RA2019 – Carta de abertura – Eduardo Ditt
::cck::610::/cck::
::introtext::
Caro leitor,
Nas próximas páginas você encontrará um relato das principais realizações do IPÊ no ano que antecedeu a disseminação do corona vírus no Brasil e no mundo.
Em 2019, o Brasil foi tristemente marcado por tragédias socioambientais, como o rompimento da barragem de Brumadinho, os vazamentos de petróleo no litoral e o substancial aumento nas queimadas na Amazônia. Tais questões provocaram incalculáveis perdas para os seres humanos e para o mundo. Ao mesmo tempo, foram decisivas para que o meio ambiente ocupasse mais espaço na imprensa e na pauta dos tomadores de decisão. No ano seguinte, em 2020, esse espaço foi tomado pela crise do Covid-19 e por todos os seus desencadeamentos, agregando mais elementos para refletirmos sobre nossa relação com o planeta.
Essa reflexão nos leva a reconhecer a necessidade de repensarmos a agenda e os rumos do desenvolvimento da nossa sociedade. Se estamos nos deparando com uma das maiores crises econômicas da história, esse pode ser um momento oportuno para que o processo de reconstrução de nossos modelos de desenvolvimento seja pautado por princípios de sustentabilidade e conservação ambiental. Por essa razão, mais do que nunca, nossos projetos socioambientais e a nossa escola, ESCAS, têm um papel fundamental e podem oferecer relevantes contribuições para a construção de uma agenda verde de desenvolvimento no período pós covid-19. Precisamos gerir, intercambiar e disseminar conhecimento, especialmente aquele que é voltado para a inovação e para a sustentabilidade. É isso o que fazemos por meio da ESCAS (que atingiu a marca de 7.029 alunos beneficiados desde sua criação) e por meio dos nossos projetos, de forma prática.
O mundo precisa de exemplos e casos reais de cuidados com a biodiversidade e de uso responsável dos recursos naturais. Com nossos projetos buscamos isso e alcançamos resultados importantes como o total de 3,2 milhões de árvores plantadas na Mata Atlântica. Tudo isso com uma lógica de planejamento integrado de paisagem, construído a partir do conhecimento gerado por nossas pesquisas e discutido junto com os atores locais. Você poderá ver aqui os nossos avanços para o corredor norte no Pontal do Paranapanema, rumo à concretização do “mapa dos sonhos de conectividade”. Já na região do Cantareira nossas ações foram voltadas para auxiliar os produtores rurais na transição para sistemas mais sustentáveis de produção e de geração de renda.
Ainda falando em paisagens, temos muito a relatar sobre nossas contribuições através dos projetos “LIRA”, “MOSUC” e “MPB”, para que as áreas protegidas na Amazônia desempenhem seu papel com efetividade, resultando em conservação de biodiversidade com o engajamento de comunidades e organizações locais.
A pesquisa científica aplicada à busca de soluções para desafios socioambientais continua sendo um dos diferenciais de nossa organização. Em relação a isso ganham destaque os trabalhos realizados pelo IPÊ em 2019 no Cerrado e no Pantanal. Nossas informações científicas sobre atropelamento de animais silvestres, com ênfase no caso das antas, e também sobre contaminação por agrotóxicos, vêm sendo cuidadosamente sistematizadas para auxiliar políticas públicas e tomadas de decisões.
Para que essas e mais ações estejam cada vez mais consolidadas e possam ser ampliadas, implantamos nesse ano o sistema “Logalto”, uma ferramenta de gestão, mensuração e demonstração das atividades, dos resultados e do impacto de tudo que fazemos. Essa medida segue a tendência global de mensuração de resultados já utilizada por outras organizações da sociedade civil.
O ano de 2019 também foi marcado por uma mudança importante para o Instituto. Claudio Padua, vice-presidente, deixa suas atividades do dia a dia no IPÊ e passa a atuar como os demais conselheiros do IPÊ, abrindo um novo capítulo relacionado ao processo de sucessão dentro da organização. A perenidade do IPÊ sempre foi preocupação de Claudio e de Suzana Padua, criadores do Instituto. A decisão ocorre em um momento único para nossa organização, tanto em termos de gestão como em termos de conquistas e resultados. A inspiração de Claudio como grande liderança permanece entre todos da equipe, juntamente com uma de suas grandes lições, a de que fazer conservação só é possível através da conexão de pessoas e diálogos entre os mais diferentes setores da sociedade, até os mais divergentes.
Todas as realizações que estão descritas neste relatório, inclusive, só foram possíveis porque o IPÊ não atua sozinho. Ao longo da nossa existência, buscamos construir parcerias sólidas com pessoas e instituições que compartilham de nossos propósitos. Em 2019, por exemplo, tivemos a felicidade de poder comemorar 15 anos de uma importante parceria com Havaianas, mostrando ser possível alinhar diversos setores a favor de uma causa benéfica a toda sociedade.
Desenvolvemos nossas parcerias porque acreditamos fortemente na interdependência. No momento atual, em que nossa sociedade se depara frequentemente com conflitos relacionados a divergências e polarizações ideológicas, apostamos na cooperação, para que possamos utilizar a diversidade a nosso favor. Esperamos que este relatório ajude a ilustrar as relações de interdependência, assim como a importância e os papéis dos cientistas, dos ambientalistas, das organizações do terceiro setor e de todos aqueles que se dedicam a uma agenda do bem para o planeta.
Boa leitura!
Eduardo H. Ditt
Secretário executivo
ACESSE AQUI O RELATÓRIO 2019
::/introtext::
::fulltext::::/fulltext::


As doações da campanha “etrip green friday” se transformaram em árvores reais no Sistema Cantareira. Dia 18 de janeiro, 320 novas árvores foram plantadas ao redor da represa Atibainha, em Nazaré Paulista (SP). O plantio foi realizado por colaboradores da etrip e diversos parceiros.