir promovendo espaços de interação e debate, em especial sobre a incorporação de tecnologias no monitoramento e sobre como o fluxo de informações pode subsidiar ações de incidência em políticas publicas, que aportem, contribuam, denunciem e alertem, trazendo luz às pressões enfrentadas e potencialidades que esses territórios e comunidades oferecem. Nesse sentido a Rede MTI tem se mostrado um espaço de articulação, troca de experiências e debates entre organizações que pode ser fortalecido para canalizar ações e interesses identificados por essa série de webinars. A Rede, que está finalizando seu planejamento estratégico, trabalha em três eixos de ação interconectados: fortalecimento das organizações; incidência sobre estado, empreendedores e financiadores; e comunicação e produção de conhecimento. Como destaca Kena Azevedo Chaves, pesquisadora e gestora de projetos do Programa de Desenvolvimento Local da FGVces, “é fundamental construir caminhos para ampliar e efetivar a proteção territorial e dos modos de vida na Amazônia, ação que só é possível através da atuação coordenada e compromisso dos diferentes atores nos territórios, com destaque para o trabalho das organizações de base e para a responsabilidade do Estado”.

As gravações de cada sessão seguem disponíveis nos links abaixo:

Sessão 1: Português e Espanhol. Sessão 2: Português, Inglês e Espanhol.

Seguimos, conectados por nossas florestas.

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Modelo de Silvipastoril inovador para fazendas

6 de julho de 2021 Por Paula Piccin
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caio rivetti1Em 2020, com a Danone Brasil, implementamos uma fazenda modelo em silvipastoril. O processo aconteceu na Fazenda Gordura, no município de Guaranesia (Minas Gerais). O Projeto Flora: Acelerando a Adoção de uma Pecuária Sustentável com Treinamento Especializado no Brasil é uma parceria do IPÊ com a Danone em colaboração com a Escola de Estudos Florestais e Ambientais da Universidade de Yale e sua Iniciativa de Liderança e Treinamento Ambiental (Yale ELTI) e o Centro de Pesquisa em Sistemas de Produção Agrícola Sustentável (CIPAV), da Colômbia.

O projeto piloto acontece na propriedade de Caio Rivetti. Nascido em São Paulo, cursou Agronomia e, após transitar por trabalhos no mercado financeiro, decidiu se dedicar integralmente à fazenda e à produção de leite em Minas Gerais. Ele viu no projeto com silvopastoril a chance de ampliar as iniciativas que já vinha desenvolvendo na propriedade, como uma pecuária leiteira orgânica e o plantio de árvores em Áreas de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente. Dos 170 hectares, 40 deles já são cobertos por florestas.

“Tem tudo a ver com o que a gente quer aqui pra fazenda e é uma proposta inovadora, porque não usa eucalipto para corte, como é o caso dos sistemas que vemos mais aqui no Brasil. A técnica do IPÊ, junto com a equipe da Colômbia, busca usar espécies nativas da Mata Atlântica, em um sistema mais complexo, que envolve floresta, ecossistema, criando uma função para essa mata, seja de polinização, seja de alimento para o gado”, comenta ele.

Caio conta que a proposta do projeto era a de ter uma propriedade piloto, que servisse de escola para demais fazendeiros acessarem a iniciativa e verem os resultados. Fato que o estimulou ainda mais. “São três hectares de silvipastoril que temos ainda, mas queremos expandir isso e multiplicar esse conhecimento que tivemos aqui com o projeto. Embora seja recente, a gente consegue ver o vigor das plantas que, mesmo no inverno não sofreram com o stress hídrico que antes havia, por exemplo. Mas com o tempo, certamente, veremos outros benefícios”, afirma.

Confira o video sobre o projeto

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Iniciativa de base comunitária na Nhecolândia irá trabalhar no combate a incêndios no Pantanal

6 de julho de 2021 Por Paula Piccin

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Após o grande incêndio ocorrido em 2020 no Pantanal, que resultou em um desastre ambiental sem precedentes na maior planície alagável do planeta, uma parceria entre o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, ICAS – Instituto de Conservação de Animais Silvestres e a Fazenda Baías das Pedras, está promovendo ações, capacitações e doações de materiais para uma nova brigada de combate a incêndios na região.

De acordo com o zoólogo, PhD em Manejo da Biodiversidade pelo Instituto de Conservação e Ecologia de Durrell (DICE) e fundador do ICAS, Arnaud Desbiez, essa iniciativa, que terá́ início neste mês de julho, período de estiagem na região, irá treinar e equipar 10 fazendas no entorno da Baía das Pedras de forma que essas brigadas possam prevenir e combater futuros incêndios em uma área de 1.500 km2 do Pantanal, incluindo as regiões onde são realizados os estudos do maior projeto de conservação de longo prazo da anta brasileira e o primeiro projeto de longo prazo sobre o tatu-canastra, feitos pelo IPÊ e ICAS, respectivamente. 

“Além de promover o empoderamento das comunidades locais, esperamos que essa ação possa auxiliar para evitar os incêndios na região, pois sabemos que o fogo sempre fez parte do manejo das pastagens, mas é muito importante que as pessoas tenham o conhecimento e também os equipamentos necessários poder controlar esse manejo, evitando que o fogo se alastre e possa se tornar um grande incêndio,” explicou.

Esta será́ a primeira iniciativa de combate a incêndios de base comunitária na sub-região da Nhecolândia no Pantanal e terá́ como base a fazenda Baía das Pedras, que além de liderar, também irá guardar e manter os principais equipamentos, como, por exemplo, uma caixa d’água portátil de 5 mil litros e duas motobombas, que poderão ser transportados com urgência para as fazendas vizinhas. 

Além disso, cada fazenda receberá equipamentos essenciais, tais como, o queimador de incêndio, utilizado para queimar áreas como medida preventiva, um soprador portátil, motosserra, cortador de lâmina, foices e enxadas, além de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para 5 pessoas, incluindo roupas de proteção, luvas, óculos, garrafas de água, protetores de pernas, entre outros.  

Todos esses equipamentos – já́ comprados e prontos para serem entregues – foram meticulosamente revisados por bombeiros experientes e também por proprietários de fazendas. A união de organizações e as iniciativas de política públicas é essencial para a conservação da biodiversidade pantaneira.

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