As metas de conservação do Pantanal e das espécies migratórias são ambiciosas e necessárias. Ciência, envolvimento comunitário, ações de planejamento de paisagem, educação de pessoas e comunicação para públicos diversos dependem de um financiamento de longo prazo, que sustente a implementação das transformações, que já são urgentes. Além disso, como podemos ganhar escala e fazer financiamentos que respeitem a cultura de populações e que consigam realmente chegar na ponta, para fortalecer comunidades que promovem de fato a conservação de seus territórios? As perguntas não são fáceis de responder, mas o terceiro painel do Dia do Pantanal as colocou em debate com representantes de fundos de financiamento de ações de conservação. Fernanda Marques (Funbio), Anna Flavia de Sena Franco (MMA), Artur Falcette (Semadesc) trouxeram elementos relevantes para a estruturação de um financiamento que gere impacto, em um debate conduzido por Ronaldo Morato (Panthera Brasil).

Foram três as recomendações dos especialistas: garantir a participação social na idealização e criação dos fundos; estabelecer mecanismos de acesso aos recursos na ponta; pensar como os mecanismos de financiamento dialogam com o mercado para que tenha sustentabilidade em longo prazo.
Para Fernanda Marques, só se consegue conduzir bons financiamentos a partir de bons mecanismos e isso se faz com “todas as partes interessadas contribuindo na tomada de decisão dos arranjos financeiros”. Ela lembra, porém, que a composição diversificada desses mecanismos permite ampliar o escopo de ações e, claro o acesso é peça chave. “As iniciativas visam beneficiar atores e paisagens então temos que ter preocupação de acesso a esses recursos. Quem deveria acessar, consegue realmente fazer isso? É preciso também construir uma capacidade local para a manutenção desses recursos e gerar impacto no território”.
A bioeconomia foi apontada como um caminho para a geração de renda que propicie a conservação das paisagens do Pantanal. Segundo Anna Flávia, secretária-executiva adjunta, “respeitando os modos de vida, cultura e ancestralidade, dentro de um processo produtivo e de desenvolvimento que não só respeite o modo de vida mas que tem valor de mercado, a bioeconomia pode trazer grandes benefícios na condução de iniciativas de proteção da natureza”, diz.
A estratégia de fazer financiamentos de conservação atrelados ao mercado não é nova. Prova disso é o mercado de carbono, o TFFF (lançado na COP30 em Belém), e a tendência do mercado de créditos de biodiversidade. Artur, do Fundo Clima Pantanal, defende essa como uma saída possível. “É preciso que o mercado veja valor nos ativos ambientais e fazer a integração para que isso dê certo. Senão a nossa agenda só fica no discurso. Se não tivermos capacidade de conectar com os mecanismos de mercado, não funciona. Eu enxergo essas ações como forma de longevidade para essas ações. Mecanismos de financiamento público são mecanismos de transição de curto prazo, para ganhar maturidade ao longo do tempo, e depois para serem abraçadas pelo mercado”. Saiba mais sobre as recomendações levantadas no Dia do Pantanal para os temas Ciência e Governança.