Como Organização da Sociedade Civil, o IPÊ participa de encontros preparatórios relacionados às Conferências das Partes da ONU que acontecerão em 2026, para a tomada de decisão sobre clima e biodiversidade. Em maio, no Itamaraty, foi realizada uma consulta às OSCs sobre os temas da Agenda da 64ª Sessão dos Órgãos Subsidiários (SB64) da UNFCCC, que está sendo realizada em Bonn (Alemanha). Ali, foram debatidos Mitigação, Adaptação e Resiliência, Financiamento Climático, Transição Justa, Transparência, Tecnologia e Mercados e Diálogos Cruzados e Diálogos Globais.

“Os temas tratados durante a reunião foram os segmentos de decisões da COP30, de Belém. Nossa participação teve como foco questões de adaptação climática e mitigação, especialmente no que diz respeito aos impactos na biodiversidade e como a conservação de florestas apoia a mitigação dos impactos climáticos”, afirma Simone Tenório, representante do IPÊ.
No encontro, foram apresentadas as pautas que serão discutidas pelo Brasil na COP31, que será realizada na Turquia, em novembro. A diplomacia brasileira presente ressaltou que o agravamento das questões e conflitos geopolíticos não pode ofuscar toda a construção do que foi feito até o momento.
“O eixo de adaptação foi ressaltado por todos e está muito bem alinhado ao Plano Nacional de Adaptação. Existe ainda a necessidade do fortalecimento da cooperação internacional, a importância de mais recursos para a cooperação e a assistência técnica e capacitação, além do acelerador de implementação local que se conecte com financiamento, tecnologia e construção de capacidades”, comenta Simone.

Biodiversidade
| No mês, também participamos da consolidação das contribuições da sociedade civil brasileira contexto da elaboração do 7º Relatório Nacional para a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) do governo brasileiro, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. O documento será submetido à CDB em junho de 2026. Em oficina, as OSCs socioambientais contribuíram com a análise do progresso da implementação das metas nacionais de biodiversidade definidas na Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (EPANB 2025–2030). “Essa é uma agenda que estamos continuamente participando. Contribuímos com nossos dados e conhecimentos científicos de campo sobre biodiversidade, para a implementação de uma EPANB brasileira que funcione na prática. Com a EPANB e as EPAEBs, que são as estratégias dos estados, podemos avançar muito no cumprimento das metas globais para a biodiversidade, acordadas em 2022”. O IPÊ, por exemplo, contribui com 70% das 23 metas globais estabelecidas na COP da Biodiversidade de Montreal. Os dados e informações apresentados no workshop, com participação de 70 organizações, foram consolidados a partir de levantamentos realizados pela Comissão Nacional da Biodiversidade (CONABIO), do qual o IPÊ faz parte, além de documentos técnicos, contribuições de organizações parceiras e processos participativos anteriores relacionados à biodiversidade. A proposta foi evidenciar as histórias de impacto dessas, de articulação e de transformação nos territórios promovidas por essas organizações, além de reconhecer desafios e fortalecer a incidência conjunta neste processo estratégico. O workshop foi promovido pelo WWF Brasil. |