Dentre os assuntos mais destacados dos side events (eventos paralelos) da COP17 estão aqueles que envolvem a implementação prática das metas globais de biodiversidade.
No dia 20 de outubro, o painel Nature-based solutions for biodiversity and climate resilience (SbN para biodiversidade e resiliência climática) debateu o papel das políticas públicas nacionais, parcerias estratégicas e iniciativas subnacionais para acelerar a implementação de SbN, conectando a conservação da biodiversidade à adaptação climática e à redução de riscos. O assunto é relevante, visto que grandes metas do Marco Global da Biodiversidade consideram as Soluções Baseadas na Natureza como parte fundamental do caminho para reduzir o impacto das ações humanas, freando a perda de biodiversidade e os efeitos da crise climática no mundo.
Na meta 8, “minimizar os impactos da mudança climática”,o foco é aumentar a resiliência dos ecossistemas por meio de ações de mitigação, adaptação e redução do risco de desastres, utilizando as soluções baseadas na natureza e abordagens ecossistêmicas. Na Meta 11, “Restaurar, manter e valorizar as contribuições da natureza para as pessoas”, a proposta é melhorar as funções e serviços ecossistêmicos por meio dessas soluções. As SbN é ferramenta central também para cumprimento das metas 2, 3 e 12, esta última, conectada a aumentar significativamente a área, a qualidade e a conectividade dos espaços azuis e verdes nas áreas urbanas e densamente povoadas para o bem-estar humano.
O que são SbN?
Como o próprio nome indica, são ações inspiradas na própria natureza para resolver desafios socioambientais de forma sustentável, trazendo benefícios simultâneos para o bem-estar humano e para a biodiversidade. Um exemplo simples: em vez de construções de infraestrutura de concreto para barras avanço da chuva nas cidades, utilizam-se drenagem natural com áreas permeáveis e plantio de árvores para combater problemas com enchentes.
Sobre o painel
O painel foi organizado pelo ICLEI e teve participação do IPÊ, da Secretaria de Meio Ambiente de Porto Alegre, e da Fundação O Boticário.
O termo mais falado no encontro foi a necessidade de cooperação multisetorial para a implementação dessas soluções para responder aos desafios de clima e biodiversidade. “Estamos debatendo a COP da implementação das ações para a biodiversidade, ou seja, como a gente sai da esfera global para chegar no local. Muitas vezes precisamos considerar que a maioria dos municípios necessita de maior estrutura e formação para implementação das ações previstas nas metas. É necessária a inserção dessas metas nas políticas locais e, para isso, verificar a capacidade técnica e necessidade de estabelecimento de novas habilidades e parcerias para implementação. Outra questão importante é pensar em uma estratégia regional para ampliar a escala das ações assim como do monitoramento da implementação e resultados.”, afirmou Simone Tenório, representante do IPÊ.
Rodrigo Corradi, vice-secretário executivo do ICLEI América do Sul, chamou atenção para a necessidade de ter capacidade de coordenação entre os setores diferentes pra ter resultados concretos, trazendo como exemplos os projetos Teia de Soluções da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e do Projeto Tear, da prefeitura de Porto Alegre (RS), iniciativa com foco central na cidade de Porto Alegre voltada ao desenvolvimento e implementação de SbN para a adaptação climática e a conservação da biodiversidade por meio de capacitação, ação em rede com a comunidade e desenvolvimento de resiliência. O projeto, prepara a cidade para eventos extremos com articulação financeira, engajamento e letramento, busca por um ambiente regulatório favorável e bons projetos para serem conectados a bons financiadores.
“A cooperação entre governos dos municípios, sociedade civil e empresas é estratégica no âmbito subnacional onde estão os municípios. As inciativas que já existem (como projetos do IPÊ, Tear e Teia) são exemplos de como podemos buscar oportunidades de catapultar isso para políticas públicas”, afirma Rodrigo Corradi.