Profissionais desenvolvem no Mestrado da ESCAS pesquisas para responder a questões que contribuem com o manejo da RPPN Estação Veracel

veracel credito ricardo telesA identificação e avaliação dos impactos de atividades em áreas protegidas são trabalhos fundamentais para a proteção e efetividade em Unidades de Conservação (UCs). Na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, localizada no sul da Bahia, um egresso e uma aluna do Mestrado Profissional da ESCAS em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, campus Bahia, aproveitam os conhecimentos do curso para criar propostas que apoiem a UC de forma prática.

Gildevânio Pinheiro dos Santos, analista ambiental da RPPN, apresentou como produto final de seu mestrado A influência da dinâmica do uso e ocupação da terra no entorno da RPPN Estação Veracel sobre a pressão de caça. No trabalho, ele propõe medidas que podem contribuir com a transformação desse cenário. “O Mestrado me ajudou a transformar informações de nove anos de monitoramento, com o uso de modelo estatístico, em dados para entender as diferentes pressões e variáveis. A caça com arma de fogo representa o maior impacto na RPPN Estação Veracel”. Entre os anos de 2007 e 2015 foram contabilizados 1.274 indícios de entrada de caçadores na área e 984 vestígios de caça.  (foto Ricardo Teles)

Segundo o egresso, a análise dos indícios e os vestígios de caça com os possíveis vetores de pressão (distância de assentamentos, acampamentos, estradas, áreas urbanas e a matriz) revelam que os assentamentos têm de fato pressionado a RPPN com potencial tendência de alta. “O maior vetor de pressão é que a RPPN está cercada por seis assentamentos de reforma agrária e é vizinha de bairros periféricos. Isso tem contribuído muito para o aumento da pressão na RPPN. Estamos enxergando a expansão desses assentamentos, loteamentos como uma possibilidade de aumento dessa pressão”. 

O trabalho de Gildevânio serve de apoio para o trabalho da monitora ambiental da RPPN, Maria Regina Oliveira Damascena. “Desenvolvemos com os vizinhos da RPPN o programa chamado Boa Vizinhança que visa conhecer melhor os vizinhos e manter um relacionamento de confiança. Vamos de porta em porta conhecendo quem está chegando e nos apresentando. Nossa intenção é que nossos vizinhos nos ajudem a proteger a floresta tão próxima deles. Apenas com o apoio deles vamos conseguir manter os animais e a floresta com equilíbrio”, destaca Maria Regina.

Adaptações em tempos de pandemia

Por conta das medidas de isolamento, as ações com as comunidades migraram para a esfera digital. Para manter o vínculo com as comunidades, Maria Regina tem produzido conteúdos sobre conservação de fauna que consideram dados de atropelamentos, caça e manuseio de animais. “A proposta é conhecer para conservar. Enviamos esses materiais para os responsáveis pelas associações e pedimos que eles divulguem nas comunidades. Também compartilhamos esses conteúdos nas nossas redes sociais”. 

No horizonte, quando a pandemia permitir, os colaboradores da RPPN planejam se reaproximar das comunidades da RPPN, retomando as atividades regionalmente, revela a monitora ambiental da RPPN. “Pretendemos reunir nossos vizinhos para que visitem a Estação Veracel e conheçam melhor nosso trabalho. Além das ações com os vizinhos diretos, trabalhamos com o público em geral da região, tanto recebendo visitas na Reserva quanto construindo ações com as comunidades dos 11 municípios de atuação da Veracel. Para nos aproximarmos das comunidades, fizemos alguns vídeos sobre a RPPN, trazendo temas como água, conservação do ambiente e da fauna”. 

Educadores no foco da pesquisa

Como monitora ambiental Maria Regina também recebe educadores, alunos e o público em geral na RPPN. Por conta da pandemia, a Unidade de Conservação segue fechada, mas o efeito da visitação é o tema do trabalho que ela está desenvolvendo como conclusão do Mestrado. 

“Quero saber qual é o impacto da visitação à RPPN na vida dos professores e dos demais visitantes. A princípio a pesquisa teria como foco os alunos, mas devido a pandemia, fiz essa mudança no público-alvo. Será que os professores e visitantes passaram a ter mais contato com o meio ambiente após a visita à RPPN? Estou entrevistando pessoas que visitaram a RPPN de 2016 a 2019. Acredito que minha pesquisa vai responder se esse tempo de trabalho realizado com eles surtiu efeitos positivos”. Maria Regina apresentará os resultados da pesquisa em abril de 2022. 

Quanto aos desafios na área da educação ambiental, Maria Regina destaca o senso de pertencimento.  “O principal ponto é as pessoas perceberem que elas têm um papel importante na conservação do meio ambiente. Em geral, elas veem o ambiente como algo à parte, como se os nossos hábitos não influenciassem a natureza, mas tudo está interligado”. 

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