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O IPÊ realiza no dia 17 de dezembro, às 15h, a Mesa-Redonda Diálogos da Conservação: Construindo parcerias para a Gestão de UCs. O evento terá transmissão ao vivo pelo link www.ipe.org.br/dialogosipe.

A mesa-redonda terá participação de Claudio Padua, vice-presidente do IPÊ, Angela Pellin e Fabiana Prado, coordenadoras de projetos do Instituto, que há cerca de 10 anos lideram projetos que têm como eixo a construção de parcerias para enfrentar desafios na gestão de Unidades de Conservação no Brasil.

Com o evento, o IPÊ convida os participantes a conhecerem mais de perto a realidade das Unidades de Conservação, seus desafios e oportunidades. É um momento também de o Instituto compartilhar os conhecimentos adquiridos no desenvolvimento de parcerias, que se transformou em uma das expertises da instituição.

"Acreditamos muito nas parcerias entre setores como forma de criar inovação na conservação socioambiental. Temos conseguido resultados importantes para a gestão de UCs na Amazônia devido ao envolvimento de várias instituições para um mesmo propósito. A atuação em rede de empresas, governo e sociedade só fortalece o bioma e beneficia, especialmente, as comunidades locais, que podem participar ativamente desses processos", afirma Fabiana Prado, gerente de projetos e articulação institucional do IPÊ.

O fortalecimento das instituições que atuam em conjunto pelas Unidades de Conservação é parte importante para que os projetos possam ter resultados positivos. "Por exemplo, no projeto Motivação e Sucesso para a Gestão de UCs (MOSUC), conseguimos fazer com que organizações locais da Amazônia se capacitassem para atuarem junto a gestores do ICMBio, apoiando ações dentro das UCs. Isso foi fundamental e hoje, após a mais recente etapa do projeto finalizado, vemos que essas ONGs locais continuam a desenvolverem trabalhos nas UCs", afirma Angela Pellin, coordenadora do MOSUC.

Essas e outras reflexões serão debatidas na mesa-redonda que terá mediação do pesquisador Fernando Lima (IPÊ), criador do podcast Desabraçando Árvores. Durante o evento, será gravado mais um episódio do podcast, que pode ser acessado em diversas plataformas.

 

Estão abertas as inscrições para a nova turma do Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável da ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade. Com professores atuantes no mercado da conservação socioambiental e direcionado às questões práticas da sustentabilidade, o curso tem nota 4 da CAPES (a nota máxima é 5) e destina-se aos mais variados perfis profissionais, seja do setor privado, governamental ou não-governamental. Imerso na Mata Atlântica, o campus da ESCAS, em Nazaré Paulista (SP), é um ambiente propício para compartilhamento de aprendizagem em conservação e sustentabilidade e construção de conhecimentos inovadores para transformar realidades. Para 2020, oito bolsas de estudo são oferecidas - conheça as condições aqui: https://escas.org.br/editalmestrado2020

"Somos um Mestrado Profissional diferente dos cursos tradicionais. Nosso diferencial está em extrair o melhor de cada profissional, de cada aluno, de forma com que ele possa influenciar o setor socioambiental de maneira positiva, dentro de sua área de atuação. Incentivamos a criação de projetos inovadores, que possam ser verdadeiramente aplicados", comenta a coordenadora Cristiana Martins.

O Mestrado Profissional da ESCAS tem 11 anos e formou 136 mestres. De acordo com levantamentos da Escola, 41% dos mestres formados atuam hoje em instituições governamentais, 32% no setor privado, 25% em Organizações da Sociedade Civil e 2% em universidades. Quase 40% dos alunos que passaram pelo mestrado conseguiram ingressar no mercado de trabalho da conservação ou sustentabilidade por meio da rede de contatos formada pelo curso.

"O curso foi determinante para um novo momento meu na área profissional. Entender melhor a dinâmica profissional do terceiro setor, bem como o melhor engajamento de programas/projetos e ideias ou negócios inovadores foi relevante para que buscasse um melhor desenvolvimento e envergadura profissional. Também considero importante a amplitude de networking construído ao longo do curso que fortaleceu o meu desenvolvimento pessoal, propiciando novas oportunidades de diálogo e novas perspectivas profissionais", afirma Thiago Guedes, engenheiro agrônomo e coordenador Institucional do Instituto Viverde

A marca do curso é a qualidade e o contato com os desafios reais da sustentabilidade. Uma das disciplinas, por exemplo, é a Resolução de Desafios, quando os alunos são colocados frente a um projeto real que precisam executar em apenas uma semana.

Durante o mestrado, os alunos também têm contato com profissionais que estão na vanguarda da conservação socioambiental. A chance de poder acompanhar de perto projetos que são executados pelo IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas também é uma possibilidade enriquecedora. O Instituto tem 27 anos e é reconhecido por sua atuação em pesquisas científicas, educação ambiental, restauração florestal e envolvimento comunitário para a conservação da biodiversidade brasileira. 

As inscrições estão abertas aqui: https://escas.org.br/editalmestrado2020

 

O IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas considera inadmissíveis as alegações sem provas contra o Projeto Saúde & Alegria @saudeealegria. Defensores da natureza e das populações indígenas e ribeirinhas da Amazônia, esta organização é referência há décadas por seus trabalhos exemplares, que já lhes renderam prêmios e outros reconhecimentos no Brasil e no exterior. Somos solidários a seus fundadores e a toda a equipe que têm dado relevantes contribuições para a Amazônia e para a vida de suas comunidades.

Entre 12 e 15 de novembro, o IPÊ realizou dois cursos de capacitação e reciclagem para o automonitoramento em oito comunidades da Reserva Extrativista (Resex) Médio Juruá e 11 comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, no Amazonas. Os cursos acontecem pelo projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade, uma parceria do IPÊ com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os  dois recentes foram direcionados para monitores formados no ano de 2018, mas também formou 63 novos monitores da biodiversidade para a Amazônia.

O objetivo das aulas foi relembrar os monitores já formados da importância do trabalho deles para o monitoramento da biodiversidade dessas duas Unidades de Conservação (UCs) onde que vivem, recapitular todas as atividades do protocolo de automonitoramento da pesca e corrigir os principais erros encontrados no preenchimento dos formulários. Os dias de curso despertaram interesse de mais pessoas que, ao verem seus vizinhos realizando o trabalho de monitoria durante o ano que passou, quiseram fazer parte. 

O automonitoramento da pesca consiste em realizar a coleta de informações de forma participativa. Voluntários das comunidades são capacitados para coletar informações em determinado período, anotando as espécies, o volume e a quantidade total de peixes capturada, bem como a medição de amostra por espécie. A metodologia foi criada a partir de reuniões com especialistas da área de ictiologia, gestão e manejo. Posteriormente foi testada e, a partir das demandas das comunidades, foi adaptada como uma forma mais baratas e eficientes de monitorar e avaliar o ambiente aquático e as espécies de peixes locais capturadas.

Os cursos fazem parte do projeto do IPÊ, ligado ao Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (MONITORA), Subprograma Aquático Continental, do ICMBio, sob a coordenação do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM) em parceira com o IPÊ e apoio da USAID e Fundação Gordon e Betty Moore.

 


Suzana palestra CBPRO 18º Congresso Brasileiro de Primatologia, promovido pela Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr) de 6 a 10 de novembro, trouxe a educação para o centro dos debates, com o tema "Educando Primatas". A abertura do evento, que aconteceu no Centro Cultural Higino, em Teresópolis/RJ, foi realizada pela presidente do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, Suzana Padua. Educadora ambiental, com grande experiência no relacionamento com comunidades, Suzana defende que o tema deve ser tratado como ciência, assim como outras atividades que envolvem a conservação de primatas no Brasil. Para ela, a educação precisa estar antenada ao que vem sendo desenvolvido em termos de comunicação no mundo, para conseguir alcançar públicos diversos, fazendo com que o tema ambiental não somente ensine, mas desperte o encantamento nas pessoas.

Na palestra de abertura, Suzana levou alguns dos aprendizados que teve ao iniciar o trabalho de educação para a conservação do mico-leão-preto no Pontal do Paranapanema, há cerca de 35 anos, quando as pesquisas sobre a espécie começaram de forma mais ampla nesta região de Mata Atlântica, extremo oeste de São Paulo. Desde então, a caminhada junto com o IPÊ foi a de buscar na educação, seja ela formal ou não, o impulso para multiplicar os conhecimentos adquiridos no campo pelos pesquisadores do Instituto e formar novos profissionais para atuarem em prol da biodiversidade brasileira.

Mais IPÊ no Congresso

Ao longo do congresso, o IPÊ também participou de simpósios e apresentações de trabalhos, mostrando os resultados das suas pesquisas científicas com o primata que é símbolo do estado de São Paulo, o mico-leão-preto. O trabalho mais recente, da coordenadora do Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto, Gabriela Cabral Rezende, refere-se a estudos de modelagem ecológica, que identificam atualmente quais são as áreas prioritárias para traçar estratégias de conservação para o animal. Trata-se de um novo método que busca identificar essas áreas levando em consideração as características da paisagem e o processo de fragmentação, uma vez que os micos dependem de ambientes florestais para viver e sobreviver.

Outro trabalho apresentado pelo programa de conservação do IPÊ foi sobre os resultados obtidos no monitoramento de uso dos ocos artificiais pelos micos. Leonardo Silva, também pesquisador do Programa, falou sobre os fatores que influenciam a escolha de ocos naturais pelos bichos. Essa pesquisa, desenvolvida em parceria com o Laboratório de Primatologia da UNESP Rio Claro, forneceu dados sobre quais os melhores modelos de ocos artificiais e melhores locais para posicioná-los na natureza, de modo que os micos passassem a fazer deles seus dormitórios em áreas com poucos ocos naturais disponíveis.

No Congresso, Gabriela também apresentou os resultados obtidos até o momento com os ocos artificiais, monitorados com câmeras (armadilhas fotográficas), o que permite aos pesquisadores analisarem o uso destes pelo mico e outras espécies. O monitoramento usando essas câmeras, apesar de já consagrado e muito utilizado para outros grupos de animais que andam no solo, é uma metodologia inovadora para o monitoramento de primatas, que são animais que se movimentam na copa das árvores (dossel). Os micos-leões-pretos são a segunda espécie de macaco brasileiro com as quais essa metodologia vem sendo aplicada. O trabalho foi apresentado durante um simpósio específico sobre o assunto, denominado “Armadilhas fotográficas no dossel: aplicações, eficiência e desafios”.

Tendências

Nessa edição, o congresso comemorou os 40 anos da SBPr e 40 anos do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (CPRJ), além de 80 anos do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO/ICMBio). Mais de 300 pessoas de quase todos os estados do Brasil e de mais 10 outros países estiveram presentes assistindo a mais de 300 trabalhos apresentados sobre os primatas brasileiros. Para Gabriela Cabral Rezende, o congresso buscou avançar em duas questões primordiais nos dias atuais, no que concerne a pesquisa e a conservação de primatas no nosso país: o uso de tecnologias para monitoramento das espécies em campo e a comunicação para conservação.

"Apesar de ter trabalhos de todas as áreas do conhecimento da primatologia, ali apresentados, conseguimos ver uma grande tendência sobre aplicação dos resultados dessas pesquisas na conservação das espécies. Isso é bastante relevante considerando que o Brasil é o país com maior diversidade de primatas do mundo, com 153 espécies e subespécies, sendo 23% destas ameaçadas de extinção, principalmente os primatas que vivem na Mata Atlântica e na região do arco do desmatamento. É imperativo que a gente trabalhe não só gerando conhecimento, mas aplicando-o na prática para a conservação. Diversos simpósios ao longo do congresso foram realizados com esse fim", comentou.

A grande novidade, segundo ela, entretanto, foi a abertura para mais discussões sobre educação e comunicação na conservação de primatas. "Foi interessante debater sobre como a gente pode fazer com que todo esse conhecimento chegue a quem precisa chegar, ou seja, ampliando esse horizonte para outros públicos além dos primatólogos. As pessoas precisam compreender a importância dos primatas, para nos apoiarem na conservação", conclui.