Jovenilson Correa, o Tico, faz parte do Projeto REFLORA, e viajou à capital federal para integrar a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE2026).

A equipe do projeto REFLORA, iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas que atua na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Puranga Conquista, no Baixo Rio Negro (AM), esteve em Brasília (DF) para participar da VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica – SOBRE2026.
A expedição contou com a participação de Jovenilson Correa, conhecido como Tico, morador da Comunidade São Franscisco do Chita. Ele também integra a equipe de campo do projeto e participou das rodadas de discussão, compartilhando as vivências, demandas e a realidade do seu território com pessoas de todo o país.

A SOBRE2026 é reconhecida como um dos espaços mais relevantes para a pauta da conservação ambiental no país. O evento reuniu pesquisadores, organizações da sociedade civil, profissionais e comunidades de todas as regiões do Brasil.
O principal objetivo do encontro foi pensar, de forma conjunta, o futuro da restauração de ecossistemas com o tema “Restauração ecológica: inclusão e justiça climática”. Para o projeto REFLORA, garantir que as comunidades parceiras também ocupem esses espaços de tomada de decisão e troca de conhecimento é uma etapa fundamental do trabalho de campo.
O intercâmbio de saberes no “Vozes da Restauração”
Tico acompanhou diversas atividades da conferência ao lado da equipe. No entanto, o principal destaque de sua ida à capital ocorreu na quarta-feira, 29 de julho.
Nesta data, o comunitário participou do “Vozes da Restauração”, um espaço da SOBRE2026 desenhado para promover a integração entre povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares.
O encontro foi realizado no Centro Comunitário Athos Bulcão, na Universidade de Brasília (UnB). As atividades se estenderam da manhã até o início da tarde, promovendo a diversidade e o intercâmbio de saberes locais.
A programação teve início com a palestra “A Restauração dos Sonhos”, responsável por preparar o terreno para as dinâmicas seguintes: as rodadas de conexão. Esta etapa foi pensada para fortalecer as redes de apoio nacionais.


Na primeira rodada, as mesas estavam divididas por biomas. Isso permitiu que Tico se sentasse junto a outros guardiões da floresta e representantes amazônicos. A dinâmica possibilitou debater os desafios e as soluções de quem é comunitário, vive e restaura o mesmo território.

Já na segunda rodada, a divisão ocorreu por áreas de interesse. Cada participante teve a autonomia de escolher a mesa pelo tema que mais se relacionava com as demandas de sua própria comunidade. A proposta estimulou a articulação de ideias entre pessoas de diferentes regiões do Brasil, unidas por objetivos semelhantes para a conservação da natureza.
Resultados em exposição e pesquisas
Além das rodadas de conversa, o projeto REFLORA também marcou presença na exposição de trabalhos científicos da conferência.
Ketlen Fernanda de Almeida Pará, técnica de campo do IPÊ, e o representante comunitário Jovenilson Correa, apresentaram o pôster “Restauração ecológica com protagonismo comunitário na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Puranga Conquista – AM: Aprendizados do Projeto Reflora” . Durante o evento, ambos compartilharam com os participantes sobre os objetivos, os desafios da região e as oportunidades criadas pela iniciativa que une conhecimento tradicional e técnico.

Além deste, um segundo trabalho relacionado à atuação do projeto REFLORA também integrou a programação. A pesquisadora Beathriz Côcco, mestra pela ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (ESCAS), a escola do IPÊ, apresentou o estudo “Acesso ao mercado e fortalecimento da cadeia de valor do tucumã: implicações para renda familiar e sociobioeconomia na RDS Puranga Conquista (Manaus/AM)”, com destaque para as ramificações socioeconômicas e de geração de renda promovidas na região.

Sobre o Projeto REFLORA
O Projeto REFLORA integra o Edital Amazonas – Floresta Viva. O Floresta Viva é uma iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), criada para apoiar projetos de restauração ecológica na Amazônia e nos diversos outros biomas do país.
O edital 02/2023 é gerido em parceria com o FUNBIO e recebe apoio financeiro do BNDES, da Eneva S.A. e da Cooperação Alemã (via KfW), além do Governo do Brasil. O fortalecimento dos viveiros também contou com recursos do Mais Unidos, por meio do Projeto Tucumã.
A iniciativa atua ainda em conjunto com importantes parceiros institucionais e do setor privado, como a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (SEMA/AM), a APCT e a Natura.