A COP15 CMS sobre espécies migratórias começou em Campo Grande (MS). A escolha do Pantanal sul-matogrossense como anfitrião não foi à toa. O bioma é rota e ponto de parada para descanso e alimentação de 190 espécies de aves migratórias e muitas delas cruzam desde o hemisfério norte à Patagônia. O evento, que acontece a cada três anos, reúne mais de duas mil pessoas, entre representantes de governo, cientistas, povos indígenas, comunidades locais, lideranças ambientais e integrantes da sociedade civil de diversas partes do mundo, com foco em promover acordos em benefício dessa biodiversidade. No mundo, existem 1189 espécies migratórias, entre peixes, mamíferos, aves e répteis, segundo a Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS).
O chamado do evento, “Conectando a natureza para sustentar a vida”, fortalece a urgência de integrar esforços globais para garantir a sobrevivência das espécies migratórias e a manutenção dos seus ecossistemas. União Europeia e 132 países estão presentes para a tomada de decisões relacionadas ao tema. Para a ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas Marina Silva, esse é um momento especial para “reacender a chama do multilateralismo em tempos desafiadores em favor da biodiversidade”.
Durante o Segmento de Alto Nível da Conferência, foram anunciadas a ampliação de áreas protegidas no Pantanal e criação de uma nova Unidade de Conservação no Cerrado. São mais de 174 mil hectares sob proteção, com essas medidas. Também foi adotada a “Declaração do Pantanal”, que reforça o papel da Convenção sobre Espécies Migratórias como principal instrumento de cooperação internacional para a conservação das espécies migratórias, com destaque para a necessidade da conectividade ecológica para a sobrevivência dessas espécies, evitando perda de habitats e os impactos das mudanças do clima.
Até o dia 29 de março, serão apresentados e discutidos cerca de 100 documentos entre os países e tomadas algumas decisões. “Está bastante claro nos discursos dos chefes de estado e demais representantes a importância das áreas úmidas para superação dos desafios com as espécies migratórias. Importante também dizer que as decisões estabelecidas aqui devem refletir e correlacionar-se às demais COPs, como a da biodiversidade, para continuidade dos processos para proteção de espécies”, afirma Miriam Perilli, pesquisadora do IPÊ.
Serão analisadas 42 propostas de inclusão de novas espécies migratórias nos anexos da convenção: o anexo I, sobre espécies ameaçadas de extinção, que precisam de proteção imediata e rigorosa por parte de todos os países onde ocorrem; e o anexo II, que trata de espécies com estado de conservação desfavorável e que dependem de cooperação entre países para sua proteção.
Espaço Conexão sem Fronteiras na COP15 tem apoio do IPÊ
O espaço Conexão Sem Fronteiras é uma iniciativa paralela aos debates técnicos da COP15, e será local de diversos eventos paralelos ao longo da COP15.
Instalado na Casa do Homem Pantaneiro, no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, o local oferece uma programação diversificada com debates, cinema e exposições, aproximando a sociedade civil das discussões sobre conservação e emergência climática ao longo do evento. Este é um resultado da parceria entre governos federais, estadual e municipal e o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), além de organizações da sociedade civil como o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas.
O IPÊ é também uma das organizações que apoia a realização da COP15 em parceria com Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, atuando nas ações que envolvem o Segmento de Alto Nível, a Recepção dos participantes, a organização de voluntários e participação de Povos e Comunidades Tradicionais e Insdígenas (PCTI), com apoio do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, Projeto GEF Pró-Espécies/FUNBIO/WWF-Brasil e The Pew Charitable Trusts.