Comunicação, educação e conscientização sobre biodiversidade fazem parte dos esforços globais, também por meio da CDB (Convenção da Diversidade Biológica da ONU), para tornar o conhecimento sobre o tema compreensível e ampliar o reconhecimento sobre os valores da biodiversidade, transformando comportamentos e apoiando a implementação de políticas públicas.

Na COP10, quando foram definidas as Metas de Aichi, a primeira delas estabelecia que até 2020, no mais tardar, as pessoas deveriam ter conhecimento dos valores da biodiversidade e das medidas que poderão tomar para conservá-la e utilizá-la de forma sustentável, por meio de educação, campanhas e difusão de informação. Nas atuais Metas Globais de Kunming-Montreal, em vigor a partir da COP15 de 2022, a comunicação é parte integrante de forma direta (metas 21 e 22), embora contribua para o cumprimento de várias outras delas de maneira indireta.
A Meta 21 estimula os países a assegurarem que os melhores dados, informações e conhecimentos estejam disponíveis tanto para tomadores de decisão e profissionais, como para o público, fortalecendo a comunicação, conscientização, educação, monitoramento, a pesquisa e gestão do conhecimento. A comunicação é parte essencial disso, em especial porque conhecimentos tradicionais, inovações, práticas e tecnologias dos povos indígenas e comunidades locais só devem ser acessados com seu consentimento livre, prévio e informado, de acordo com a legislação nacional.
Já a Meta 22 busca assegurar a representação e participação plena, equitativa, inclusiva, efetiva e sensível ao gênero na tomada de decisões e acesso à justiça e à informação relacionada à biodiversidade dos povos indígenas e comunidades locais, respeitando suas culturas e seus direitos sobre terras, territórios, recursos e conhecimentos tradicionais, bem como por mulheres e meninas, crianças e jovens e pessoas com deficiência e garantir a proteção integral dos defensores dos direitos humanos ambientais.
Em tempos de hiperconectividade e excesso de informações assuntos como ciência e ações para a conservação da biodiversidade disputam espaço com milhares de outros eventos e, muitas vezes, passam despercebidos. Mas não deveriam.
A perda acelerada de biodiversidade é um problema para todos os seres, inclusive, os humanos. A biodiversidade sustenta os serviços naturais que dependemos diretamente para sobreviver. Por exemplo a polinização de plantações dos alimentos que consumimos. Sem polinização, sem alimentos. Baixa produção no campo, corresponde a alimentos mais caros.

A degradação da biodiversidade também coloca em risco a regulação climática – e agrava os efeitos da crise do clima. Além disso, acarreta a perda de recursos medicinais importantíssimos para a saúde – muitos deles não serão nem conhecidos porque são extintos sem a ciência sequer poder estudar.
A biodiversidade está no nosso dia a dia, não é algo separado de nós. Reconhecer e falar sobre ar, água, alimento, medicamento e regulação climática importa, mas também entender que somos parte disso é ainda mais necessário. Assim como engajar as pessoas para a transformação socioambiental urgente.
O mundo das COPs, as “Conferências das Partes”, momentos em que os países discutem os rumos da biodiversidade no mundo, pode ser de difícil compreensão pela sociedade e o papel da comunicação é fundamental justamente para deixar ainda mais evidentes os desafios e as soluções: o que vem sendo produzido pelos países para superá-los, em todos os setores, governamentais, privados e da sociedade civil.
A vida humana depende da biodiversidade para continuar acontecendo. A ciência, a educação e a informação de qualidade devem ser a ponte que aproxima as pessoas dessa questão. A perda de biodiversidade tem relação direta com o nosso modelo econômico e de produção, com a vida como a conhecemos no planeta, portanto, é nossa responsabilidade agir.
O Marco Global para a conservação da biodiversidade não é uma agenda somente governamental, mas também da comunidade científica, de populações tradicionais e indígenas, de populações que vivem em zonas urbanas, de empresas, setores industriais e de produção agrícola, sociedade civil, das pessoas que vivem neste planeta.