Com público recorde, a SOBRE 2026 – VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica reuniu mais de 1.500 profissionais que atuam na cadeia da restauração, nesta semana de 27 a 31 de julho, em Brasília/DF. Eduardo Ditt, diretor executivo do IPÊ, que também esteve no evento, reforçou o potencial de encontros como esse. “Cada um (cada instituição, profissional) tem uma forma de integrar pesquisa, criatividade, inovação para construir soluções. Essa troca é muito importante e isso casa muito com a forma como o IPÊ atua baseada em pesquisa, com a disseminação dos aprendizados, por meio da educação. Então para nós foi uma experiência muito boa”.
Esta edição também marcou a estreia do tema Comunicação na programação oficial do evento. “O IPÊ trouxe algumas experiências que talvez sejam novas para algumas pessoas, como por exemplo as estratégias de comunicação. A nossa equipe organizou um evento e a gente percebeu as reações dos participantes, como eles ficaram interessados em como se constrói uma agenda e uma estratégia de comunicação e como isso pode ser aplicado nos trabalhos de restauração”, destacou Ditt, diretor executivo do IPÊ. Confira logo abaixo.
Tecnologias como aliadas da conservação, envolvimento da comunidade, sistema produtivos sustentáveis, além de políticas públicas, como o Planaveg estão entre os destaques desta edição da SOBRE. Confira os depoimentos dos pesquisadores do IPÊ que trazem temas-chave do evento relacionados ao trabalho de cada um na prática.
Restauração florestal
“Os trabalhos do IPÊ no Pontal refletem bem todas as discussões, como a de tecnologia e o envolvimento das comunidades, por exemplo. Na parte de tecnologia há um esforço tanto para mensurar estoque de carbono quanto para manutenção de áreas. A instituição também está engajada no desenvolvimento de pessoas para trabalhar com restauração. O IPÊ vem trabalhando a cadeia da restauração ecológica permeando vários segmentos, como o de produção de mudas e o de prestação de serviços”, Haroldo Borges, coordenador de campo do IPÊ no projeto Corredores de Vida.



Sistemas produtivos sustentáveis
“Tivemos a oportunidade de acompanhar uma mesa com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) discutindo restauração produtiva, recuperação produtiva no âmbito das grandes metas governamentais, tanto relacionadas ao Planaveg quanto com o Caminhos Verdes, um projeto do MAPA de transição de paisagens degradadas para sistemas produtivos sustentáveis. Acredito que estamos no caminho certo e com certeza o que estamos fazendo no sul da Bahia está completamente alinhado às políticas públicas e aos territórios que estão trabalhando com essa temática da recuperação produtiva”, Maria Otávia Crepaldi, pesquisadora à frente da atuação do IPÊ no Sul da Bahia.


Monitoramento da Biodiversidade
“Estamos bem alinhados com as práticas de monitoramento consolidadas. Apresentamos no espaço Banca de Exposições, da SOBRE, nosso Protocolo de Monitoramento, uma publicação de 2025 (em inglês que envolve comunidade, biodiversidade e clima. A publicação foi desenvolvida a partir de um material do WRI de alguns anos, adaptamos os indicadores a nossa realidade no Pontal e fizemos um estudo de caso sobre. Explicamos como fizemos essas adaptações dos indicadores e dessa forma é possível ajustá-lo a cada realidade”, Carolina Biscola, pesquisadora de monitoramento no projeto Corredores de Vida, realizado no Pontal do Paranapanema (SP). A publicação está disponível gratuitamente no site do IPÊ.

Rodadas de Conexões
Entre as novidades desta edição a SOBRE estavam as Rodadas de Conexões com a proposta reunir representantes de diferentes esferas – comunidade, terceiro setor, governo, iniciativa privada e universidade – com interesses no mesmo tema, em um momento que favoreceu a busca por soluções integradas frente aos desafios do setor.
Para Jovenilson de Souza Corrêa, o ‘Tico’, comunitário ribeirinho da RDS Puranga Conquista (AM), a dinâmica baseada em um cadastro prévio de interesse trouxe, de fato, avanços. “Como comunitário, foi muito importante participar e entender a lógica dos órgãos ambientais que estavam presentes. Fizemos conexões e espero que dê certo”.
Gustavo Brichi, técnico extensionista nos projetos Semeando Água (SP e MG) e Reflora (AM), também aprovou a novidade. “Esse momento foi muito produtivo, a metodologia foi muito boa no sentido de promover interações entre as diversas instituições, os diversos setores: público, privado, órgãos ambientais e terceiro setor foi muito interessante. A união dessa diversidade é realmente um ponto-chave para pensar em soluções coletivas. Surgiram realmente conexões e oportunidade”.


Comunicação e projetos de restauração ecológica
As jornalistas Cibele Quirino e Paula Piccin levaram o tema Comunicação pela primeira vez à SOBRE, no workshop “Como elaborar um planejamento de comunicação estratégica para o seu projeto”. Cerca de 30 pessoas acompanharam a sessão, na UnB, em Brasília.

Cibele Quirino e Paula Picicn
“Os projetos de restauração ecológica têm um impacto relevante para o Brasil e seus profissionais precisam estar preparados para se comunicarem de maneira assertiva, transformando a ciência que exercem em campo e seus resultados em informação relevante para as pessoas. Trazer esse tema para esse ambiente de trocas e rico em experiências focadas em restauração foi bem importante.”, explica Cibele Quirino, coordenadora de conteúdo do IPÊ.
Como definir públicos, o papel de um bom storytelling e como medir resultados foram alguns temas debatidos, assim como as dificuldades de execução das ações de comunicação dos projetos. Profissionais da restauração de universidades, governo e ONGs estiveram presentes e saíram do encontro com dicas essenciais para desenvolverem planejamentos eficazes.
“O profissional da conservação socioambiental é uma fonte importante de informação para a sociedade, porque exerce a restauração florestal e a pesquisa científica na prática. Muitas vezes a informação gerada em campo se perde ou não alcança seus públicos por falta de um olhar mais objetivo para a comunicação. Saber comunicar de forma adequada ajuda não só a fortalecer a causa como a combater a desinformação climática e o negacionismo científico, utilizados de forma intencional para confundir a opinião pública e frear os avanços na área”, comenta Paula Piccin, coordenadora de comunicação institucional do IPÊ.