Legado para o artesanato do Baixo Rio Negro

Falar de artesanato no Baixo Rio Negro sem falar de Célio Arago Terêncio é, hoje, algo impensável. O artesão, de 36 anos, trabalha no ofício há 10 e é morador da comunidade Nova Esperança (AM). Desde 2014, Célio vem sendo reconhecido pelo seu trabalho, com indicação a prêmios e divulgação em revistas de decoração e eventos. Em 2016, ganhou o selo Sebrae Top 100 de Artesanato, que identifica as unidades produtivas com as melhores práticas de gestão.

O ofício ele aprendeu praticando com o pai, carpinteiro, e o aperfeiçoou ao longo do tempo. Das suas mãos saem arraias, botos e peixes-bois, que retratam a riqueza e beleza da biodiversidade amazônica. "Nunca tive curso. Mas a carpintaria me ajudou a desenvolver a arte em madeira. Aprendi muita coisa ao longo dos anos com o IPÊ, mas o que eu destaco nesse aprendizado é a questão da organização, da gestão, de saber precificar e saber como se preparar para fazer feiras e vender. Isso eu aprendi nas palestras e nos cursos", conta ele, que hoje comercializa seus produtos sem atravessadores e afirma que isso é uma grande evolução e o que tem gerado resultados para o seu trabalho.

"Fui em rodadas de negócios em 2016 que me garantiram entregas até julho de 2017. Quando a gente se dedica a algo que a gente gosta, colhe bons frutos. E eu estou colhendo. Costumo falar que o IPÊ é grande culpado disso, por tudo o que apoiou a gente".

Na comunidade onde vive, cerca de 10 artesãos continuam a aplicar o que aprenderam nos cursos do IPÊ e parceiros. "Na minha comunidade, valorizamos muito o artesanato, temos uma boa produção. Sinto que aqui tivemos uma transformação para a valorização do artesanato. Não é fácil viver disso, mas hoje eu posso dizer que a minha renda vem desse meu trabalho. Quando a gente se dedica, a coisa acontece", conta, orgulhoso.