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O IPÊ foi a inspiração da nova coleção da Animale. A marca do grupo SOMA trouxe também o conceito do papel feminino no Instituto, que tem como presidente Suzana Padua e conta com mais de 55% de mulherem em sua liderança. Confira a matéria especial sobre o tema no site da marca.

A parceria celebra os 30 anos da marca e do IPÊ e tem, claro, os ipês como inspiração.

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As cadeias produtivas da sociobiodiversidade da floresta Amazônica estiveram em debate nas aulas da pós-graduação em Gestão de Negócios Socioambientais da ESCAS. Trabalho em rede, pesquisa na prática e novas oportunidades estão entre os destaques pontuados pelos convidados: Fabiana Prado, coordenadora do Projeto LIRA/IPÊ – Legado Integrado da Região Amazônica, Isabel Seabra, professora da Universidade do Estado do Amazonas e Luiz Brasi Filho, egresso da ESCAS, especialista de Mercados da Rede Origens Brasil, no Imaflora - Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola.   

Trabalho em rede

Fabiana Prado, coordenadora do LIRA/IPÊ, compartilhou os objetivos do projeto e trouxe como estratégica a importância da atuação em rede. “O LIRA tem como foco trabalhar o aumento da efetividade de gestão das áreas protegidas, pensando na conservação da floresta e na resiliência frente às ameaças. As áreas protegidas são a base para o presente e elas garantem o futuro da Amazônia promovendo os ativos naturais do Brasil e a sabedoria ancestral dos povos da floresta”. Nessa direção, a iniciativa conta com a REDE LIRA, uma ampla articulação de mais de 80 instituições que busca fortalecer a economia e as comunidades na Amazônia.  “O LIRA tem como foco os povos tradicionais, trazendo esse olhar para as vulnerabilidades e as injustiças socioambientais e a gestão de áreas protegidas, trabalhando principalmente as redes de parceria”, completou.  

Entre as questões-chave apoiadas pelo LIRA está o fomento a 12 cadeias de valor da Amazônia: castanha, farinha de mandioca, turismo, açaí, pesca, pirarucu, artesanato, artefatos de madeira, cumaru, cacau silvestre e borracha. “Além do apoio às áreas de estrutura, armazenamento, comercialização, cultivo, equipamento, capacitações e desenvolvimento de planos de negócios, é importante também trabalhar essa esfera administrativa-financeira das organizações para que elas possam no futuro captar e gerir os próprios recursos, uma exigência dos grandes financiadores”, destacou Fabiana. O LIRA é uma iniciativa idealizada pelo IPÊ, Fundo Amazônia e Fundação Gordon e Betty Moore; parceiros financiadores do projeto.

Pesquisa na prática

Izabel Seabra, professora da Universidade do Estado do Amazonas e doutoranda, compartilhou a tese em desenvolvimento sobre sustentabilidade financeira em Reservas Extrativistas (Resex), no sul do bioma Amazônico. “Visitei a Resex Estadual de Canutama que conta com 16 comunidades e tem como principal produto a castanha, seguida da farinha, peixe fresco, peixe seco, porco e açaí.  Muitas vezes os dados agregados da Resex mascaram a desigualdade dentro dela. A SEMA – Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas tem a produção total in loco, mas consegui a desagregação. Há comunidade concentrando mais de 30% da produção de castanha, enquanto outras estão minguando”.

O doutorado de aplicabilidade prática de Izabel inclui o desenvolvimento de um aplicativo em que tanto o gestor da RESEX quanto os líderes comunitários terão a oportunidade de inserir dados sobre volume de produção de cada produto, valor de venda, para quem vendeu, o destino do produto, por exemplo. “A sistematização nasceu exatamente como forma de apresentar o que tem sido feito em cada comunidade. Existe um desconhecimento entre eles pela distância. A ideia também é fazer com que eles se sintam como parte de um todo, se identifiquem como reserva; acredito que assim a situação vai melhorar para todos”, pontuou Izabel Seabra.

Novas oportunidades

O terceiro convidado Luiz Brasi Filho, especialista de Mercados da Rede Origens Brasil, no Imaflora, compartilhou possíveis soluções para escalar a economia da floresta.  “Não existe uma solução única para suprir os desafios da sociobiodiversidade, mas sim um conjunto delas. Estruturar a oferta dos produtos da sociobiodiversidade de forma conjunta unindo ribeirinhos/beradeiros e indígenas pode ser um mecanismo interessante para a Amazônia para depois conectar com o mercado”.

Filho destacou o Origens Brasil entre essas estratégias. “O Origens é uma rede que dá acesso às empresas às cadeias da sociobiodiveridade estruturadas e garante origem, transparência, rastreabilidade – uma tendência no setor empresarial”.  Entre as possibilidades do mercado, Luiz acredita que uma delas se refere a influenciar empresas para que incorporem produtos da sociobiodiversidade amazônica em seus produtos. “Uma empresa, por exemplo, comprou 2 toneladas de borracha, no primeiro ano da parceria com o Origens. No segundo ano, a compra foi de 12 toneladas. Ela inovou no desenvolvimento do produto e o consumidor desse calçado gostou; o que mostra que temos também um papel de contribuir para que as empresas inovem nos produtos”.

Segundo o egresso da ESCAS, os novos modelos de contrato também despontam como possibilidade, uma vez que podem prever para as comunidades, por exemplo, a destinação de um porcentual da venda final do produto desenvolvido com matéria-prima da sociobiodiversidade. “Muitas vezes, para a comunidade, a repartição de benefícios dos contratos com essas empresas é mais interessante do que a própria compra. A repartição em muitos casos é maior do que a compra direta dos produtos da sociobiodiversidade”, destacou.

veracel credito ricardo telesA identificação e avaliação dos impactos de atividades em áreas protegidas são trabalhos fundamentais para a proteção e efetividade em Unidades de Conservação (UCs). Na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, localizada no sul da Bahia, um egresso e uma aluna do Mestrado Profissional da ESCAS em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, campus Bahia, aproveitam os conhecimentos do curso para criar propostas que apoiem a UC de forma prática.

Gildevânio Pinheiro dos Santos, analista ambiental da RPPN, apresentou como produto final de seu mestrado A influência da dinâmica do uso e ocupação da terra no entorno da RPPN Estação Veracel sobre a pressão de caça. No trabalho, ele propõe medidas que podem contribuir com a transformação desse cenário. “O Mestrado me ajudou a transformar informações de nove anos de monitoramento, com o uso de modelo estatístico, em dados para entender as diferentes pressões e variáveis. A caça com arma de fogo representa o maior impacto na RPPN Estação Veracel”. Entre os anos de 2007 e 2015 foram contabilizados 1.274 indícios de entrada de caçadores na área e 984 vestígios de caça.  (foto Ricardo Teles)

Segundo o egresso, a análise dos indícios e os vestígios de caça com os possíveis vetores de pressão (distância de assentamentos, acampamentos, estradas, áreas urbanas e a matriz) revelam que os assentamentos têm de fato pressionado a RPPN com potencial tendência de alta. “O maior vetor de pressão é que a RPPN está cercada por seis assentamentos de reforma agrária e é vizinha de bairros periféricos. Isso tem contribuído muito para o aumento da pressão na RPPN. Estamos enxergando a expansão desses assentamentos, loteamentos como uma possibilidade de aumento dessa pressão”. 

O trabalho de Gildevânio serve de apoio para o trabalho da monitora ambiental da RPPN, Maria Regina Oliveira Damascena. “Desenvolvemos com os vizinhos da RPPN o programa chamado Boa Vizinhança que visa conhecer melhor os vizinhos e manter um relacionamento de confiança. Vamos de porta em porta conhecendo quem está chegando e nos apresentando. Nossa intenção é que nossos vizinhos nos ajudem a proteger a floresta tão próxima deles. Apenas com o apoio deles vamos conseguir manter os animais e a floresta com equilíbrio”, destaca Maria Regina.

Adaptações em tempos de pandemia

Por conta das medidas de isolamento, as ações com as comunidades migraram para a esfera digital. Para manter o vínculo com as comunidades, Maria Regina tem produzido conteúdos sobre conservação de fauna que consideram dados de atropelamentos, caça e manuseio de animais. “A proposta é conhecer para conservar. Enviamos esses materiais para os responsáveis pelas associações e pedimos que eles divulguem nas comunidades. Também compartilhamos esses conteúdos nas nossas redes sociais”. 

No horizonte, quando a pandemia permitir, os colaboradores da RPPN planejam se reaproximar das comunidades da RPPN, retomando as atividades regionalmente, revela a monitora ambiental da RPPN. “Pretendemos reunir nossos vizinhos para que visitem a Estação Veracel e conheçam melhor nosso trabalho. Além das ações com os vizinhos diretos, trabalhamos com o público em geral da região, tanto recebendo visitas na Reserva quanto construindo ações com as comunidades dos 11 municípios de atuação da Veracel. Para nos aproximarmos das comunidades, fizemos alguns vídeos sobre a RPPN, trazendo temas como água, conservação do ambiente e da fauna”. 

Educadores no foco da pesquisa

Como monitora ambiental Maria Regina também recebe educadores, alunos e o público em geral na RPPN. Por conta da pandemia, a Unidade de Conservação segue fechada, mas o efeito da visitação é o tema do trabalho que ela está desenvolvendo como conclusão do Mestrado. 

“Quero saber qual é o impacto da visitação à RPPN na vida dos professores e dos demais visitantes. A princípio a pesquisa teria como foco os alunos, mas devido a pandemia, fiz essa mudança no público-alvo. Será que os professores e visitantes passaram a ter mais contato com o meio ambiente após a visita à RPPN? Estou entrevistando pessoas que visitaram a RPPN de 2016 a 2019. Acredito que minha pesquisa vai responder se esse tempo de trabalho realizado com eles surtiu efeitos positivos”. Maria Regina apresentará os resultados da pesquisa em abril de 2022. 

Quanto aos desafios na área da educação ambiental, Maria Regina destaca o senso de pertencimento.  “O principal ponto é as pessoas perceberem que elas têm um papel importante na conservação do meio ambiente. Em geral, elas veem o ambiente como algo à parte, como se os nossos hábitos não influenciassem a natureza, mas tudo está interligado”. 

Resolução de Desafios: Mestrandos atualizam Plano de Manejo de Unidade de Conservação

No segundo painel Vozes do Voluntariado: Inspira Ação, do I Fórum de Voluntariado em Unidades de Conservação, uma iniciativa do IPÊ, realizada na quinta-feira 14 de outubro, lideranças do ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, da Rede de Trilhas e de Brigadas Comunitárias compartilharam diferentes perspectivas sobre o voluntariado e como tem sido o desenvolvimento desse trabalho.  

Felipe Martins, analista ambiental do ICMBio e coordenador do Programa de Voluntariado do Parque Nacional da Tijuca, revelou as estratégias que fortalecem o vínculo da sociedade com a Unidade de Conservação. “O Programa do Parque com mais de 18 anos conta com sete linhas de ação entre atividades planejadas, como mutirões mensais, e não planejadas, como brigada voluntária, por exemplo. É importante que o voluntário consiga visualizar o resultado do próprio esforço, o ganho, com atividades que tenham começo, meio e fim. Tenho um grupo de voluntários coordenadores que me ajuda com o Programa”. 

Pedro Cunha e Menezes, diplomata e atual diretor da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, destacou a importância da criação de um verdadeiro sistema integrado de áreas protegidas. “O uso público como ferramenta de conservação já está consolidado. Precisamos que todos trabalhem juntos por um sistema de Unidades de Conservação e não por um conjunto, para que nossos filhos possam ter Unidades de Conservação conectadas”.  A Rede de Trilha contabiliza 10 mil voluntários. 

André Luís Macedo Vieira, analista ambiental do ICMBio e responsável pelo Núcleo de Gestão Integrada de Carajás, no sudeste do Pará, compartilhou uma série de avanços em um contexto repleto de desafios. “Inicialmente, os voluntários foram mobilizados com a função de nos ajudar nesse processo de sensibilização social, de promover o sentimento de pertencimento na sociedade local. O resultado foi muito positivo. Começamos com 20 voluntários em 2016 e desde então cerca de 300 já colaboraram conosco. Muitos que começaram como voluntários atualmente trabalham conosco no ICMBIO ou em parceiros. A metodologia que usamos em Carajás é muito forte em formação, em um ciclo de aproximadamente 2 anos com espaços de formação, discussão e interação”.  

Maria de Lourdes de Arruda contou sobre o trabalho voluntário como brigadista comunitária na Área de Proteção Ambiental da Baía Negra, no Pantanal. “Em 2020, tivemos muito fogo, na área em que atuo mais de 75% do território foi queimado, mas não desistimos e estamos aqui com nossos parceiros. A cada dia contamos com mais pessoas dispostas a ajudar a cuidar do que é nosso, da nossa natureza”. 

Encerramento

O ilustrador Rodrigo Bueno, facilitador gráfico, apresentou um trabalho em processo de desenvolvimento com os destaques do último painel. Em breve, essa e as demais facilitações gráficas estarão na área de Publicações no site do evento.  

No encerramento, Angela Pellin, coordenadora de projetos no IPÊ, agradeceu a todos os palestrantes, a presença do público e destacou a importância da consolidação de redes pela conservação e sobre o quanto o voluntariado é inclusivo. “Cada um à sua maneira pode se envolver e se engajar nessa causa, vimos as experiências dos Estados Unidos, Alemanha, mas nós, aqui Brasil, também temos experiência lindíssimas, estamos construindo o nosso caminho e mostrando todo o potencial que o voluntariado tem para aumentar o engajamento da sociedade nas nossas Unidades de Conservação. Vimos que o voluntariado pode ser também um instrumento de inclusão, de profissionalização, de engajamento e de participação.No dia 28 de outubro, segundo dia do Fórum, vamos apresentar uma síntese dos resultados do I Encontro de Boas Práticas em Unidades de Conservação e discutir as perspectivas do voluntariado de conservação".  O segundo dia (28 de outubr) também será transmitido pelo Canal do IPê no Youtube. 

Cibele Tarraço, da comunicação do IPÊ, reforçou o potencial dos programas para a conservação. “O voluntariado é uma estratégia essencial para a conservação da natureza com a aproximação da sociedade das nossas Unidades de Conservação. Para atingirmos esse propósito precisamos de todos os atores envolvidos juntos e agradeço a todos que integram essa rede”. 

O Fórum contou com o apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da GIZ, da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) com apoio técnico do Serviço Florestal dos Estados Unidos (USFS) e do Projeto LIRA – IPÊ. Além de apoio institucional do ICMBio, SEMAD - GO, IMASUL - MS, Fundação Florestal - SP, Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, Comitê Brasileiro-UICN, Coalizão Pró-UC, Rede Nacional de Brigadas Voluntárias (RNBV), Confederação Nacional de RPPN (CNRPPN) e Grupo de Estudos de Voluntariado Empresarial (GEVE).

 

Confira a abertura

Saiba mais sobre o Painel 1: Voluntariado para Conservação: experiências internacionais e brasileira

O primeiro painel Experiências internacionais e brasileira, do Fórum de Voluntariado em Unidades de Conservação, uma iniciativa do IPÊ, realizada na quinta-feira 14 de outubro reuniu, de maneira 100% online, os aprendizados do ICMBio/Brasil; do Serviço Florestal dos Estados Unidos e do Parque Natural de Eifel, na Alemanha.

Paulo Russo, coordenador geral de proteção do ICMBio, compartilhou a trajetória feita em parceria com o IPÊ e com outras organizações que levaram ao aumento expressivo no número de voluntários cadastrados no sistema do ICMBio em três anos. “Em 2019, tínhamos 750 voluntários, a partir do momento que começamos a abrir os canais de diálogo, com a ajuda de parceiros como o IPÊ, conseguimos chegar a 40 mil voluntários cadastrados no sistema. Saímos de menos de mil para 40 mil cadastrados. Nosso maior desafio é acolher os voluntários. Até o momento, 5 mil foram absorvidos pelo programa, mas o nosso coração bate forte com todas essas pessoas mobilizadas”. 

Kristin Schmitt, coordenadora do Programa de Voluntariado e Serviço Regional do USFS, na região das Montanhas Rochosas, destacou as oportunidades que o voluntariado representa para a gestão das Unidades de Conservação. “Já temos cinco gerações trabalhando conosco. O mais importante é entender a construção de relações, incluindo a participação na gestão, fomentando a inovação e o compartilhamento de ideias”. 

Sylvia Montag, do Parque Natural de Eifel, na Alemanha, trouxe exemplos de como tornar o voluntariado mais inclusivo.  “O que mais me tocou foi quando trabalhei com voluntários quando era responsável pelo desenvolvimento de uma trilha inclusiva que pode ser usada por pessoas cegas e também por aquelas que utilizam cadeiras de rodas, sem precisar da ajuda de outras pessoas. Também desenvolvemos modelo de paisagem do parque para ser tocado, dessa forma a pessoa tem a oportunidade de conhecer a paisagem”.  Sylvia também compartilhou dois aprendizados, como o engajamento de empresas e escolas, que estão no livro “Boas Práticas Voluntariado, Trilhas de longa distância e Marca de Origem” escrito por ela e disponível gratuitamente no site do evento na área de Publicações

Confira a abertura do evento 

Painel 2: Vozes do Voluntariado: Inspira Ação