Um dos resultados mais emblemáticos do Projeto Reconecta foi alcançado no município de Alta Floresta, no norte de Mato Grosso. Em apenas 15 meses de monitoramento, as sete pontes de dossel instaladas na cidade registraram quase 15 mil travessias de animais arborícolas, incluindo espécies ameaçadas e de grande relevância para a conservação da Amazônia, como o zogue-zogue-de-Alta-Floresta (Plecturocebus grovesi), o macaco-aranha-de-cara-preta (Ateles chamek), o bugio-ruivo (Alouatta puruensis), o mico-de-Schneider (Mico schneideri), o macaco-da-noite (Aotus infulatus) e o macaco-prego (Sapajus apella).
Entre todas essas espécies, o grande símbolo da iniciativa é o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, um primata descrito pela ciência apenas em 2019 e classificado como Criticamente Ameaçado de Extinção. Encontrado exclusivamente em uma pequena região do norte de Mato Grosso, o zogue-zogue depende das copas das árvores para se deslocar, encontrar alimento e reproduzir-se. A fragmentação causada pela expansão urbana e pela infraestrutura de transportes transformou ruas e avenidas em barreiras para a espécie. As pontes de dossel oferecem uma solução direta para esse desafio, permitindo travessias seguras e contribuindo para a conservação de uma espécie que existe apenas nessa região do planeta.
“Ver o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, uma espécie que existe apenas na nossa região e que se tornou um símbolo da cidade, utilizando as pontes de dossel é algo emocionante. Cada travessia registrada representa uma oportunidade de sobrevivência para essa espécie criticamente ameaçada e reforça a importância de investirmos em soluções que mantenham a floresta conectada”, afirma Vitória Da Riva, da Fundação Ecológica Cristalino.
Esses resultados são fruto do programa Alta Floresta Não Atropela, uma iniciativa municipal criada para reduzir atropelamentos de fauna e promover a conectividade da paisagem em uma das regiões mais importantes para a biodiversidade amazônica, do qual faz parte o projeto Reconecta, iniciativa do IPÊ, Instituto Reconecta, ViaFAUNA, e Smithsonian National Zoo and Conservation Biology Institute.
O programa reúne esforços da Prefeitura de Alta Floresta, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, da Secretaria de Trânsito, do Instituto Reconecta, da Fundação Ecológica Cristalino, da Fazenda Anacã, da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), além de organizações da sociedade civil, proprietários rurais, financiadores e diversos parceiros nacionais e internacionais comprometidos com a conservação da fauna.
“O Reconecta e o Programa Alta Floresta Não Atropela transformaram Alta Floresta em uma referência para a conservação da fauna em áreas urbanas da Amazônia. Os resultados demonstram que, com ciência, parceria e planejamento, é possível proteger a biodiversidade e promover o desenvolvimento sustentável”, afirma Gercilene Meira Leite, Secretária Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Alta Floresta.
Fernão Prado, da Fazenda Anacã, complementa. “Para nós, é uma grande honra ter três pontes de dossel instaladas próximas à Fazenda Anacã. As pontes ajudam a manter os animais seguros e, ao mesmo tempo, fortalecem o turismo de natureza, permitindo que visitantes conheçam a extraordinária biodiversidade da região. É um excelente exemplo de como conservação e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos.”
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