Realizada em parceria entre IPÊ e Idesam, com apoio da Ufam e Inpa, a semana de atividades debateu estratégias de restauração durante Seminário e levou participantes para vivência prática em comunidades do Baixo Rio Negro.
Entre os dias 25 e 28 de agosto, a restauração ecológica esteve no centro de uma extensa programação em Manaus (AM) e em comunidades ribeirinhas do Baixo Rio Negro, no II Seminário Floresta Viva Amazonas e na III Capacitação Floresta Viva Amazonas.
Realizados em parceria pelo Projeto REFLORA (IPÊ) e pelo Projeto Restauração Ecológica Produtiva (Idesam), esses eventos contaram com o apoio institucional da UFAM e do INPA e da participação de diversas outras organizações e comunidades.

As atividades começaram no Auditório do Bosque da Ciência no INPA, com o objetivo de promover o intercâmbio entre vários projetos de restauração. A mesa de abertura reuniu representantes do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), Instituto de Conservação e Desenvolvimento da Amazônia (Idesam), ENEVA e IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Instituto nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).
Na sequência, a conferência principal, conduzida por Silvia Helena de Souza Ferrari (MMA), traçou um panorama dos desafios e oportunidades para o setor na região amazônica.

Para apresentar as soluções que já estão gerando impacto, a Mesa 1 – Projetos do Floresta Viva Amazonas trouxe os resultados parciais das iniciativas em andamento.
Na apresentação do Projeto REFLORA, a engenheira florestal Dra. Ananda Matos (IPÊ), compartilhou a realidade, os desafios e os resultados alcançados em dois anos do projeto focados na restauração ecológica e produtiva por meio do modelo participativo, em que todo o trabalho nas áreas é realizado conforme as escolhas dos próprios comunitários.

A mesa também teve a contribuição de Ana Cecília Gonçalves (FUNBIO) e de Vinicius Bertin (Idesam), detalhando os resultados do projeto Restauração Ecológica Produtiva.
Com o objetivo de conectar essas ações à realidade dos territórios, a Mesa 2 do Seminário abordou as “Experiências exitosas na recuperação da vegetação nativa” a partir da visão de quem vive e atua na floresta.
O painel abriu espaço para relatos essenciais de líderes comunitários, incluindo Jovenilson/Tico (RDS Puranga Conquista), Almir (RDS Tupé), Orimar (RDS Uatumã) e Janes (APA Tarumã).

Encerrando as discussões do primeiro dia, a Mesa 3 ampliou o cenário sobre as oportunidades e fortalezas da cadeia de restauração no Amazonas, somando as vivências de convidados de outras iniciativas, como Márcia Lederman (WCS), Rafaely Lameira (IBEL), Eric Brosler (REMATA), Dr. Valdiek Menezes (Projeto Wepaiunung – Sementes Nativas da Amazônia) e o Dr. Marcelo Gordo (UFAM).

Aliança pela Restauração e o desafio das sementes
O segundo dia de seminário (26) mergulhou em um dos principais gargalos logísticos do bioma: a produção de insumos florestais. A Mesa 4 foi totalmente dedicada à atuação da Aliança pela Restauração da Amazônia.
Marcelo Ferronato, representante da rede, apresentou os objetivos e metas para os projetos de restauração, enquanto Miguel Bentes (REDÁRIO) explicou as dinâmicas para o fortalecimento de núcleos coletores de sementes.

O tema ganhou ainda mais profundidade na Mesa 5, que promoveu um debate focado na estruturação da rede local de sementes e mudas, com ricas contribuições de Ferronato, Silvia Helena (MMA), Vinicius Bertin, Miguel Bentes, Gustavo Brichi e Marcelo Gordo.
Da teoria à prática: Expedição no Baixo Rio Negro
Após definirem os próximos passos no auditório, as atividades deixaram a teoria para vivenciar os desafios in loco. A partir da tarde do dia 26, ocorreu a etapa prática com a III Capacitação Floresta Viva Amazonas.

A expedição fluvial pelo Baixo Rio Negro reuniu cerca de 40 pessoas, entre equipe técnica, parceiros e comunitários, que se dividiram em grupos de trabalho para pensar na organização em rede da cadeia da restauração.
O roteiro de campo proporcionou uma vivência real das ações dos projetos REFLORA e Restauração Ecológica Produtiva, pois o grupo realizou visitas a áreas de plantios, além de conhecer de perto a produção de mudas nos viveiros implementados pelos projetos.


A programação finalizou com um dia inteiro de atividades integradas na RDS Tupé. Os participantes mergulharam em oficinas práticas, dividindo-se em grupos de trabalho focados nos elos da cadeia da restauração (como acesso a mercado, produção e mão de obra), encerrando a dinâmica com uma grande plenária para alinhar os desafios da rede local de sementes e mudas.
Sobre os projetos
O projeto REFLORA e o projeto Restauração Ecológica Produtiva integram o Edital Amazonas – Floresta Viva. O Floresta Viva é uma iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), criada para apoiar projetos de restauração ecológica na Amazônia e nos diversos outros biomas do país.
O edital 02/2023 é gerido em parceria com o FUNBIO e recebe apoio financeiro do BNDES, da Eneva S.A. e da Cooperação Alemã (via KfW).