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Particiipantes da 2ª Econsulta realizada no projeto ARR Corredores de Vida

2ª Econsulta do projeto Corredores de Vida consolida resultados e destaca escuta ativa da comunidade   

27 de março de 2026 Por Ana Lilian Pereira

Mais de 90 profissionais envolvidos na cadeia da restauração florestal participaram da 2ª Econsulta, do projeto Corredores de Vida, do IPÊ, realizada neste mês (13), no Pontal do Paranapanema, no extremo oeste paulista   O evento atraiu representantes de empresas de serviços restauração, viveiros florestais, instituições públicas, entidades de pesquisa e de associações que discutiram questões que impactam diretamente nos próximos passos do projeto. 

Além do compartilhamento dos avanços dos últimos quatro anos, com foco na modalidade ARR Corredores de Vida, voltada à comercialização de créditos de carbono, o evento também abriu espaço para contribuições que vão orientar os próximos passos do projeto e para a escuta dos desafios enfrentados no território.  

Haroldo Borges Gomes, coordenador de campo, ressaltou o papel da escuta ativa. “Ouvir a comunidade envolvida no projeto é muito importante. Fizemos isso em 2022, na 1ª Econsulta, antes do projeto iniciar, e estamos fazendo novamente agora, com o projeto já em andamento. Com 26 anos de atuação na região, o projeto Corredores de Vida já plantou mais de 12 milhões de árvores nativas da Mata Atlântica em cerca de 7 mil hectares, o equivalente a, aproximadamente, 7 mil campos de futebol. As florestas plantadas, em Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal de propriedades privadas, contribuem para o cumprimento do Código Florestal, para a conexão e aproximação entre pequenos fragmentos nativos e a duas unidades de conservação como o Parque Estadual Morro do Diabo e a Estação Ecológica Mico-leão-preto, formando corredores ecológicos, além de fortalecer a conservação da biodiversidade”. 

Haroldo Borges, do IPÊ, durante a 2ª Econsulta
Haroldo Borges, do IPÊ, durante a 2ª Econsulta

A atual fase do projeto, no âmbito do ARR Corredores de Vida, prevê a absorção de 29 milhões de toneladas de CO₂ ao longo de 50 anos, por meio da restauração de 75 mil hectares prioritários, dentro de um passivo ambiental estimado em 240 mil hectares na região. 

Econsulta na prática 

Participante durante a 2ª Econsulta
Participante durante a 2ª Econsulta

Para Kátia Scalzer Corado, à frente do viveiro Beira Rio, participar de uma econegociação é uma experiência inédita. “A Econsulta, além de trazer informações sobre o andamento do projeto ARR Corredores de Vida, para o qual já entreguei cerca de 240 mil mudas, também foi uma aula de Ciências. Aprendi o poder que as árvores têm em transformar a paisagem: onde antes era terra devastada, hoje é floresta, com recuperação de nascentes, habitat para pássaros”, afirma. 

“A clareza utilizada no diálogo foi o que me deu segurança para começar meu viveiro, lá em 2005, produzindo 30 mil mudas/ano. Hoje, em 2026, cheguei à marca de 700 mil mudas anuais”, afirma Valter Ribeiro Campos, proprietário do viveiro Alvorada.

“Os encontros das Sextas ConsCiências são trimestrais e tem objetivo de aproximar ciência e comunidade com informações sobre conservação da biodiversidade. É um local ideal para receber feedback das partes interessadas”, pontua Aline Souza, coordenadora de projetos de Comunidades do IPÊ no Pontal do Paranapanema. 

Aline Souza durante a 2ª Ecosulta
Aline Souza durante a 2ª Econsulta

Consolidação de resultados

O diálogo participativo conduzido pelo consultor Leonardo Rodrigues, trouxe os resultados organizados a partir do tripé Clima, Comunidade e Biodiversidade (CCB). No eixo Clima, dados de inventário florestal indicam o avanço na absorção de carbono.  

Leonardo Rodrigues durante a 2ª Econsulta
Leonardo Rodrigues durante a 2ª Econsulta

Em uma área de 1.616 hectares, plantada entre 2021 e 2022, já foram absorvidas 17.233 toneladas de CO₂ até fevereiro de 2026. A medição realizada pela empresa Bioflore é feita a partir de coleta em campo e aplicação de uma equação com base nas medidas de diâmetro do caule e na altura das árvores.  

No quesito Comunidade, o projeto soma 364 empregos diretos na cadeia da restauração, sendo que 97 são mulheres e 103 jovens. Os postos de trabalho envolvem a equipe técnica IPÊ, 21 empresas de serviços de restauração e 23 viveiros florestais. Também foram realizados 26 cursos e treinamentos, incluindo 13 edições da Sexta ConsCiência que reuniram cerca de 1.200 participações, 76% entre mulheres e jovens.  

No campo social, o projeto avançou na pauta de equidade de gênero com a criação do Grupo de Trabalho de Equidade de Gênero (GTEG), estruturado a partir de diagnóstico realizado com mulheres da cadeia da restauração, na 1º Sexta ConsCiência voltada, exclusivamente, para o público feminino. 

Na área de Direitos Humanos, uma parceria com o FGVces (Centro de Estudos e Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas) vem estruturando políticas, protocolos e ferramentas de gestão de riscos e protocolo responsivo em Direitos Humanos.  

Na esfera legal, o projeto conta com a rastreabilidade relacionada ao cumprimento da legislação trabalhista brasileira e das convenções internacionais ratificadas pelo Brasil, garantindo: saúde e segurança no trabalho, proteção contra trabalho infantil e trabalho forçado, entre outras. Também são realizados treinamentos na área de segurança no trabalho. 

Em relação à biodiversidade, nas áreas restauradas, o monitoramento por armadilhas fotográficas (câmera trap) já registrou 24 espécies como anta-brasileira (Tapirus terrestres), tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), onça-parda (Puma concolor) e lobo-guará (Chrysocyon brachyurus).  Entre as aves, o projeto identificou 93 espécies, como o udu-de-coroa-azul (Momotus momota), o tico-tico-rei (Coryphospingus cucullatus) e o trinca-ferro-verdadeiro (Saltator similis). 

Quanto à flora, o projeto já realizou o plantio de mais de 270 mil mudas de espécies ameaçadas de extinção, com base na Lista Vermelha da IUCN.  Entre elas o ipê-felpudo ou ipê-tabaco (Zeyheria tuberculosa) e a figueira-preta (Ficus mexiae Standl). 

Na área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, um dos destaques é o uso de biopotes, recipientes biodegradáveis, que no viveiro favorecem o enraizamento das mudas cultivadas, enquanto no campo facilitam o  desenvolvimento das árvores, além da redução de custos. A iniciativa faz parte da transição a médio e longo prazo para substituir os tubetes plásticos, os quais ainda tem estoque e vida útil nos viveiros. 

Segundo Nivaldo Ribeiro Campos, coordenador dos viveiros comunitários, todas as 170 espécies produzidas nos 23 viveiros parceiros apresentam melhor desempenho quando cultivadas em biopotes. “Optamos por plantar nos tubetes plásticos a princípio as espécies pioneiras, que ficam prontas para o plantio em campo em cerca de 90 dias, por desenvolverem mais rapidamente o sistema radicular”, explica. Entre elas estão sangra-d’água (Croton urucurana), embaúba (Cecropia pachystachya) e ingá-liso (Inga laurina). 

Já as espécies de maior diversidade, que levariam até seis meses, nos tubetes, para atingir o ponto de plantio em campo, são cultivadas em biopotes, assim ficam prontas em cerca de 90 dias. É o caso de espécies como paineira-rosa (Ceiba speciosa), jequitibá-rosa (Cariniana legalis) e angico-preto (Anadenanthera macrocarpa). 

Próximos passos

As contribuições levantadas durante a 2ª Econsulta servirão de base para a próxima etapa do processo: a devolutiva, quando serão apresentados encaminhamentos construídos a partir das demandas do território. O evento será realizado no dia 08 de abril de 2026.  

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