Curso aconteceu de 30 de agosto a 1º de setembro e aliou conhecimentos sobre nutrição vegetal, fitossanidade natural e aproveitamento sustentável de espécies amazônicas
Com o objetivo de ampliar a autonomia dos agricultores, apresentando alternativas que possam ser produzidas ou obtidas localmente e utilizadas no manejo das propriedades, o projeto Agroecologia em Rede, uma iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, e o projeto Bioinsumos, da Associação Maniva de Certificação Participativa – OPAC MANIVA, realizaram o Curso Prático de Insumos Naturais do Bioma Amazônico, de 30 de agosto a 1º de setembro, na zona rural do município de Iranduba, a 30 km de Manaus/AM. A formação teórica e prática reuniu cerca de 65 agricultores e oito técnicos extensionistas que ampliaram o conhecimento sobre alternativas naturais para o manejo de plantas, pragas e doenças.

De acordo com o coordenador do projeto Agroecologia em Rede, Ramom Morato, a formação fortalece a autonomia dos agricultores e e dessa forma também a produção sustentável. “Quando o agricultor aprende a produzir seus próprios insumos, ele amplia sua autonomia, produz alimentos mais saudáveis e contribui diretamente para a conservação da floresta. É assim que fortalecemos e viabilizamos a agroecologia na Amazônia”, destaca.
Facilitado pelo especialista em agricultura sustentável Valdecir Queiroz, o curso abordou desde os fundamentos da nutrição equilibrada das plantas — com atenção ao papel dos micronutrientes e dos estimulantes naturais — até a identificação e o aproveitamento de matérias-primas disponíveis no bioma amazônico.

Um dos destaques foi o conhecimento das espécies da flora regional aplicáveis ao manejo agroecológico. Os participantes prepararam soluções com plantas, como andiroba, alho-do-mato, entre outras; conhecidas por suas propriedades e por seu potencial de uso em preparações naturais voltadas à proteção das lavouras.
Além da parte teórica, o curso teve também a parte prática, em que os agricultores aprenderam a produzir diferentes tipos de bioinsumos, incluindo extratos oleosos, extratos fermentados de alto espectro e caldas minerais, como a calda sulfocálcica, adaptando esses conhecimentos às necessidades da produção agroecológica.

Para a agricultora Maria Lúcia França, que percorreu 390 quilômetros desde a comunidade Verdum, em Manicoré/AM, até o local da formação, o aprendizado representa uma oportunidade de aprimorar conhecimentos que fazem parte de sua trajetória no campo. Há cerca de 20 anos, Maria Lúcia cultiva cacau e, pela primeira vez, participou de uma capacitação voltada à produção de bioinsumos. Para ela, os novos conhecimentos poderão ser aplicados diretamente no cultivo e compartilhados com a comunidade.
“Essa formação foi uma aprendizagem muito importante para mim. Nós já trabalhávamos de forma orgânica, porque não usávamos veneno nas plantas, mas não sabíamos como combater os insetos ou preparar materiais para adubar as plantas. Quando as pessoas nos virem produzindo de forma saudável, vão querer conhecer e também aprender. Para nós, isso será um exemplo que vamos levar para a comunidade” afirmou a agricultora.
A expectativa é que os agricultores reduzam a dependência de insumos externos e valorizem os conhecimentos e recursos disponíveis na região. O curso teve a parceria do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas -Idam, da Rede Maniva de Agroecologia – Rema e financiamento do Fundo Amazônia/BNDES e do Agroecology Fund.
Sobre o projeto Agroecologia em Rede
O projeto Agroecologia em Rede trabalha por meio de assessoria e capacitação, visando fortalecer as organizações locais, com a estruturação das unidades de produção, certificação orgânica e apoio à comercialização para a melhoria da qualidade de vida de agricultores familiares e a conservação da biodiversidade.
O projeto atua em nove municípios do Amazonas: Manaus, Apuí, Iranduba, Rio Preto da Eva, Careiro da Várzea, Borba, Manicoré, Urucurituba e Tefé. Com o projeto, a estimativa é impactar a conservação de 12,5 milhões de hectares de floresta, em uma Unidade de Conservação Estadual e cinco Assentamentos Rurais. O projeto Agroecologia em Rede é realizado pelo IPÊ, tem parceria com a Rede Maniva de Agroecologia – Rema e conta com financiamento do Fundo Amazônia/BNDES.