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Cibele Quirino

Mestra pela ESCAS implementa programa para agricultores do sul da Bahia que ajuda no aproveitamento de 100% da mandioca

20 de março de 202412 de maio de 2020 Por Cibele Quirino

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Jeilly Vivianne, mestra pela ESCAS, também atua no extremo sul da Bahia na implantação da Farinheira Sustentável, que integra o PAT da Mandiocultura – Plano de Ação Territorial da Mandiocultura, uma iniciativa com recursos do PDRT da Suzano e apoio do PRODETER – Programa de Desenvolvimento Territorial, do Banco do Nordeste.  Diretamente 709 famílias são atendidas pela equipe de Jeilly no PDRT, e mais de 3 mil têm acesso ao conteúdo pelo PAT, participam das capacitações e esse número está prestes a ultrapassar os limites das ações inloco. 

A mais recente investida de Jeilly, nessa direção, para mostrar todo o potencial da mandioca – com destaque para o uso integral da planta – é o MandioCast, lançado em maio, em todas plataformas de podcast, com episódios quinzenais. O programa também será divulgado por lista de transmissão em plataforma de mensagens instantânea. “Vamos disseminar o que está sendo feito. Temos áreas produzindo seis toneladas por hectare e áreas com 80 toneladas”, explica Jeilly.

Segundo dados da Embrapa referentes à safra de 2018, a região Nordeste registrou na média a menor produtividade nacional com 8,98 t/ha, o menor índice é justamente o da Bahia com 6,71 t/ha; o que coloca o estado como a menor produtividade do país. A média nacional é de 14,64 t/ha.

Dessa forma, a expectativa é mobilizar os agricultores a seguirem as Boas Práticas que revelam melhores resultados. A Embrapa terá um quadro no Mandiocast – o Embrapa Responde”. O Mandiocast também tem o apoio do Prodeter/Banco do Nordeste. Para levar esse conteúdo ao maior número de agricultores o contato com as prefeituras da região segue como estratégico. “Conversamos com os secretários de agricultura da região para que essa informação chegue ao agricultor”, complementa Jeilly. 

De 40% a 100% 

O maior desafio do Programa é conscientizar a população sobre as possibilidades de uso integral da mandioca para diversificar a produção. “Em média apenas 40% da planta é utilizada. Pelo programa da Farinheira Sustentável – reconhecido como tecnologia social pelo Estado da Bahia – já sabemos que é possível utilizar 100% da mandioca. A parte aérea da planta pode ser utilizada como proteína da ração animal – a parcela mais cara. O grolão – a parte mais grossa que fica na peneira no momento de fazer a farinha – tem energia. Juntando o grolão com a raspa da casca é possível compor a parte energética da ração animal”. Dessa forma, agricultores conseguem fazer ração à base de mandioca para gado leiteiro, aves e ovinos. “É preciso apenas colocar núcleo mineral específico por categoria animal. Recuperamos as formulações da Embrapa dos anos 1970”. 

A manipueira também tem destino certo. “Ela é uma excelente fonte de adubo foliar, também utilizada na adubação de fundação e na adubação de cobertura da mandioca e de outras culturas. Usamos a raspa da casca também nas entrelinhas do plantio, como matéria orgânica, para proteger o solo, o que melhora a umidade, diminui a manutenção e reduz os custos de produção”.   

Confira o relato da Maria das Graças que mostra todo o processo desde o plantio até o produto final. https://www.youtube.com/watch?v=is__clTpJA4&feature=youtu.be

Desafio é Oportunidade

As ações tiveram início pela necessidade de adequação das farinheiras. “Em 2017, o Ministério Público recebeu uma denúncia sobre o descarte inadequado da manipueira – resíduo líquido da prensagem da massa da mandioca – 25 vezes mais poluente do que o esgoto doméstico. Por falta de conhecimento a maioria dos agricultores descartava esse resíduo no rio. O Ministério Público acionou o secretário de Meio Ambiente de Alcobaça que entrou em contato comigo. Tivemos a aliança de dois programas: do PAT/Prodeter, do Banco do Nordeste e do PDRT – Programa de Desenvolvimento Rural Territorial, da Suzano com o objetivo de evitar o fechamento das farinheiras”, esclarece a engenheira agrônoma. 

Segundo Jeilly, o contato teve como objetivo encontrar uma solução capaz de responder ambientalmente à denúncia mantendo as farinheiras abertas. “Apenas em Alcobaça (BA), são 775 farinheiras familiares (IBGE/2017). Se fechassem as farinheiras o impacto social e econômico seria muito alto. A gente fez um cálculo aproximado e 70% da renda do município de Alcobaça vem da mandioca. Uma farinheira emprega de oito a dez famílias”, explica.

Em um primeiro momento, a resposta foi a formação de um Grupo de Trabalho com a participação de uma professora da Universidade Federal do Sul da Bahia, de três consultores da Suzano e do coordenador da Vigilância Sanitária de Alcobaça, que em conjunto desenvolveram o Programa Farinheira Sustentável, que integra o PAT da Mandiocultura. “Apresentamos o Programa ao Ministério Público. Conseguimos formar 228 pessoas no conceito da Farinheira Sustentável e a doação de 50 sistemas de armazenamento da manipueira pelo PDRT/Suzano (42 já foram implantados). Avançamos com o Banco do Nordeste no financiamento para quem precisa fazer as adequações necessárias na parte sanitária. No segundo momento, quando o agricultor obtém o alvará sanitário e o alvará ambiental – ele entra no processo de comercialização, consegue empacotar os produtos e assim acessar outros mercados. Sem os alvarás, 90% dos agricultores ficam reféns do atravessador”. O Programa Farinheira Sustentável teve início em Alcobaça e está sendo disseminado em mais 10 municípios no extremo sul da Bahia: Caravelas, Prado, Mucuri, Nova Viçosa, Teixeira de Freitas, Itamaraju, Jucurucu, Ibirapuã, Medeiros Neto e Lajeadão.

A produção de mandioca e derivados nos municípios de Alcobaça, Prado, Teixeira de Freitas e Ibirapuã (BA) também integra as Cestas de Produtos da Agricultura Familiar com entrega via Delivery pontuadas na matéria De Carvoeiros a Agrofloresteiros. 

Em setembro de 2019, o programa Farinheira Sustentável (FS) esteve entre as 25 iniciativas selecionadas para apresentação na Conferência Internacional de Agricultura e Biologia, o Tropentag 2019, em Kassel, na Alemanha. O caminho até lá envolveu a disputa entre 235 ações inscritas.

Jeilly Vivianne Ribeiro desenvolve essa iniciativa ao lado 15 colaboradores diretos, entre funcionários e estagiários, que trabalham com ela na Polímata Soluções Agrícolas e Ambientais – empresa que ela fundou dois meses após a conclusão do mestrado profissional da ESCAS na Bahia. Uma das colaboradoras de Jeilly também está na ESCAS. “Dorandia Trivellin começou como estagiária e segue como funcionária na Polímata. Ela tem um potencial incrível e quando me contou que o sonho dela era fazer mestrado, eu disse ‘Você vai para a ESCAS’. 

 

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De carvoeiros a agrofloresteiros: mestra da ESCAS/IPÊ transforma realidade socioambiental no sul da Bahia

20 de março de 202412 de maio de 2020 Por Cibele Quirino

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Quando a engenheira agrônoma Jeilly Vivianne, mestra pela ESCAS, chegou ao extremo sul da Bahia, em especial nos municípios de Caravelas, Nova Viçosa e Mucuri encontrou uma região dominada pela exploração do carvão. Na esfera social, alcoolismo e violência doméstica despontavam entre as consequências. “Quem conseguia construir o forno aliciava os outros. Quem abria um forno de carvão bebia para suportar o enxofre da combustão, já que o uso do EPI não era uma opção. A precariedade também estava nos rendimentos que incluía parte do pagamento em bebida. Havia também quem agenciava a carga, era um cenário de guerra”, comenta a engenheira agrônoma Jeilly. 

Nesse contexto, Jeilly assumiu um contrato de risco de oito meses com a meta de transformar carvoeiros em agricultores. Era a implantação do Programa de Desenvolvimento Rural Territorial (PDRT), da Fibria, na região. “Tínhamos que convencer essas pessoas a plantar culturas de ciclos curtos, com 90 dias entre o plantio e a colheita. Começamos a conversa mostrando os problemas de saúde e de alcoolismo da população, mas que era possível mudar. Havia uma pressão muito forte do aliciador da carga para evitar a participação dos carvoeiros nas reuniões”, relata a engenheira agrônoma. 

Ponto de Virada

Para Jeilly, duas situações possibilitaram o ganho de escala que atualmente engloba mais dois municípios: Alcobaça e Teixeira de Freitas (BA). “Quando notamos um agricultor falando para o outro que aquilo dava certo, a receptividade era diferente”. Para compartilhar essa experiência, Jeilly passou a levar quem ainda não estava convencido para conhecer os resultados de quem já havia implementado a Agrofloresta. “Também convidamos os agricultores com resultados para algumas reuniões, o depoimento deles era muito importante”.  

O segundo momento foi quando ex-carvoeiros comprometidos com a mudança conheceram o que poderia ser feito na região. “Levamos um grupo para participar de vivência em agrofloresta, a 800 km de distância, durante uma semana. Na volta já houve uma transformação. Atualmente, não precisamos ir longe para mostrar onde eles podem chegar, já temos essa referência em nosso território”, completa Jeilly. 

Operação Cruzeiro do Sul

Em dezembro de 2011, a Operação Cruzeiro do Sul de combate à produção, comercialização e transporte ilegais de carvão vegetal levou à quebra da cadeia do carvão. “Em uma semana, 2 mil fornos de carvão foram destruídos, aliciadores e compradores foram presos. Os carvoeiros tinham que procurar uma nova fonte de renda e o Programa era uma alternativa.  No primeiro ano, que teve início em setembro de 2011, atuamos em oito comunidades com 168 famílias. No segundo ano, chegamos a 20 comunidades e 420 famílias.”, pontua a engenheira agrônoma. 

Resultados e Perspectivas 

Em quase nove anos de programa, 50% dos ex-carvoeiros avançaram no caminho da Agroecologia, desses cerca de 10% já estão em processo de certificação participativa orgânica pela Rede Povos da Mata. “Esse é o futuro da agricultura, da soberania alimentar. Os agricultores estão conseguindo pagar faculdade para os filhos na cidade e começaram a investir na melhoria das casas. Com o sustento básico assegurado eles conseguem dar outros passos. É uma evolução significativa reconhecida por todos. Alguns até reconhecem que demoraram para entender e aderir ao programa, mas os que abraçaram a proposta desde o início estão com o resultado lá na frente”. 

Agricultores contam a história da transformação da vida deles de carvoeiros a agrofloresteiros. https://www.youtube.com/watch?v=yfgVAqhpsEQ&feature=youtu.be

Negócios em tempos de Covid-19

As mudanças no cenário por conta da pandemia aceleraram alguns planos, como explica Jeilly. “Planejávamos começar o trabalho de cestas delivery no segundo semestre de 2020, após o escalonamento de plantio, mas com a suspensão das feiras em tempos de pandemia, antecipamos as cestas. Temos mais de 50 produtos entre in natura, minimamente processado até o processado. Começamos com a entrega de 40 cestas por semana em Teixeira de Freitas ainda no mês de abril. Já estamos com as cestas delivery em mais três municípios: Alcobaça e Guaratiba/Prado (Bahia) e Nanuque (Minas Gerais)”.

Jeilly Vivianne Ribeiro desenvolve essa iniciativa ao lado 15 colaboradores diretos, entre funcionários e estagiários, que trabalham com ela na Polímata Soluções Agrícolas e Ambientais – empresa que ela fundou dois meses após a conclusão do mestrado profissional da ESCAS na Bahia. Uma das colaboradoras de Jeilly também está na ESCAS. “Dorandia Trivellin começou como estagiária e segue como funcionária na Polímata. Ela tem um potencial incrível e quando me contou que o sonho dela era fazer mestrado, eu disse ‘Você vai para a ESCAS’. 

 

 

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