Com o objetivo de promover a troca de saberes entre agricultores amazônidas, o projeto Agroecologia em Rede organizou uma visita de intercâmbio à Cooperativa RECA – Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado, em Rondônia. Durante dois dias, 15 agricultores que são beneficiários do projeto Agroecologia em Rede conheceram de perto as experiências em produção agroecológica, gestão coletiva e o processo de beneficiamento de produtos da sociobiodiversidade, como polpas, manteiga de cupuaçu, mel, óleos, licores e geleias.
A Cooperativa RECA existe desde 1989 e conta com 300 famílias de agricultores que cultivam mais de 40 espécies entre árvores e plantas frutíferas, madeireiras e medicinais em uma área de 1.000 hectares. Durante o intercâmbio, o grupo realizou visitas técnicas às agroindústrias da RECA, conhecendo de perto maquinários utilizados no beneficiamento e agregação de valor aos produtos da cooperativa.

Grupo de 15 agricultores esteve em Rondônia visitando a cooperativa RECA. (Foto: Dirce Quintino/IPÊ)
De acordo com a técnica do projeto, Ana Laura Módolo, o intercâmbio na cooperativa RECA é parte das ações formativas previstas no projeto Agroecologia em Rede. “Essa atividade permitiu que nossos agricultores conheçam práticas bem-sucedidas de organização, produção e comercialização dos produtos da sociobiodiversidade. Essa partilha fortalece os laços entre territórios e amplia as possibilidades de atuação agroecológica na Amazônia”, afirmou.
Troca de conhecimento
Os agricultores também visitaram propriedades de cooperados da RECA que adotam práticas orgânicas, como o sítio de Sérgio Lopes, um dos sócios-fundadores da cooperativa. No local, conheceram um sistema agroflorestal implantado há mais de 30 anos, onde se cultiva uma diversidade de espécies como castanha-da-Amazônia, cupuaçu, cacau, açaí solteiro, andiroba, copaíba, pupunha, bacaba, laranja, banana, teca, macaxeira entre outras.

Agricultores conhecem unidades de beneficiamento da cooperativa. (Foto: Dirce Quintino/IPÊ)
Durante as conversas entre os agricultores, destacou-se a importância de realizar a poda das plantas de acordo com as fases da lua — uma prática tradicional que, além de respeitar os ciclos naturais, é considerada fundamental para promover a saúde das árvores frutíferas. Segundo os agricultores, o ciclo lunar influencia diretamente no desenvolvimento das plantas, contribuindo para uma maior produtividade, qualidade dos frutos e minimização de doenças.
“É sempre muito bom receber visitas como essa. A gente aprende, mas também compartilha o que vivencia aqui. Esse tipo de intercâmbio é importante porque permite a troca de experiências — aprendemos com quem vem de fora e eles também conhecem a nossa realidade”, comentou Thiago Berkembrock, coordenador de projetos do RECA.
Para o agricultor Thiago Morais, representante da Associação de Produtores Orgânicos Renascer do Careiro da Várzea – ASPRORCAV, a gestão da RECA foi o ponto de destaque do intercâmbio. “O que mais me chamou atenção foi a forma de organização deles, especialmente a estrutura administrativa da associação. É algo que podemos levar como referência para a nossa própria associação, que será contemplada com uma agroindústria”, concluiu o agricultor.

Durante o intercâmbio agricultores conheceram área de SAFs implantado há 30 anos. (Foto: Dirce Quintino/IPÊ)
Sobre o Agroecologia em Rede
O projeto Agroecologia em Rede trabalha por meio de assessoria e capacitação, visando fortalecer as organizações locais, com a estruturação das unidades de produção, certificação orgânica e apoio à comercialização para a melhoria da qualidade de vida de agricultores familiares e a conservação da biodiversidade.
O projeto atua em nove municípios do Amazonas: Manaus, Apuí, Iranduba, Rio Preto da Eva, Careiro da Várzea, Borba, Manicoré, Urucurituba e Tefé. Com o projeto, a estimativa é impactar a conservação de 12,5 milhões de hectares de floresta, em uma Unidade de Conservação Estadual e cinco Assentamentos Rurais. O projeto Agroecologia em Rede é realizado pelo IPÊ em parceria com a Rede Maniva de Agroecologia (Rema) e tem financiamento do Fundo Amazônia/BNDES.