Com capacidade de transformar matérias-primas locais em produtos de alto valor agregado, a criação de agroindústrias surge como uma das mais promissoras estratégias para ampliação da renda com incremento da economia regional na Amazônia. Impulsionar esse processo é uma das metas do projeto Agroecologia em Rede, uma iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, que realizou oficinaspara fortalecimento de cadeias produtivas locais com agricultores e agricultoras de associações que serão contempladas com duas novas agroindústrias até o próximo ano.
As oficinas mobilizaram os integrantes da Associação dos Agricultores da Comunidade São Francisco de Assis (AACSFA) e da Associação dos Produtores Orgânicos Renascer do Careiro da Várzea (ASPORCAV), nos municípios de Rio Preto da Eva e Careiro da Várzea, Durante dois dias, os participantes construíram coletivamente um fluxo produtivo que mapeou as principais etapas da cadeia de valor da produção, desde o plantio até a colheita, avançando para transporte, armazenamento e estoque, até a comercialização e a chegada do produto ao consumidor final.

Em Careiro da Várzea, associados da Renascer relatam os desafios do transporte da produção de abacaxi. Foto: Mário Ono/IPÊ
Durante a oficina, os participantes identificaram e discutiram os principais desafios enfrentados em cada etapa, como transporte demorado, falta de estrutura de armazenamento e venda com baixo valor. De acordo com a técnica do projeto, Fernanda Freda, a atividade possibilitou visualizar de forma prática os desafios da cadeia produtiva e estimulou o debate sobre possíveis melhorias para fortalecer a organização da produção orgânica e da comercialização.
A gestão da agroindústria também esteve em pauta e incluiu diagnóstico organizacional , processos decisórios, definição de responsabilidades, emissão de documentos fiscais e cumprimento de prazos. O processo contribuiu para a avaliação da capacidade institucional da associação em administrar e fortalecer seu empreendimento coletivo de forma sustentável.
“É uma forma de fortalecer o nosso trabalho e contribuir para que a associação cresça cada vez mais. A agroindústria é um sonho para todos nós da comunidade e da associação, um objetivo pelo qual temos trabalhado e lutado muito para conquistar”, afirmou a presidente da AACSFA, Etelvina Mota.

Oficinas foram conduzidas pela consultora e engenheira de alimentos Graziela Paludo. Foto: Dirce Quintino/IPÊ
O projeto Agroecologia em Rede está na fase de seleção da empresa responsável pela engenharia e arquitetura para elaboração dos projetos técnicos completos destinados à construção, regularização e sustentabilidade energética das agroindústrias comunitárias. Quando concluída, a expectativa é que a iniciativa beneficie diretamente 77 agricultores e agricultoras , cuja produção é baseada, principalmente, no cultivo de pitaya, abacaxi, macaxeira, banana e tucumã, alimentos que expressam a riqueza agrícola e cultural das comunidades atendidas.
Sobre o projeto Agroecologia em Rede
O projeto Agroecologia em Rede trabalha por meio de assessoria e capacitação, visando fortalecer as organizações locais, com a estruturação das unidades de produção, certificação orgânica e apoio à comercialização para a melhoria da qualidade de vida de agricultores familiares e a conservação da biodiversidade.
O projeto atua em nove municípios do Amazonas: Manaus, Apuí, Iranduba, Rio Preto da Eva, Careiro da Várzea, Borba, Manicoré, Urucurituba e Tefé. Com o projeto, a estimativa é impactar a conservação de 12,5 milhões de hectares de floresta, em uma Unidade de Conservação Estadual e cinco Assentamentos Rurais. O projeto Agroecologia em Rede é realizado pelo IPÊ, tem parceria com a Rede Maniva de Agroecologia (Rema) e conta com financiamento do Fundo Amazônia/BNDES.