Livro conta como o Monitoramento Participativo da Biodiversidade com as comunidades tem apoiado as Unidades de Conservação na Amazônia

 

Na busca por uma grande participação social na conservação de Unidades de Conservação (UCs) na Amazônia, o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), realiza o projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade, em 17 UCs do bioma. O trabalho acontece desde 2013, conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore, USAID, Programa ARPA e mais de 20 instituições locais. Por meio do projeto, comunidades que vivem dentro de UCs ou próximas a elas, têm participado de cursos e capacitações para se transformarem em monitores da biodiversidade da floresta, em uma troca constante de conhecimentos com pesquisadores do IPÊ e gestores do ICMBio . Desde a sua implementação, foram realizados mais de 15 cursos, com participação de mais de 500 pessoas. Atualmente, mais de 200 delas já executam ou executaram trabalhos como monitores.

Além de se envolverem na gestão da UC local, a comunidade ajuda a criar os protocolos de monitoramento e aprende ainda como utilizar essa ferramenta que apoia trabalhos como o levantamento da fauna local e o manejo de produtos da floresta. As comunidades também têm transformado o seu olhar sobre as riquezas naturais que existem ao seu redor.

"O projeto é uma revolução para a Cazumbá. As pessoas não sabiam que toda aquela biodiversidade era nossa e que temos que cuidar dela. O extrativista tem o olhar de que está vivendo na terra do governo, mas isso está mudando, a partir do envolvimento das pessoas com esse trabalho de monitoramento. As pessoas hoje estão se sentindo mais valorizadas, cuidando do que é nosso, se apropriando e se sentindo responsável por essa riqueza que é a Resex. A formação de novas lideranças é bom pra que a gente continue esse trabalho e que tenha isso por toda vida", afirma Aldeci Cerqueira Maia, da Reserva Extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema (AC), uma das UCs participantes do projeto, com o monitoramento da castanha-da-Amazônia.

Importantes resultados desse trabalho, como o envolvimento social, a troca de saberes e o envolvimento da comunidade em prol das Unidades de Conservação podem ser vistos na publicação “Monitoramento Participativo da Biodiversidade. Aprendizados em Evolução. A teoria e a Prática”. O livro é fruto de uma parceria entre o IPÊ, ICMBio, Fundação Gordon e Betty Moore e Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID/BRASIL) e foi lançado durante o CBUC (Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação), em Florianópolis.

Organizado por Pollyana Lemos, Rafael Chiaravalloti, Cristina Tófoli e Fabiana Prado, do IPÊ, o livro está dividido em cinco capítulos que relatam mais de cinco anos de experiências na gestão participativa em oito áreas federais protegidas da Amazônia.

“Para além dos aspectos técnicos, as experiências relatadas trazem reflexões sobre as formas de envolvimento social na gestão das unidades de conservação que podem servir como referência para outros projetos. Por isso a obra pode despertar interesse tanto de gestores de unidades de conservação, como das comunidades, pesquisadores e do público em geral que tenha algum interesse no assunto”, comenta Cristina Tófoli, engenheira florestal e uma das organizadoras do livro.

O acesso a versão digital do livro "Monitoramento Participativo da Biodiversidade - Aprendizado sem Evolução: a teoria na prática"  está temporariamente indisponível. Em breve disponibilizaremos a versão digital para download.