Atualizada em 16/03/2026
Pela primeira vez, a temperatura média do planeta, nos últimos três anos, ficou acima do limite de 1,5°C (com 1,51ºC), quando comparada com os níveis desde a pré-revolução industrial (1850-1900). 2025 entrou para a história como o terceiro ano mais quente. As informações são do Serviço Copernicus para as Alterações Climáticas, observatório europeu referência no tema.
Quando analisados isoladamente, segundo o Observatório, a temperatura de 2025 (1.47ºC acima dos niveis pré-industriais) foi apenas (0,01°C) mais fria do que 2023 e 0,13°C mais frio do que 2024 (que ficou 1.60ºC acima dos niveis pré-industriais) – o ano mais quente já registrado. Diante de uma perspectiva um pouco mais ampla, os últimos 11 anos também são os mais quentes já registrados.
Segundo o estudo, as alterações ambientais provocadas pelas atividades humanas que emitem GEE – Gases de Efeito Estufa, como carbono e gases equivalentes, como o metano, continuam como a principal causa de temperaturas extremas do ar e da superfície do mar.
Mudança de rota
Mas o que tem sido feito para reduzir os efeitos das mudanças climáticas que podem se tornar ainda mais intensas se a temperatura do planeta subir ainda mais? Além das tentativas de avanço, por meio do comprometimento dos países – na esfera internacional, há muito que pode ser feito nas escalas regional e local.
Organizações da sociedade civil, como o IPÊ, desenvolvem ações que contribuem com redução dos efeitos das mudanças climáticas. A restauração de áreas florestais é fundamental neste momento que vivemos de emergência climática. Assim como práticas sustentáveis de uso do solo que aumentam a produtividade de quem vive no campo e também viabilizam os serviços da natureza, como absorção da água da chuva pelo solo, polinização, água de qualidade e em quantidade, assim como a regulação climática.
A iniciativa privada também tem o potencial de implementar práticas mais sustentáveis na cadeia produtivas e ainda de apoiar organizações que realizem ações para a conservação dos ecossistemas
Entenda nos nossos projetos como a conservação da biodiversidade é uma questão prioritária para desacelerar os efeitos das mudanças climáticas.
Crédito da foto em destaque: Laurie Hedges
AMAZÔNIA
LIRA – Legado Integrado da Região Amazônica: fortalecer cadeias produtivas da sociobiodiversidade da Amazônia – a partir da valorização do modo de vida das comunidades tradicionais e indígenas – têm o potencial de favorecer o aumento de renda dessas populações e assim somar esforços com a conservação da floresta mais biodiversa do planeta, contribuir com o equilíbrio climático do planeta e caminhar para uma sociedade mais justa e igualitária. O LIRA apoia a mitigação e adaptação às mudanças climáticas e conta com ações que somam esforços com a redução do desmatamento e o consequente armazenamento de carbono da atmosfera, estimulam o manejo florestal sustentável e fortalecem os elos das cadeias produtivas amazônicas.

Navegando Educação Empreendedora: incentivo ao empreendedorismo de comunidades tradicionais que valorizam a floresta e geram renda. As comunidades são verdadeiras guardiãs da biodiversidade, uma vez que conseguem viver da floresta sem colocá-la em risco. O incentivo ao desenvolvimento de negócios sustentáveis tem como premissa a conservação da floresta, o que garante que o bioma continue oferecendo serviços ecossistêmicos, como água, regulação do clima, absorção de carbono para toda a biodiversidade, incluindo nós, seres humanos.

Reflora – Recuperação Ecológica e Implantação de Sistemas Agroflorestais Multifuncionais: restaurar áreas degradadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, localizada na região do Baixo Rio Negro, em Manaus. A iniciativa beneficia diretamente comunidades indígenas e ribeirinhas, através da conservação da biodiversidade e geração de renda.
Com a meta de recuperar 200 hectares de áreas degradadas, o Reflora utiliza espécies nativas da Amazônia, sistemas agroflorestais (mistura de árvores com plantações como frutas e hortaliças) e a regeneração de florestas secundárias. Por meio da restauração ambiental, o projeto busca fortalecer a economia das 18 comunidades da RDS, com foco na coleta de sementes, produção de mudas e conexão com mercados de produtos florestais.

MATA ATLÂNTICA
Corredores de Vida: o projeto que já plantou mais de 10 milhões de mudas nativas tem como base o tripé Clima, Comunidade e Biodiversidade. Todas as ações de restauração são realizadas com o envolvimento da comunidade e também vem contribuindo com a conservação de recursos hídricos, da fauna e da flora. Durante o desenvolvimento, as mudas de árvores captam carbono e assim reduzem os efeitos das mudanças climáticas.

Crédito: Laurie Hedges
Viveiros Comunitários: toda ação de restauração tem nos viveiros parceiros essenciais. Até o envio das mudas para a área de plantio, um longo caminho é percorrido, desde a coleta das sementes, germinação e crescimento das mudas. Os resultados de médio e longo prazo da restauração, como o retorno da biodiversidade à área, a proteção dos cursos d´água, a absorção de tCO2eq e a oferta de serviços ecossistêmicos só são possíveis porque muitas pessoas cuidaram das sementes até que se tornassem mudas com condição de enfrentar as adversidades das áreas desmatadas.

Sistemas Agroflorestais: temperaturas reduzidas são uma característica dos SAFs que contribuem com o bem-estar do produtor rural, mas também da biodiversidade que passa a utilizar essas áreas para travessias mais seguras. Por conta da proximidade das áreas de restauração florestal, os SAFS também favorecem a dispersão de sementes, o consequente adensamento das áreas e a oferta dos serviços da natureza, como melhora da qualidade da água, do ar e a regulação climática, por exemplo.

Prospera – Projeto de Restauração Orientada e Sustentável para Produção Ecológica, Regeneração Ambiental e Renda Ampliada: criação de um trecho do Corredor Central da Mata Atlântica, abrangendo as cidades de Prado, Porto Seguro e Itamaraju que atravessa propriedades privadas, áreas com agricultura familiar e Terras Indígenas. A iniciativa apoia o produtor rural no planejamento de uso da terra, visando aumentar a produtividade, qualidade do solo e disponibilidade da água nas propriedades. Tudo isso por meio da restauração ecossistêmica e da recuperação produtiva de um trecho. Os ecossistemas restaurados e as práticas de gestão sustentável da terra em propriedades privadas criarão condições para manter as funções ecológicas, o fluxo gênico entre as espécies, aumentar a resiliência e mitigar o impacto das mudanças climáticas e atividades humanas.

INCAB – Iniciativa Nacional para Conservação da Anta Brasileira: durante 10 anos, na Mata Atlântica, pesquisadores compararam áreas de floresta utilizadas por mamíferos herbívoros, incluindo a anta-brasileira (Tapirus terrestris) e a queixada (Tayassu pecari), e áreas para as quais o acesso desses animais foi bloqueado por plots de exclusão (cercas). O resultado principal é que as áreas utilizadas por esses animais apresentaram menor perda de diversidade do que as áreas cercadas, ou seja, os grandes herbívoros têm papel essencial para desacelerar a perda de diversidade florestal por conta do importante papel como dispersores de sementes. Dessa forma, eles também contribuem com o equilíbrio climático.

Crédito: Luiz Claudio Marigo
Semeando Água: restauração florestal e a implementação de sistemas produtivos sustentáveis, como silvicultura, por exemplo, aumentam a conectividade da paisagem, o que beneficia a troca genética de espécies de fauna e da flora e assim a conservação da biodiversidade. À medida que essas áreas são restauradas, elas também passam a capturar carbono da atmosfera. Com práticas de campo mais sustentáveis, uma das consequências na região do Sistema Cantareira é o aumento da resiliência da segurança hídrica do Sistema Cantareira, algo fundamental diante dos efeitos das mudanças climáticas.

Unidade de Negócios Sustentáveis: o setor privado pode e deve ser um agente de mudanças que caminha, junto com a sociedade civil e o governo em direção a um caminho mais sustentável. Ampliar a base de parceiros empresariais aumenta o nosso impacto – seja na restauração florestal, no fomento a sistemas produtivos sustentáveis ou ainda na conservação de espécies ameaçadas de extinção – e assim promove ações transformadoras para o mundo que desejamos. Precisamos engajar a sociedade num processo de mudança capaz de bloquear a degradação ambiental e restaurar áreas que precisam ser recuperadas.
