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Cibele Quirino

Encontro na Resex do Cazumbá-Iracema, no Acre, discute a conservação da biodiversidade local

4 de maio de 2022 Por Cibele Quirino

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A Reserva Extrativista do Cazumbá-Iracema, no Acre, foi a sétima unidade de conservação da Amazônia a sediar a temporada 2022 dos Encontro dos Saberes. A iniciativa, promovida pelo Projeto de Monitoramento Participativo da Biodiversidade (MPB), do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ocorreu entre os dias 29 e 30 de abril e reuniu cerca de 60 participantes.

“A RESEX do Cazumbá-Iracema possui um histórico de organização e envolvimento com o projeto MPB que já dura oito anos. Este é o segundo Encontro dos Saberes que realizamos aqui e a nossa percepção é que a comunidade tem se apropriado do projeto de monitoramento da melhor forma possível. E é nesse momento de troca de conhecimentos, onde todos são chamados para discutir sobre os resultados do monitoramento, que percebemos a importância desses espaços de diálogo e escuta ativa para o fortalecimento dos arranjos locais e a conservação da floresta”, destaca Débora Lehmann, coordenadora técnica do projeto MPB.

Além dos moradores da RESEX, o evento também reuniu pesquisadores do IPÊ e de instituições parceiras como a Universidade Federal do Acre (UFAC) e SOS Amazônia, gestores da unidade de conservação, analistas ambientais do ICMBio e representantes do conselho da unidade, oriundos das secretarias de educação e de meio ambiente do município de Sena Madureira, território que abriga a Unidade de Conservação. Segundo a coordenadora, o encontro cumpriu o seu objetivo ao funcionar como um espaço de diálogo entre diferentes atores sociais a respeito das experiências de cada um sobre o monitoramento, a conservação da biodiversidade local e o uso das informações na gestão da UC.

 

ES RESEX Cazumb Iracema Adison Ferreira 16

Crédito da foto: Adison Ferreira/IPÊ

“Esse encontro tem um significado muito importante para a nossa comunidade, pois esse trabalho de monitoramento participativo empodera os extrativistas e nos ajuda a entender melhor sobre a manutenção da nossa biodiversidade. Essa ideia de juntar o saber tradicional dos moradores da RESEX com o conhecimento técnico dos pesquisadores é fundamental para esse empoderamento. Afinal, a conservação da nossa floresta e, consequentemente, do nosso modo de vida, depende desse entendimento sobre a importância da sustentabilidade”, afirma o líder comunitário, Aldeci Cerqueira Maia, conhecido como Nenzinho.

Localizada as margens do rio Caeté e dispondo de uma área de mais de 750 mil hectares, a RESEX do Cazumbá-Iracema é referência em governança local de unidades de conservação no Brasil. Em 2014, a RESEX iniciou a parceria com projeto MPB, por meio do monitoramento participativo da castanha-da-amazônia. Ao longo dos anos, novos alvos de monitoramento participativo foram inseridos como os de mamíferos, aves, borboletas e plantas, que compõe o monitoramento do protocolo florestal.

ES RESEX Cazumbá Iracema Adison Ferreira 3 Crédito da foto: Adison Ferreira/IPÊ

Encontrinho

Além do evento aberto a toda comunidade, realizado no dia 30, a unidade de conservação também sediou no dia anterior uma reunião menor, denominada de “Encontrinho dos Saberes”. O espaço serviu com um alinhamento entre a gestão local do ICMBio (NGI Sena Madureira), os monitores locais e pesquisadores sobre os resultados das análises dos dados e as experiências de cada ator envolvido. No encontro maior, os moradores acompanharam de perto os resultados sobre o monitoramento participativo de castanha-da-amazônia, mamíferos, aves, borboletas e plantas e debateram sobre as informações coletadas em oito anos de projeto.

Para Ilnaiara Sousa, pesquisadora local do IPÊ, o evento fecha um importante ciclo iniciado há oito anos. “O monitoramento participativo trouxe importantes resultados para a Resex.  Além do protocolo florestal básico, a unidade também realizou o protocolo complementar da castanha. As informações coletadas a partir do projeto foram essenciais para a gente compreender a dinâmica local em relação à produção do fruto, à qualidade das árvores, à cadeia produtiva, e tantos outros aspectos. E o resultado disso só foi possível graças à participação efetiva da comunidade. Por isso, a sensação que temos ao final do projeto é de dever cumprido e ao mesmo tempo da certeza de que o monitoramento participativo precisa e deve continuar”.

Troca de Saberes

Desde o início do projeto MPB, em 2014, o Instituto de Pesquisas Ecológicas já realizou 14 Encontros dos Saberes presenciais e dois grandes seminários envolvendo diversos parceiros da instituição como lideranças locais, gestores do ICMBio, monitores e pesquisadores de diversas instituições.

Este ano estão previstos 10 encontros presencias nas unidades de conservação onde o IPÊ atua. Os próximos eventos serão realizados na RESEX Rio Unini e no Parque Nacional do Jaú, no Amazonas e no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá.

O Projeto MPB conta com apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional – USAID e da Fundação Beth Moore.

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27 de abril é celebrado o Dia Mundial da Anta, o maior mamífero terrestre da América do Sul 

26 de abril de 2022 Por Cibele Quirino

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Se alguém dissesse que você é uma anta, provavelmente você iria se magoar. Mas não deveria. O dia 27 de abril é marcado pelo DIA MUNDIAL DA ANTA, e a anta-brasileira (Tapirus terrestris) é uma das espécies mais importantes do país e o maior mamífero terrestre da América do Sul. No mundo, há quatro espécies de anta: além da anta-brasileira, temos a anta-da-montanha (que vive nos Andes), a anta-centro-americana (encontrada na América Central) e a anta-asiática (Indonésia, Malásia, Mianmar e Tailândia).  

O Brasil possui a maior especialista do mundo em antas! Patrícia Medici é engenheira florestal, mestre e doutora em conservação de vida selvagem, e se apaixonou pelo bicho há 25 anos! Desde então, dedica a sua vida a estudar o seu comportamento e desenhar meios de conservar a anta brasileira em nosso país. O trabalho da Patrícia acontece no Pantanal, Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Ela e a equipe da INCAB – Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira, um projeto do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, agora se preparam para conseguir apoio para começar as pesquisas sobre as antas da Caatinga.  

 

Credito da foto Joao Marcos Rosa web

Crédito da foto: João Marcos Rosa

O trabalho de Patrícia e sua equipe já rendeu a criação do maior banco de dados sobre a espécie no mundo. O impacto da pesquisa de longo prazo é tanto que reflete na conquista de nove prêmios internacionais recebidos ao longo dos anos, incluindo o mais recente deles, o Whitley Gold Award (2020), considerado o Oscar Verde da Conservação.  

INCAB pati equipe

Patricia explica que, no Brasil, a anta vive diferentes realidades de acordo com os biomas. “Em boa parte do Pantanal e no norte da Amazônia a espécie está em uma melhor situação quando comparada às antas que vivem na Mata Atlântica e no Cerrado. Na Mata Atlântica, um recente estudo publicado pelo grupo de Patrícia mostrou que menos de 2% das populações de antas que vivem no bioma são viáveis no longo prazo. Já no Cerrado, as antas lidam com muitas rodovias e colisões constantes, caça ilegal e um risco elevado de contaminação por agrotóxicos, em função da expansão da agropecuária em larga escala”. 

As antas têm baixo potencial reprodutivo, incluindo um ciclo reprodutivo bastante longo com o nascimento de um único filhote após uma gestação de 13-14 meses e intervalos entre nascimentos de até três anos. Dessa forma a perda de um animal tem um impacto significativo para a conservação da espécie a longo prazo. 

Curiosidades sobre essa espécie incrível! 

 A fêmea da anta-brasileira pode chegar a pesar 300 kg, contar com até 2 metros de comprimento e 1,10 m de altura! Com todo esse tamanho, a anta que é herbívora/vegetariana ingere entre oito e nove quilos de alimento/dia incluindo folhas, ramos, brotos, caules, cascas de árvores, plantas aquáticas, além de frutos que correspondem a mais de 50% da dieta.  

 

Aquidauana MS Pantanal INCAB IPE Credito da Foto Joao Marcos Rosa

Crédito da foto: João Marcos Rosa

 

Jardineira das florestas e atleta: Por conta da ingestão desses frutos, em geral com grandes sementes, e por um trato digestivo capaz de otimizar a germinação, a anta é reconhecida pelos cientistas como jardineira da floresta, pela contribuição expressiva com o próprio ambiente em que vive. Ou seja, onde tem semente que passou pelo trato digestivo do animal, tem semente pronta para germinar!!! 

Outra característica da espécie é o fato de percorrer longas distâncias. A anta vive em áreas de em média 800 hectares (cerca de 800 campos de futebol) e percorre entre 3 e 9 km/dia, levando sementes de uma área para outra. Uma floresta sem antas é uma floresta que corre grande perigo de extinção. Isso não é nenhum exagero! 

Pesquisadores também consideram a anta uma “espécie sentinela”, capaz de nos alertar para os riscos presentes no ambiente onde outras espécies da fauna, animais domésticos e comunidades rurais vivem. Estudos científicos realizados a partir de amostras biológicas de anta, tais como sangue, tecido, entre outras, têm identificado elevados níveis de agrotóxicos no Cerrado do Mato Grosso do Sul.  

A ciência ainda reconhece a anta como uma espécie guarda-chuva. Isso significa que uma vez que as áreas onde vivem sejam adequadamente conservadas, uma série de outras espécies também serão beneficiadas.  

Trata-se também de um dos mais antigos habitantes do nosso planeta (fósseis encontrados na América do Sul datam de 2,5 a 1,5 milhão de anos atrás). 

Espécie injustiçada: #antaÉelogio  

Apesar de todo os serviços que esse animal realiza, no Brasil, ele ainda é visto por muitos como um ser de pouca inteligência. “No entanto, a ciência já mostrou por meio de estudos que a anta tem um número elevado de neurônios e é um animal de extrema importância para a sociobiodiversidade. Essa percepção errônea sobre a anta afasta o interesse das pessoas pela conservação de uma espécie que está na lista vermelha de ameaçadas de extinção como vulnerável, tanto na lista nacional (ICMBio/MMA – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) quanto na internacional (IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza). Afinal, com esta associação pejorativa, como as pessoas podem desenvolver um senso de orgulho por este animal?”, questiona Patricia Medici, coordenadora da INCAB-IPÊ.  

A pesquisadora revela que a origem dessa falsa percepção (algo difundido apenas no Brasil) está no período colonial. “Quando os portugueses chegaram à costa do Brasil, conheceram a anta e pelo tamanho e porte do animal tentaram domesticá-la para o transporte de cargas. No entanto, como um animal selvagem, a espécie não se submeteu. Pelo fato de não conseguirem domesticá-la, passaram a relacioná-la a um animal de pouca inteligência, o que a ciência já mostrou que não é verdade”.  

Para desmistificar essa ideia, desde 2015, a INCAB-IPÊ conta com a campanha permanente de disseminação da hashtag #antaÉelogio. O objetivo é transformar essa injustiça em reconhecimento pela importância da espécie para a sociobiodiversidade. Campanhas nas redes sociais, camisetas, ações nas áreas de pesquisa estão entre as iniciativas realizadas por pesquisadores do projeto na busca por esclarecer essa fake news! Nos próximos meses, o público terá a oportunidade de conferir nas redes sociais da INCAB e do IPÊ, histórias reais acompanhadas por pesquisadores por mais de 10 anos na Fazenda Baía das Pedras, no Pantanal da Nhecolândia, no estado do Mato Grosso do Sul. A trama apresentará as histórias incríveis dos animais que participam da pesquisa nesse cenário paradisíaco! 

Dia da Anta: Por que 27 de abril? 

 Desde 2008, Anthony Long, um australiano apaixonado por antas, também vem somando esforços para transformar injustiça em reconhecimento. Como forma de contribuir com a conservação da espécie, Anthony articulou o estabelecimento de 27 de abril como o Dia Mundial da Anta. “Ao contrário dos elefantes, rinocerontes, leões, tigres e outros mamíferos de grande porte, as antas não aparecem na mente da maioria das pessoas. As pessoas não sabiam o que são as antas, esses animais não apareciam em filmes, livros infantis ou de qualquer outra maneira que outros animais – mais populares – apareciam”, contou Anthony Long, em entrevista ao IPÊ. No filme Encanto, vencedor do Oscar 2022 na categoria animação, a anta faz uma ponta. “A espécie aparece em poucas cenas, mas, sem dúvida, é um avanço”, destaca Patrícia Medici.  

 Anthony Long revela que a escolha foi cuidadosamente planejada. “Na época não havia nenhum evento significativo em nenhum lugar do mundo. O dia escolhido não entra em conflito com a Páscoa (cai depois da última data possível) e por ser em abril, há probabilidade de um clima melhor na maioria dos países para que eventos ao ar livre pudessem acontecer”. 

INCAB-IPÊ 

World Tapir Day 

Quer apoiar o trabalho do IPÊ? Doe para esta causa!

 

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IPÊ promove curso integrado de monitoramento da castanha-da-Amazônia

26 de abril de 2022 Por Cibele Quirino

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Moradores de três Reservas Extrativistas (RESEX) da região Norte participaram, entre os dias 6 e 8 de abril, da primeira edição do curso integrado de monitoramento da castanha-da-Amazônia. A atividade, promovida pelo Projeto de Monitoramento Participativo da Biodiversidade (MPB), do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, ocorreu no centro de formação e cultura da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, em Porto Velho, Rondônia, e reuniu cerca de 20 participantes.

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 Crédito Pollyana Lemos/IPÊ

Diferente das edições anteriores, a programação deste ano aconteceu de forma integrada, reunindo no mesmo espaço comunitários das RESEX Lago do Cuniã, do Rio Ouro Preto e do Rio Cautário. “Essa interação entre diferentes comunidades e diferentes experiências de monitoramento foi fundamental para tornar o curso muito mais dinâmico, tanto para os participantes quanto para os facilitadores da atividade”, afirma Paulo Henrique Bonavigo, pesquisador do IPÊ.

A programação destacou os avanços e desafios do manejo sustentável em UCs e abordou temas como boas práticas de manejo, ecologia da espécie, importância socioeconômica da castanha, organização social e levantamento da produção na safra.

 

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Crédito: Pollyana Lemos/IPÊ

Monitor local da RESEX Rio Ouro Preto, Franklin Amaral, também avaliou a atividade como produtiva e ressaltou a importância da troca de aprendizados entre os manejadores das três unidades de conservação. “As informações apresentadas pelos instrutores e o compartilhamento das experiências de cada RESEX com o monitoramento da castanha nos ajudou a entender ainda mais diversidade dessa atividade e o papel do manejo para o fortalecimento da nossa comunidade”.

Além dos castanheiros e monitores das UCs atendidas pelo projeto MPB em Rondônia, o evento também reuniu pesquisadores locais do IPÊ, integrantes da Coordenação de Monitoramento da Conservação da Biodiversidade (Comob) do ICMBio, representantes da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia – SEDAM, gestores e membros de associações agroextrativistas como Associação dos Seringueiros da Reserva Extrativista do Rio Ouro Preto/ASROP, Associação dos Seringueiros do Vale do Guaporé/AGUAPE, Associação de Moradores do Cuniã/ASMOCUN) e lideranças indígenas da etnia Uru-Eu-Wau-Wau, que estão em processo de implantação do manejo participativo da castanha em seus territórios.

Para Ilnaiara Sousa, pesquisadora do IPÊ, o curso integrado funcionou como um espaço de mapeamento da realidade de cada unidade de conservação. “Esse momento é importante para entender a organização social de cada RESEX e compreender que cada uma dessas unidades possui uma forma específica de organização tanto para a coleta como para a comercialização da castanha. Somente a partir do levantamento dessas informações é que conseguimos planejar de forma adequada as ações de monitoramento para cada unidade de conservação.”

O monitoramento participativo da castanha-da-Amazônia é realizado desde 2014. A atividade iniciou na Reserva Extrativista do Cazumbá-Iracema, no Acre. Em 2018 o projeto se expandiu para as RESEX Lago do Cuniã, do Rio Ouro Preto e do Rio Cautário, em Rondônia. O monitoramento está organizado em módulos: básico e avançado, compreendendo os temas mapeamento, ecologia, manejo, produção, comercialização e organização social. A previsão dos pesquisadores é que a próxima etapa do curso seja realizada de forma específica em cada unidade de conservação.

Sobre o MPB

Na busca por uma grande participação social na conservação de Unidades de Conservação (UCs) na Amazônia, o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, realiza o projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade, em 18 UCs do bioma. O trabalho acontece desde 2013 e conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore, USAID, Programa ARPA e mais de 20 instituições locais. Por meio do projeto, comunidades que vivem nas UCs ou próximas a elas, participam de cursos e capacitações para se transformarem em monitores da biodiversidade da floresta, em uma troca constante de conhecimentos com pesquisadores do IPÊ e gestores do ICMBio. Desde a sua implementação, mais de 4.000 pessoas se beneficiaram do projeto.

 

Paulo H. Bonavigo IPÊ

Crédito: Paulo H. Bonavigo/IPÊ

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Inscrições abertas: curso de formação para jovens lideranças da Amazônia 

25 de abril de 2022 Por Cibele Quirino

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Até 02 de maio, jovens residentes na Amazônia (de 18 a 35 anos) atuantes em Áreas Protegidas vinculadas ao LIRA/IPÊ – Legado Integrado da Região Amazônica e ao MPB/IPÊ – Monitoramento Participativo da Biodiversidade, além de integrantes de redes de juventude e/ou movimentos sociais têm a oportunidade de se inscrever para uma das 80 vagas do curso Formação de Jovens Lideranças Transformando Territórios Amazônicos, iniciativa do LIRA/IPÊ. 

O curso tem como colaboradores a CNS – Conselho Nacional Das Populações Extrativista e a ESCAS/IPÊ – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, e como parceiros financiadores Fundo Amazônia e Fundação Gordon and Betty Moore. 

O objetivo é ampliar a compreensão política dos jovens sobre áreas protegidas, biodiversidade e floresta a partir da sustentabilidade. Serão 180 hora, 8 módulos, de encontros presenciais e virtuais realizados de maio a dezembro de 2022, com certificação. 

Dessa forma, os jovens vão aprimorar o entendimento sobre o potencial político de trabalhos colaborativos e redes de conexões, além do domínio das linguagens jurídico-administrativas. Na prática, estarão mais preparados para atuar nas agendas das políticas ambientais e socioambientais da Amazônia. O curso também vai abordar como engajar ações coletivas nos respectivos territórios, além da comunicação para além dos pares. 

Soma de esforços

A iniciativa busca agregar forças e criar estruturas mais sólidas para que possam aflorar ações, articulações, interações e parcerias estratégicas e assertivas para efetivação de políticas públicas e territoriais em prol desses grupos. Como por exemplo, aperfeiçoar as capacidades de negociação perante agentes econômicos historicamente mais fortes como as empresas que compram produtos da floresta, extraídos e produzidos nos territórios que essas organizações e projetos representam.

A Formação de Jovens Lideranças Transformando Territórios Amazônicos – FLAUTA  visa fomentar o protagonismo jovem para atuação engajada e cidadã nos territórios, além de estimular ação organizada e coletiva em prol da equanimidade socioeconômica e conservação ambiental. Tudo isso, a partir da ampliação do conhecimento histórico sobre o desenvolvimento e ocupação da Amazônia e em como essa história produz desdobramentos concretos na organização sociopolítica e na realidade dessa região.

Como vai acontecer

Serão momentos formativos, com palestras, mesas-redondas e grupos de trabalho; além de fóruns de debate e discussão; ações articuladas de coletivos para construção e implementação de planos de ação conjuntos com focos temáticos e territoriais; e sessões de aprofundamento em temas de interesse específicos para participantes interessados organizados em mentorias e acompanhamento mais direto e específico entre corpo docente e alunos. 

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Encontros dos Saberes movimentam UCs da Amazônia

20 de abril de 2022 Por Cibele Quirino

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As ações, promovidas pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas em parceria com o ICMBio, já foram realizadas em três unidades de conservação este ano.

Moradores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Itatupã-Baquiá, no Pará, se reuniram, no último dia 8 de abril, para dialogar a respeito dos resultados do monitoramento participativo da biodiversidade realizado no local. O encontro, promovido pelo Projeto de Monitoramento Participativo da Biodiversidade (MPB), do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), reuniu cerca de 70 comunitários.

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Durante o evento, monitores locais e pesquisadores do IPÊ e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (Cepam), do ICMBio, compartilharam as experiências da coleta de dados do automonitoramento da pesca sobre as espécies de peixes encontradas na região e debateram os resultados do projeto de monitoramento de 2017 a 2021. “Esse momento é fundamental para consolidar a nossa proposta de monitoramento participativo. Pois, toda a comunidade é chamada para discutir sobre os resultados da pesquisa e, a partir dessa troca de saberes, de fato, apontar os melhores caminhos para a conservação desse território”, destaca Ana Maira Neves, pesquisadora do IPÊ.

Segundo o monitor local Manoel Chaves de Sousa, conhecido como seu Codó, a atividade ajuda a fortalecer a organização comunitária da unidade de conservação. “Acompanhar os resultados do monitoramento é importante para toda a comunidade. Primeiro porque nos abastece de informação sobre a nossa biodiversidade. Segundo porque fortalece a nossa conscientização sobre a preservação da natureza. E terceiro, auxilia no nosso fortalecimento comunitário, incentivando a participação de todos nesse diálogo”.

A RDS Itatupã-Baquiá foi a terceira unidade de conservação da Amazônia a sediar a temporada 2022 do Encontro dos Saberes. Os outros dois eventos foram realizados na Reserva Biológica (REBIO) do Rio Trombetas, no Pará, e na Reserva Extrativista (RESEX) Baixo Juruá, no Amazonas.

Adison Ferreira RDS IB 22

 

Rio Trombetas

O encontro sediado na REBIO do Rio Trombetas abriu a temporada dos Encontros de Saberes este ano. A atividade reuniu 45 participantes, entre comunitários, monitores locais, gestores da unidade de conservação e pesquisadores do IPÊ e ICMBIO. O evento, realizado no dia 24 de março, apresentou as análises parciais do monitoramento de quelônios aquáticos amazônicos e destacou a dinâmica populacional das espécies Tracajá, Tartaruga-da-Amazônia e Pitiú.

 

Virginia Bernardes ES Rio Trombetas 22web

Baixo Juruá

Na RESEX Baixo Juruá, a ação reuniu 82 pessoas. Durante o encontro, os participantes acompanharam e discutiram os resultados do automonitoramento da pesca, que envolvem diversas espécies, e do monitoramento do manejo do pirarucu.

O encontro, realizado no dia 1º de abril, ocorreu no galpão da paróquia de Nossa Senhora de Fátima, no município de Juruá. Além dos monitores locais e pesquisadores do IPÊ e ICMBio, o encontro também contou com a participação de lideranças comunitárias da Floresta Nacional (Flona) de Tefé e representantes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Produção e Abastecimento de Juruá, Polícia Militar do Estado do Amazonas, Gabinete Municipal, Colônia de Pescadores Z-21, Câmara Municipal de Juruá.

Troca de Saberes

Desde o início do projeto MPB, em 2014, o Instituto de Pesquisas Ecológicas já realizou 11 encontros de saberes presenciais e dois seminários amplos envolvendo diversos parceiros da instituição como lideranças locais, gestores do ICMBio, monitores e pesquisadores.

Este ano ainda estão previstos mais seis encontros presenciais em unidades de conservação. Os eventos serão realizados na RESEX Rio Unini e Parque Nacional do Jaú, no Amazonas; RESEX do Cazumbá-Iracema, no Acre; Floresta Nacional Jamari e RESEX Rio Ouro Preto, em Rondônia; e Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá. 

O Projeto MPB conta com apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional – USAID e da Fundação Beth Moore.

Quer apoiar este e mais outros trabalhos do IPÊ? DOE AGORA.

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Encontro entre técnicos do IPÊ e prestadores de serviço alinha ações na área de restauração ecológica, no Pontal do Paranapanema

18 de abril de 2022 Por Cibele Quirino

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A equipe do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas à frente das ações de restauração no Pontal do Paranapanema, extremo Oeste do estado de São Paulo, promoveu encontro com os prestadores de serviço da área de plantio para tratar sobre “Combinados e acordos para o desenvolvimento de ações e atividades de Restauração Ecológica em projetos do IPÊ”, no escritório do IPÊ, em Teodoro Sampaio/SP.

O encontro teve como objetivo aprimorar as técnicas de plantio e manejo na restauração florestal. O IPÊ já plantou na região mais de 5,4 milhões de árvores. Haroldo Borges Gomes, coordenador de projetos do IPÊ, destacou que o trabalho realizado pelos prestadores de serviço no campo é a extensão dos estudos dos pesquisadores do IPÊ em conjunto com a ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade. “Essa forma de trabalho tem gerado resultado positivo no quesito qualidade na restauração florestal. O IPÊ visa envolver prestadores de serviços em seus projetos, mobilizando a comunidade da região do Pontal e gerando emprego e renda para o maior número de pessoas”, ressaltou Borges.

Para Gilberto Aguilar Júnior, da AM Engenharia e Soluções Ambientais, um dos prestadores de serviço, a reunião foi esclarecedora. “Ficou muito claro que todas as exigências da instituição referente ao plantio são com base em pesquisas realizadas por professores e pesquisadores da ESCAS e equipe do IPÊ. Os estudos norteiam a melhor forma de nós prestadores executarmos o trabalho no campo”, disse.

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IPÊ inicia temporada 2022 dos Encontros dos Saberes

29 de março de 2022 Por Cibele Quirino

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A Reserva Biológica do Rio Trombetas, no Pará, é a primeira unidade de conservação da Amazônia a sediar a temporada 2022 dos Encontro dos Saberes. A iniciativa, promovida pelo Projeto de Monitoramento Participativo da Biodiversidade (MPB), do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), é um espaço de diálogo entre pesquisadores, monitores e gestores de unidades de conservação a respeito das experiências de cada um sobre a manutenção da biodiversidade local. 

 “Esses encontros funcionam como um espaço de troca entre diferentes atores sociais que atuam no monitoramento das unidades de conservação. A partir das informações adquiridas com essa troca, criamos um espaço de conversa onde diversas fontes de conhecimentos, e especialmente do conhecimento tradicional, dialogam e encaminham soluções a respeito da melhor forma de preservação desses territórios”, explica Leonardo Rodrigues, coordenador pedagógico do projeto MPB. 

Leonardo afirma que a nova rodada dos Encontro dos Saberes tem gerado diversas expectativas entre os participantes, pois marca a retomada de uma agenda interrompida pela pandemia. “O retorno desses encontros reanima o processo de monitoramento nesses territórios e amplia a participação e o interesse de novos monitores e gestores das unidades de conservação na luta pela conservação da biodiversidade”.

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Crédito: Bruno Bimbato/IPÊ

Desde o início do projeto MPB, em 2014, o Instituto de Pesquisas Ecológicas já realizou oito encontros presenciais e dois seminários amplos envolvendo diversos parceiros da instituição como lideranças locais, gestores do ICMBio, monitores e pesquisadores.

Este ano estão previstos nove encontros presenciais em nove diferentes unidades de conservação. Além da REBIO do Rio Trombetas, os eventos serão realizados nas Reserva Extrativista (RESEX) do Cazumbá-Iracema, RESEX Baixo Juruá, Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Itatupã-Baquiá, Floresta Nacional Jamari, RESEX Rio Ouro Preto, RESEX Rio Unini, Parque Nacional do Jaú e Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque.

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Crédito: Bruno Morales/IPÊ

Confira a agenda dos Encontros dos Saberes 2022

– REBIO Rio Trombetas: 21 de março

– RESEX Baixo Juruá: 1º de abril

– RDS Itatupã-Baquiá: 8 de abril 

– RESEX Rio Ouro Preto: 19 de abril

– Floresta Nacional Jamari: 22 de abril

– RESEX do Cazumbá-Iracema: 28 de abril

– RESEX Rio Unini: 13 de maio

– Parque Nacional do Jaú: 1 de junho

– Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque: 10 de junho

O Projeto MPB conta com apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional – USAID e da Fundação Beth Moore.

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Projeto do IPÊ promove a soltura de 2.500 quelônios em UCs na Amazônia

24 de março de 2022 Por Cibele Quirino

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Moradores de comunidades do Parque Nacional (Parna) do Jaú e da Reserva Extrativista (Resex) Rio Unini, no Amazonas, realizaram, entre os meses de janeiro e fevereiro deste ano, a soltura de 2.500 quelônios. Os animais, das espécies tartaruga-da-amazônia, irapuca, tracajá e iaçá, foram soltos com a orientação dos pesquisadores do projeto de Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação (MPB), realizado pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas em parceria com o ICMBIO – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, através do programa Monitora. 

O Monitoramento de Quelônios, com parceria do projeto MPB, ocorre desde 2014 no Parna do Jaú e na Resex Unini. Através do monitoramento, os pesquisadores avaliam dados reprodutivos das espécies, além de dados sobre o deslocamento dos indivíduos dentro de um mesmo rio, estimativas como taxa de crescimento, razão entre os sexos e faixa etária dos indivíduos por espécie. A coleta é realizada com uma rede de captura. Os animais são coletados, marcados e soltos. 

 

Soltura de Quelônios MPB RESEX Unini 2

“Esse ano foi bastante conturbado para quem trabalha com a conservação de quelônios. Além de muitas praias não ‘aparecerem’ pelo nível alto da seca, após as grandes cheias dos rios, as fêmeas demoraram para desovar e muitos ninhos foram perdidos pelas enchentes que atingiram a região.  Mas, mesmo com todos esses desafios, os monitores têm conseguido garantir a soltura das espécies e gerado resultados importantes para fornecer subsídios para a gestão de áreas protegidas com base no estado de conservação das espécies”, afirma Virgínia Bernardes, coordenadora regional do Monitoramento de Quelônios e pesquisadora do IPÊ. 

A ação de soltura fecha a temporada do Monitoramento de Quelônios do projeto MPB na Amazônia. Com o término do projeto, as Unidades de Conservação seguem com o monitoramento em parceria com as comunidades. 

 

Soltura de Quelônios MPB RESEX Unini 3

Sobre o MPB

Na busca por uma grande participação social na conservação de Unidades de Conservação (UCs) na Amazônia, o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), realiza o projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade, em 18 UCs do bioma. O trabalho acontece desde 2013 e conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore, USAID, Programa ARPA e mais de 20 instituições locais. Por meio do projeto, comunidades que vivem nas UCs ou próximas a elas, participam de cursos e capacitações para se transformarem em monitores da biodiversidade da floresta, em uma troca constante de conhecimentos com pesquisadores do IPÊ e gestores do ICMBio. Desde a sua implementação, mais de 4.000 pessoas se beneficiaram do projeto.

 

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Fundo LIRA inicia o apoio às associações indígenas e extrativistas e aumenta rede de proteção e desenvolvimento das áreas protegidas da Amazônia 

18 de março de 2022 Por Cibele Quirino

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Vinte e cinco projetos na Amazônia de três  cooperativas, 10 associações extrativistas e 12 associações indígenas estão aprovados pelo Fundo LIRA e iniciaram as ações em março de 2022. O apoio a esses projetos é realizado via Fundo LIRA, uma parceria entre o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, a Fundação Gordon and Betty Moore e o Fundo Amazônia/BNDES. O Fundo tem como objetivo aportar recursos financeiros para associações representantes de povos e comunidades tradicionais que exercem seus propósitos como guardiões das florestas. 

Os projetos aprovados participaram de uma seleção via edital que contou com  três fases: manifestação de interesse; capacitação em elaboração de projetos; e inscrição do seu projeto.

Confira as associações e cooperativas que tiveram os projetos aprovados:

12 associações indígenas: Pupykary, Apij, Olatawawa, Aippy, Agir, CWP, Pykore, Kapot Jarina, Oibi, Aikp, GAP EY, Assiza. 

10 associações extrativistas: Amaru, AMA II, APCT, Amarjuma, Asmacaru, Julião, Amaflec, Asarc, Acaje, Aguape. 

Três cooperativas: Coopeab, Cooperar, Coopaflora. 

Cada projeto selecionado vai receber um aporte de até R$ 150 mil reais – totalizando R$ 3,75 milhões – e deve ser executado no período de até 18 meses. O Fundo LIRA gerencia no total R$ 6 milhões em investimento.  Os 25 projetos serão realizados em 22 áreas protegidas da Amazônia com um total de 1.300 beneficiários diretos. Os projetos vão promover ações de governança, monitoramento,  vigilância e de fomento a sete cadeias da bioeconomia florestal (castanha, farinha, cacau, pimenta, óleos, artesanato e turismo). Como resultado, 14 negócios socioprodutivos serão implementados, 12 obras de infraestrutura realizadas,  15 publicações e estudos desenvolvidos, além da  capacitação de 700 pessoas.

A partir desse momento, os projetos vão seguir uma Trilha Formativa voltada à capacitação em diversas frentes das organizações:  administrativa, financeira, gestão, captação de recursos e comunicação, além de visitas técnicas e intercâmbios entre elas.    Dessa forma, o LIRA  fortalece a gestão das organizações para que possam ter mais autonomia nos territórios. 

O início

Nos dias 07 e 11 de março, os profissionais das organizações participaram do 1º Encontro do Fundo LIRA.  No evento realizado de forma 100% online,  além da apresentação de cada projeto, os participantes  também levantaram possibilidades de trocas e sinergias entre eles. A equipe do LIRA  compartilhou o Manual de Execução de Projetos que norteará a implantação das ações nas esferas técnica, financeira e de comunicação. 

Alexandra Borba Suruí, da Associação Gap Ey, conta que mesmo dentro da Amazônia parece existir falta de conexão entre as associações e vê neste projeto uma oportunidade de mudança. “Se estivermos conectados, podemos, inclusive, consumir produtos uns dos outros”, diz. Para Adjair Mota, da Associação ACAJE, o Fundo LIRA é inovador pois todos os projetos visam desenvolver as capacidades dentro da comunidade. “O que é construído, fica na comunidade, isso é genial! Além da oportunidade de desenvolver a gestão institucional, por que muitas vezes a associação não tem possibilidade de gerir seus próprios recursos e precisa de terceiros”, afirma. 

Esses novos parceiros integram agora a Rede LIRA, que conta com nove projetos em desenvolvimento há mais de um ano, contemplados por outro edital. O objetivo do LIRA é ampliar e dar visibilidade a todas as vozes da Amazônia.  Rafael Almeida, analista do Fundo Amazônia/BNDES, também participou do evento e reforçou o potencial da aliança entre as iniciativas.  “Essa conexão entre pessoas que estão, de fato, lidando com as questões da floresta é essencial,  um legado que vai ficar para o futuro, para além do projeto LIRA”.

Saiba mais sobre o LIRA

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Programa de Conservação do Mico-leão-preto compartilha aprendizados no Simpósio sobre Manejo de Populações

3 de março de 2022 Por Cibele Quirino

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Durante o evento, que integrou o  Encontro Conjunto das Sociedades Internacional  e Latinoamericana de Primatologia (IPS-SLAPrim 2022) realizado em Quito/Equador, no início deste ano, Gabriela Rezende apresentou a experiência do Programa de Conservação do Mico-leão-preto (IPÊ) com manejo de populações através de translocação de micos, realizado de 1995 a 2008.

Na época, a pesquisadora do IPÊ, Patrícia Medici, iniciou essas ações de manejo que, no total, já movimentaram 22 micos-leões-pretos para a Fazenda Mosquito (Pontal do Paranapanema) em um fragmento onde a espécie não estava mais presente. “Alguns micos vieram da Fazenda Rio Claro (Lençóis Paulista/SP) e outros de fragmentos que foram desmatados na região de Buri/SP. O IPÊ acompanha esses micos na Mosquito desde então e sabemos que essa nova população conseguiu se estabelecer e permanecer na área. Estamos planejando realizar, em breve, um censo para avaliar se essa população é viável ou se precisamos de mais ações de manejo para torná-la viável no longo prazo”.

Gabriela destaca a translocação como a ferramenta mais vantajosa para manejo metapopulacional de mico-leão-preto. “Essa é uma ação de menor custo e complexidade, quando comparada à reintrodução de animais de cativeiro. O manejo de populações é uma estratégia de curto prazo que deve ser trabalhada junto com o manejo do habitat – a restauração”.

Para a pesquisadora é essencial investir nas duas frentes. “Se focarmos no manejo e não cuidarmos do habitat não teremos o resultado esperado, por outro lado se cuidarmos do habitat sem realizar manejo, pode ser que a gente perca populações no tempo em que essa floresta está sendo restaurada. São duas demandas que devem ser trabalhadas de maneira simultânea, já que uma contribui com a conservação no curto prazo e a outra no longo prazo”.

Lições Aprendidas

Gabriela também compartilhou durante o Simpósio as principais lições aprendidas com a translocação de populações:

– Realizar o monitoramento pré e pós-manejo, por meio de uma metodologia padronizada, que possibilite a avaliação do sucesso;

– Quanto menos intervenção melhor será a adaptação dos indivíduos ao novo ambiente;

– Entraves burocráticos podem prejudicar a translocação. Essas ações são planejadas e devem ser realizadas no cronograma previamente estabelecido, na velocidade necessária.  

Essas e outras lições estão sendo consideradas para o planejamento das próximas ações de manejo que o projeto pretende realizar para conservar a espécie no estado de São Paulo. O manejo de populações de mico-leão-preto é uma ação presente no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas da Mata Atlântica e da Preguiça-de-coleira (PAN PPMA/ICMBio), que é parte da estratégia nacional e global de conservação da biodiversidade.

Análise do gasto energético dos micos-leões-pretos indica caminhos para a conservação na Mata Atlântica 

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