As mudanças climáticas aceleram a perda de biodiversidade reduzindo fauna e flora. A extinção de espécies reduz a capacidade de sobrevivência das florestas, necessárias para o combate à crise do clima. Conservar as florestas e a fauna deve ser prioridade na agenda global. Afinal, floresta vazia não produz biodiversidade.
A importância de combater a crise climática é parte do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que estabeleceu 23 Metas Globais para conservação da biodiversidade no mundo. Na meta 8, o principal objetivo é reduzir o impacto das mudanças climáticas e da acidificação dos oceanos sobre a biodiversidade, além de aumentar a resiliência dos ecossistemas.
O enfrentamento da crise climática depende da regeneração e conservação da biodiversidade, a diversidade de vida no nosso planeta. Ambientes ricos e biodiversos oferecem mais resiliência diante das transformações e eventos extremos atuais, e ainda colaboram para manter serviços ecossistêmicos importantes para a saúde, evitando, inclusive, doenças. A perda de biodiversidade já está associada ao possível aumento de pandemias ou surtos de doenças, por exemplo.

O que é esperado dos países sobre essa meta 8?
Espera-se que os países trabalhem na mitigação e adaptação às mudanças do clima, realizando ações urgentes para reduzir os impactos climáticos e preparar os ecossistemas para as transformações ambientais. Junte-se a isso a necessidade também urgente de criar estratégias de proteção para biomas e espécies mais vulneráveis a eventos extremos.
A intensificação do uso de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) para fortalecer a biodiversidade e combater a crise climática, como com a restauração de florestas e mangues, protegendo também as pessoas. Além disso, garantir que as próprias tecnologias e projetos de energia limpa ou mitigação climática não causem impactos negativos colaterais à biodiversidade local.
Como as mudanças climáticas impactam a fauna?
A perda de biodiversidade afeta o clima e a crise do clima afeta a biodiversidade. A fauna nativa também sofre.
O mico-leão-preto (Lentopithecus chrysopygus) e a anta-brasileira (Tapirus terrestris), por exemplo, são dispersores de sementes, função importante para a manutenção de ambientes florestais saudáveis. Animais como esses também contribuem para a sobrevivência de outras espécies, que exercem outros papeis complementares para a conservação dos ecossistemas, garantindo esse ambiente biodiverso.
Uma das soluções do IPÊ para a sobrevivência da fauna brasileira é a criação de corredores verdes, com o plantio de árvores nativas – ação crucial para controlar os efeitos regionais das mudanças do clima. No caso do mico-leão-preto, pode levar décadas até que a nova floresta ofereça as condições ideais para viverem, como a formação de ocos nas árvores, que servem de abrigo de predadores e do calor. Enquanto isso, estudamos com câmeras e termômetros como eles se comportam usando ocos artificiais (caixas de madeira).

Os pesquisadores já notam que, em dias muito quentes, os micos estão se abrigando em ocos mais baixos, ficando vulneráveis a predadores. Os ocos altos são mais seguros e mais quentes. Outro risco climático para os micos está na disponibilidade de alimento: com as mudanças do clima, insetos são impactados e há mudanças de floração e frutificação dos frutos que ele come. É possível que o período e frequência de reprodução dessa espécie se altere, interferindo diretamente na sobrevivência das populações.
Anta e água
A disponibilidade de água, afetada pelas mudanças do clima, também ameaça a fauna. A anta-brasileira, por exemplo, é um animal que tem associação forte com a água pela dificuldade de manter a temperatura corporal estável (termoregulação).