O Brasil é o país com a maior biodiversidade do planeta e, por isso mesmo tem espaço de destaque nas negociações internacionais sobre meio ambiente e é um articulador estratégico para o desenvolvimento e implementação do ao Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal (KMGBF).
O País submeteu suas metas nacionais de biodiversidade, alinhadas KMGBF, em junho de 2026. São as chamadas EPANBs (Estratégia e Planos de Ação Nacionais para a Biodiversidade). Essas metas são a forma como cada país traduz as 23 metas globais para a realidade nacional. O IPÊ, no espaço dado às organizações da sociedade civil, participou da construção desse planejamento.
“Participar da construção da EPANB brasileira, ao lado de múltiplos atores, demonstrou nossa capacidade de alinhar a ambição global às urgências do país. No entanto, metas no papel não salvam biomas nem protegem espécies. A pergunta central agora é: como essa agenda vai transformar a realidade de quem vive nos nossos territórios?”, comenta Simone Tenório, articuladora do IPÊ nas COPs.
Fazer o global virar local exige uma implementação descentralizada e inclusiva. Para isso, é necessário arranjos de governança e financiamento que garantam que os recursos cheguem à ponta capacitando governos subnacionais, fortalecendo populações tradicionais e aplicando as ações de conservação diretamente nos biomas. Outro ponto importante é a participação dos múltiplos setores nessa implementação de maneira articulada, seguindo diretrizes propostas e que possam ter efetividade na aplicação dos recursos e nos resultados.
“Com indicadores de campo claros e ação coordenada nos territórios, o Brasil deixará de ser apenas signatário para liderar pelo exemplo prático. É nessa ponte entre a alta diplomacia ambiental e a conservação no campo que o IPÊ atua e continuará fazendo a diferença.” conclui Simone.