Interdisciplinaridade e gestão para conservação foram destaque em congresso
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O 28º Congresso Internacional de Biologia de Conservação (ICCB 2017), em Cartagena (Colômbia), teve como foco a discussão sobre como “Sustentar a Vida na Terra”, respondendo à necessidade da ciência da conservação ajudar a criar um amanhã melhor tanto para a biodiversidade como para as pessoas que dela dependem.
O IPÊ foi uma das organizações presentes no evento, que reuniu cerca de 1,4 mil pessoas de mais de 70 países. Pesquisadores, estudantes, funcionários da agência, educadores ambientais, profissionais entre outros interessados, que participaram de palestras sobre conservação e genética da biodiversidade, ecologia, biogeografia, antropologia, história, psicologia, economia, marketing de conservação, e religião.
“O congresso foi muito interessante e me surpreendeu a quantidade de assuntos relacionados ao tema ‘liderança para a conservação’. Talvez isso seja por conta do perfil do profissional da área, que está se orientando cada vez mais para o lado da gestão”, afirmou Rafael Morais Chiaravalloti, pesquisador do IPÊ que apresentou no congresso seu mais recente estudo sobre a pesca tradicional no Pantanal.
De acordo com o biólogo, o aumento do público interessado em negócios e economia ligados à conservação é uma tendência no mundo da biologia e isso gerou um reflexo nos temas do Congresso. “O interesse pela biodiversidade e biologia vem diminuindo ao longo do tempo. O tema tem sido trabalhado de forma mais integrada com economia e o lado social. Não que a biologia da conservação esteja acabando, mas acredito que estejamos vivendo uma mudança, e isso é um movimento global”, afirma Chiaravalloti, mestre pela ESCAS e doutor pela University College London.
A busca pela interdisciplinaridade na conservação e o entendimento dos profissionais da necessidade cada vez maior de envolver o segmento social na discussão e participação foram os aspectos que também chamaram a atenção de Suzana Padua, ao longo do evento. “Trabalhar junto com a comunidade e de maneira interdisciplinar sempre foi o que acreditamos ser essencial para alcançarmos sucesso frente aos desafios socioambientais. A integração entre os saberes e entre o social e o ambiental estiveram presentes em diversas discussões no evento e eu achei isso muito bastante relevante”, comentou Suzana.
A presidente do IPÊ realizou uma das palestras pré-congresso, falando sobre os desafios de uma instituição socioambiental no cumprimento da sua missão. “O assunto rendeu e esticamos a discussão para outro dia com um grupo menor. Há ainda muitas dúvidas sobre gestão e desenvolvimento de uma organização socioambiental, e esse encontro foi bem produtivo para discutirmos sobre isso e contribuirmos com a experiência de 25 anos do IPÊ”, afirma.
Participação do IPÊ
O IPÊ participou do evento com sete de seus profissionais, que abordaram temas diferenciados em eventos paralelos do Congresso Internacional de Biologia da Conservação. Confira os temas abordados.
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Rafael Morais Chiaravalloti (foto), pesquisador do IPÊ atuante em projetos de áreas protegidas, será palestrante em evento paralelo do WWF EFN, com o tema “Sobrepesca? Gestão de sistemas pesqueiros no Pantanal, Brasil”. O pesquisador usa a pesca do Pantanal no Brasil como um estudo de caso para desconstruir narrativas ambientais sobre acusações de que comunidades tradicionais são os responsáveis pelo declínio das populações de peixes no mundo. O estudo traz dados concretos mostrando que as políticas públicas focadas em desenvolvimento sustentável deveriam celebrar o uso tradicional das comunidades, ao invés da atual abordagem focada em suprimir a permanência dessas populações no Brasil e no mundo.
A coordenadora do Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto, Gabriela Cabral Rezende (foto/Katie garrett), participa de um Knowledge Café, para tratar sobre as conquistas e desafios do projeto que busca proteger o mico na Mata Atlântica do interior do Estado de São Paulo. Dentre as conquistas para a proteção da espécie ao longo de mais de 30 anos de pesquisa, estão a melhora da sua categorização na lista vermelha da IUCN, a criação de uma Unidade de Conservação para conservar o hábitat (Estação Ecológica Mico-Leão-Preto) e ainda a inclusão da educação ambiental no currículo escolar das escolas públicas do município de Teodoro Sampaio, cidade base das pesquisas sobre a espécie.
A presidente do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, Suzana Machado Padua, foi a homenageada da 15a edição do Programa Benchmarking Brasil. O evento de celebração aconteceu dia 29 de junho, em São Paulo.