Até o mês de maio, a expectativa do Projeto REFLORA, iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, é plantar mais de 15 mil mil mudas. A ação é uma etapa fundamental do planejamento estratégico que tem como meta restaurar até 200 hectares na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, localizada no Baixo Rio Negro, em Manaus (AM).

Os plantios ocorrem aproveitando a janela do período chuvoso na região, que se concentra no primeiro semestre do ano. Esse cronograma é essencial, pois o solo mais úmido e as chuvas frequentes favorecem o enraizamento e o desenvolvimento inicial das espécies nas áreas em processo de recuperação ecológica.
Avanços e resultados em campo
O ano de 2025 marcou o primeiro ano de execução em campo do projeto, registrando números expressivos: mais de 8 mil mudas plantadas, resultando na implementação de 66,85 hectares.
Para a campanha de 2026, além de novas áreas prospectadas dentro da RDS, novos comunitários passarão a receber o projeto em suas propriedades.

A campanha atual também traz um importante diferencial ambiental: a geração de resíduo plástico está significativamente reduzida, pois as mudas adquiridas para esta etapa foram em sua maioria produzidas em tubetes reaproveitáveis ao invés de em sacos plásticos, como é frequente na região.
Após o uso, esses tubetes são devolvidos aos viveiros para serem reaproveitados na produção de novas mudas.
Viveiros comunitários
Um dos grandes marcos desta nova fase é a consolidação de quatro viveiros comunitários implantados pelo REFLORA na RDS em 2025. Essa infraestrutura fortalece diretamente a autonomia das comunidades locais, ampliando a capacidade de recomposição florestal com espécies estratégicas tanto para o meio ambiente quanto para os sistemas produtivos das famílias a médio e longo prazo.
Atualmente, os quatro viveiros já produziram mais de 6.500 mudas que estão sendo utilizadas nos plantios de 2026. Cada viveiro tem capacidade produtiva de até 7 mil unidades por ano.
O portfólio inclui mais de 20 espécies nativas, abrangendo variedades madeireiras e frutíferas como itaúba, jatobá, cajuí, andiroba, cacau, café e cumaru.

A escolha das espécies reflete as demandas das famílias, sendo os próprios comunitários quem decidem o que será plantado em suas propriedades. Entre os motivos que explicam a escolha dessas mudas estão: a exploração histórica de espécies madeireiras ao longo dos anos, que resultou na redução e, em alguns casos, na escassez de árvores matrizes nas proximidades das comunidades; a baixa disponibilidade de algumas espécies frutíferas nos quintais e no entorno das propriedades, limitando a segurança alimentar e a geração de renda; além da necessidade de recompor funções ecológicas das áreas degradadas.
Soma-se a isso a priorização de espécies que favoreçam a atração de fauna, especialmente dispersores de sementes e polinizadores, contribuindo para o restabelecimento de interações ecológicas e para o fortalecimento dos processos naturais de regeneração nas áreas em restauração.
O modelo de trabalho do REFLORA é essencialmente participativo. Os comunitários realizam todas as etapas do processo: coletam as sementes na floresta (garantindo a adaptação local), preparam, semeiam e manejam as mudas até a fase de plantio.
Nesse arranjo, eles atuam como fornecedores do projeto, produzindo mudas mais leves e com menor custo, o que facilita a logística de transporte na Amazônia e reduz a dependência de fornecedores externos.

Para garantir a qualidade, o IPÊ também investiu na formação técnica desses moradores, oferecendo capacitações sobre coleta e beneficiamento de sementes, preparo de substratos e manejo de viveiros.
Reforçando ainda mais essa integração no território, neste ano a equipe de campo conta com o apoio de mais cinco comunitários contratados para a execução do plantio, somados aos três que já faziam parte. Todos eles são da própria RDS Puranga Conquista.

Essa contratação, além de ser estratégica para a execução do trabalho do projeto, também funciona como uma rica troca de informações. Os colegas incorporados à equipe contribuem com seus conhecimentos sobre o território e, em contrapartida, passam a ter conhecimento técnico sobre os sistemas de plantio, produção e manejo de mudas para o transporte.
Eles também aprendem sobre a importância da restauração ecológica produtiva para a RDS, uma região que já enfrenta um pouco da ausência de espécies como a Itaúba, que foi muito extraída historicamente para uso na construção naval na região.
Sobre o Projeto REFLORA
O Projeto REFLORA integra o Edital Amazonas – Floresta Viva. O Floresta Viva é uma iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), criada para apoiar projetos de restauração ecológica na Amazônia e nos diversos outros biomas do país.
O edital 02/2023 é gerido em parceria com o FUNBIO e recebe apoio financeiro do BNDES, da Eneva S.A. e da Cooperação Alemã (via KfW), além do Governo do Brasil. O fortalecimento dos viveiros também contou com recursos do Mais Unidos, por meio do Projeto Tucumã. A iniciativa atua ainda em conjunto com importantes parceiros institucionais e do setor privado, como a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA), a APCT e a Natura