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Pesquisadores da INCAB - Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas - lançam no dia 12 de março uma campanha de crowdfunding para arrecadar recursos para a realização de sua primeira expedição à Amazônia. A expedição tem por objetivo identificar as ameaças enfrentadas pela anta brasileira na Amazônia e selecionar áreas de estudo para um novo programa de pesquisa e conservação da espécie. As doações podem ser feitas pelo site: https://igg.me/at/TAPIRAMAZON

A Amazônia será o quarto e último bioma por onde a INCAB vai passar com suas ações de pesquisa e conservação da anta brasileira. A INCAB nasceu em 1996, quando a pesquisadora e conservacionista Patrícia Medici estabeleceu, na Mata Atlântica, um programa pioneiro de pesquisa aplicada à conservação do maior mamífero terrestre da América do Sul. Desde então, vêm sendo realizados monitoramentos de longo-prazo – Mata Atlântica (1996-2007), Pantanal (2008 – em andamento), Cerrado (2015 – em andamento) – responsáveis pela criação e manutenção do maior banco de dados sobre a espécie no mundo. Os dados e resultados obtidos através das pesquisas são aplicados no desenvolvimento e implementação de medidas que promovam a conservação da espécie em todos os biomas brasileiros onde ela ocorre. Conhecida como a jardineira da floresta, por sua incrível capacidade de dispersão de sementes, a anta brasileira tem papel fundamental na manutenção da biodiversidade. Após o estabelecimento de programas na Mata Atlântica, Pantanal e Cerrado, é chegado o momento de expandir os esforços para a Amazônia.

"A Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, é o último bioma do país onde a espécie ainda não foi estudada sistematicamente. A floresta amazônica e sua biodiversidade são extremamente importantes em diversas esferas, desde a conservação de nossa biodiversidade, até a preservação cultural de populações tradicionais, o balanço hídrico do país e do mundo e a redução dos efeitos do aquecimento global. A anta vai nos ajudar a gerar subsídios para a conservação da Amazônia", afirma Patrícia Medici, ponderando sobre a importância do estabelecimento da INCAB na região.

A expedição será realizada em junho de 2019. No decorrer de 30 dias, a equipe irá percorrer mais de 5 mil quilômetros ao longo da área conhecida como arco sul do desmatamento, passando por três estados brasileiros - Rondônia, Mato Grosso e Pará. Nesta região, encontra-se um mosaico de atividades humanas incluindo a agricultura em larga escala (particularmente a soja), pecuária, mineração, plantios de óleo de palma entre outras. O dinheiro arrecadado pela campanha será utilizado para cobrir as despesas da logística da expedição.

"Por se tratar de um projeto de organização não-governamental, a INCAB-IPÊ mantem esforços constantes de busca por suporte financeiro para realizar suas atividades de pesquisa e conservação. Desta vez, decidimos apostar no financiamento coletivo e buscar o suporte da sociedade civil para a realização da expedição!  Esperamos ter sucesso!", afirma a conservacionista.

Para conhecer mais sobre a INCAB-IPÊ, saber mais sobre a campanha e/ou fazer uma contribuição para a mesma, acesse: https://igg.me/at/TAPIRAMAZON

A expedição na Amazônia em junho poderá ser acompanhada nos canais da INCAB-IPÊ:

Website – www.tapirconservation.org.br  
Facebook – www.facebook.com/INCAB.BRASIL  
Instagram – @INCAB_BRASIL
Twitter – @INCAB_BRASIL
YouTube – www.youtube.com/c/INCABBrasil

 

O IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas comemora, em 2019, os 35 anos de trabalho em favor da conservação dessa espécie. Os esforços acontecem na região do Pontal do Paranapanema, extremo oeste de SP, por meio do Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto. Ali, pesquisas científicas sobre comportamento e saúde da espécie são complementadas por atividades de mobilização da comunidade, educação ambiental e restauração florestal, que garantam a sobrevivência dos micos em longo prazo. O Instituto é o responsável por dados científicos que são utilizados na composição de políticas públicas para a proteção desse animal, como na criação da Estação Ecológica Mico-Leão-Preto (ESEC-MLP).

Outra ação relevante para a conservação do mico-leão-preto foi o estabelecimento do maior corredor de floresta restaurada do Brasil. Como a Mata Atlântica no Oeste de São Paulo é extremamente fragmentada em pequenas áreas de mata, os animais sofrem com o isolamento, correndo riscos de se extinguir por falta de hábitat, de alimento e de pares reprodutivos. Uma das iniciativas do IPÊ foi justamente plantar um corredor de mata que conecta duas grandes áreas florestais na região do Pontal do Paranapanema, a ESEC-MLP e o Parque Estadual Morro do Diabo. Com 2,7 milhões de árvores nativas, o corredor tem cerca de 20 quilômetros de extensão e é uma estratégia para que os animais possam transitar em uma área mais ampla, aumentando as chances de abrigo, alimentação e reprodução.

O Corredor da Mata Atlântica, como é chamado, já é percorrido por diversas espécies, inclusive de mamíferos de grande porte como a onça e a anta, segundo pesquisas com armadilhas fotográficas. O uso da área pelos micos já é investigado, porém, como a espécie utiliza ocos de árvores como abrigo contra predadores, e as árvores do corredor são muito recentes e ainda não os possuem, os pesquisadores do IPÊ testam atualmente ocos artificiais em algumas áreas próximas a este corredor, para verificar a aderência do animal aos novos abrigos. O acompanhamento desses ocos tem mostrado o sucesso da estratégia com dois grupos já usando os ocos artificiais. Logo eles também se beneficiarão desses abrigos na área reflorestada.

 

 

O Brasil tem quatro espécies de micos-leões que só existem aqui, na Mata Atlântica. O mico-leão-dourado (mais popular e que vive nas matas do Rio de Janeiro), o mico-leão-da-cara-dourada (que vive em território baiano), o mico-leão-de-cara-preta (que ocorre apenas no litoral sul de São Paulo e norte do Paraná) e o mico-leão-preto (que vive exclusivamente na Mata Atlântica de interior do estado de São Paulo, especialmente na porção oeste).

Os micos-leões-pretos pesam cerca de 600 gramas quando adultos. Têm o corpo coberto por uma pelagem longa, predominantemente preta, com exceção do dorso, que apresenta coloração alaranjada. Recebem esse nome por conta da pelagem da cabeça, que se assemelha a uma juba de leão.

Vivem em grupos familiares de 2 a 8 indivíduos. Cada grupo é composto por uma fêmea dominante, um a dois machos reprodutivos e os filhotes e juvenis do casal, que permanecem no grupo até atingirem a maturidade sexual e dispersarem para a formação de seus próprios grupos familiares. A fêmea geralmente dá à luz gêmeos, uma vez ao ano, após uma gestação de aproximadamente 4 meses. Os demais integrantes do grupo auxiliam no cuidado parental até que o filhote possa se locomover sozinho. Eles se comunicam entre si, emitindo diversos tipos de vocalizações, tanto para os membros do próprio grupo, como de grupos vizinhos.

Como são animais territorialistas, cada grupo utiliza uma área que pode variar de 40 a 400 hectares. Eles realizam suas atividades durante o dia, e à noite se abrigam em ocos de árvores para dormir. Geralmente, quando os pesquisadores precisam fazer estudos de observação, precisam estar atentos aos ocos onde os micos dormiram na noite anterior e acompanhá-los logo pela manhã. Eles não saem do oco durante a noite.

Alimentam-se majoritariamente de frutos, mas também de invertebrados, pequenos vertebrados, como lagartixas, aves e pererecas, exsudatos das árvores (goma) e flores. Seus principais predadores são as aves de rapina, serpentes, iraras e alguns felinos.

(Foto: Katie Garrett)

 

Dia 28 de fevereiro comemora-se no Brasil o Dia do Mico-Leão-Preto (Portaria nº 4, de 17 de setembro de 2018). Primata considerado "em perigo de extinção", nas listas de espécies ameaçadas internacional, brasileira e estadual, o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) existe apenas na porção oeste e sul do estado de São Paulo, nos remanescentes de Mata Atlântica de Interior e matas ciliares, e tem um papel importante nessa porção florestal.

Devido à intensa devastação dessa floresta e fragmentação de seu hábitat, a espécie sofreu uma redução significativa da população a aproximadamente 1500 indivíduos. Para se ter uma ideia, o mico-leão-preto foi considerado extinto por 65 anos, devido à ausência de registros na natureza, até sua redescoberta em 1970. Felizmente, com os esforços de conservação de organizações socioambientais e governamentais, hoje o mico-leão-preto tem um futuro mais promissor.

Assim como outros primatas, o mico é uma espécie sentinela, que indica a saúde de um ambiente (por exemplo, se uma área é afetada pelo mosquito da febre amarela, são os primeiros a sentirem o impacto), e também é um bom dispersor de sementes, auxiliando na manutenção das florestas dos locais onde vive.

Por ser uma espécie tão especial, que no mundo só existe em uma área restrita de São Paulo, o mico-leão-preto é considerado a espécie símbolo do estado.

IPÊ atua na conservação do mico-leão-preto há 35 anos

Curiosidades sobre o mico-leão-preto

 

 

Participante do Programa Monitora, do ICMBio, por meio do projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação (UCs) da Amazônia, o IPÊ esteve presente em diferentes eventos que avaliaram e validaram atividades do programa, no mês de fevereiro, em Brasília. Os eventos, chamados de Oficinas, buscam melhorar os modelos de monitoramento executados pelo Programa em favor da Amazônia.

A IV Oficina de Análise de Dados dos Alvos Globais do Componente Florestal trouxe contribuições muito importantes e possibilidades de avanços na conservação do bioma. Foram discutidos, por exemplo, como devem ser avaliados os dados coletados pelos projetos do programa, relacionados a plantas, mamíferos, aves e borboletas. Com relação às plantas, como já existem dados importantes e algumas análises de composição e densidade populacional das árvores, eles já  serão utilizados no manejo do fogo em algumas UCs.

No caso de aves e mamíferos, pesquisadores do programa relataram o desafio de encontrar animais de grande porte, e a medida a ser tomada agora é aumentar o esforço amostral, o número de animais encontrados. Nesse sentido, quanto maior a quilometragem percorrida, maior será a quantidade de animais avistados, para análises mais robustas. Já para o monitoramento de borboletas, será considerado agora o uso do Software de Ciência Cidadã (I-Naturalist), para que os animais coletados sejam identificados de maneira simples e por meis pessoas. 

A gestão dos dados coletados pelos projetos que fazem parte do Monitora também passou por uma discussão. Mais de 30 pessoas entre servidores do ICMBio (COMOB, COPEG, COTEC, Centros de Pesquisa e Conservação - CBC, CEPTA, CEPAM, CENAP), profissionais do IPÊ e das empresas de tecnologia Necto e SkyMarket participaram da Oficina de Validação do Sistema de Gestão de Dados do Monitora.

Durante o encontro, foram apresentadas as premissas, os modelos de tela, as etapas de cadastro das unidades amostrais, os monitoramentos, os fluxos, as opções de entrada de dados, as ferramentas de validação e testes, dentre outros aspectos que envolvem a gestão de dados de biodiversidade. Debates e trabalhos em grupo ao longo da Oficina possibilitaram diálogo, esclarecimento de dúvidas, ajustes e definições do sistema de gestão, com funcionalidades definidas e projetado para atender às necessidades e demandas dos protocolos Florestal, Aquático, Continental e Campestre Savânico, além de estar preparado para recever novos protocolos no futuro. 

Esta iniciativa recebe o apoio de Gordon and Betty Moore Foundation, USAID e Programa ARPA.