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Do site *USAID

"A importância do monitoramento é semelhante ao ato de se alimentar todos os dias. Você precisa comer para não deixar o corpo fraco. Conservar as espécies é uma forma de não tirar as forças da natureza. Temos que pensar no futuro e preservar", diz Manoel Cordovaldo Chaves, morador da Comunidade São João, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Itatupã-Baquiá (PA).

“O cuidado que temos com os lagos e rios, evitando as invasões, é para não deixar acabar. Os invasores levam peixes pequenos e grandes, não se preocupando se amanhã haverá mais. Nós queremos conservar para ter peixes hoje e no futuro", afirma Antônio Marcos Farias, da Comunidade Antonina, na Reserva Extrativista Baixo Juruá (AM).

A preocupação que os ribeirinhos Manoel e Antônio expressam em suas declarações permeia a fala de outros moradores da Amazônia que, assim como eles, dedicam a vida ao monitoramento de peixes, quelônios e outras espécies da região. 

Durante o ano, equipes se revezam na vigilância de rios, praias e lagos de Unidades de Conservação (UCs) para evitar a ação de invasores. Fazem a contagem da quantidade de indivíduos de cada espécie (incluindo a coleta de dados e o preenchimento de planilhas), realizam a soltura de filhotes (no caso dos quelônios) e a pesca monitorada de peixes visando promover a conservação da biodiversidade.

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O mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), espécie ameaçada de extinção que só ocorre no interior do estado de São Paulo, foi tema dos primeiros estudos de conservação ambiental do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, que, graças às pesquisas sobre o primata, expandiu suas ações com mais projetos de restauração de paisagem e de educação ambiental.

Apesar das extensas pesquisas em mais de 35 anos, dados inéditos ainda surgem sobre a espécie. Os mais recentes analisaram a influência da estrutura da floresta – conservada ou degradada – na conservação do mico-leão-preto, e foram apresentados no Virtual Meeting of the Association for Tropical Biology and Conservation (ATBC), de 21 a 23 de julho.

Gabriela Rezende, doutoranda em Ecologia, Evolução e Biodiversidade (UNESP – Rio Claro) e mestra pela ESCAS-IPÊ lidera a pesquisa. O estudo analisou os dados de  “mochilas” com GPS (pequeno mecanismo para monitoramento dos animais) em quatro grupos de micos em duas áreas diferentes: em uma área bastante conservada, o fragmento Ponte Branca, da Estação Ecológica Mico-leão-preto (ICMBio), no extremo Oeste de São Paulo; e em uma área intensamente fragmentada, no município de Guareí (também em São Paulo).

A diferença entre essas áreas também está presente nas dimensões. A área analisada na Estação Ecológica conta com 1.303 hectares, o equivalente a pouco mais de 1.000 campos de futebol. Já a área em Guareí é de apenas 105 hectares –  cerca de 100 campos de futebol. Os grupos foram acompanhados de 10 a 22 dias consecutivos, entre setembro de 2019 e fevereiro de 2021.   Os dados inéditos da pesquisa foram apresentados no Virtual Meeting of the Association for Tropical Biology and Conservation (ATBC), nesta semana (21 a 23 de julho), em encontro online. 

"Os dados mostraram que os grupos no fragmento menor também têm áreas de vida reduzidas, até cinco vezes menores do que as áreas de vida utilizadas pelos grupos da Estação Ecológica. Além disso, em Guareí foi registrada sobreposição de até 37% desses territórios vizinhos, enquanto que na Ponte Branca isso não foi observado. Esses resultados sugerem um forte efeito de fragmentação no uso do espaço pelos micos. O mais interessante é que, apesar dessa diferença entre as áreas, a distância percorrida pelos micos por dia é em média de 2,6 km em ambas as áreas", revela Gabriela Rezende, que assina a pesquisa junto com Milene Alves-Eigenheer (UENF), Luca Börger (Swansea University - Reino Unido), Daniel Felippi (IPÊ), Gabriel P. Sabino (UNESP – Rio Claro) e Laurence Culot (UNESP – Rio Claro).  

Na próxima fase da pesquisa, o objetivo é quantificar o gasto energético dos animais nessas áreas e integrar informações sobre a estrutura da vegetação nas análises para entender o que causa essas variações. 

Risco elevado de extinção

Já Francy Forero Sanchez, pesquisadora do Programa de Conservação Mico-leão-preto, do IPÊ, buscou estimar se as populações conhecidas continuarão resistindo no longo prazo. Para chegar a esses dados, Francy usou a metodologia da Análise de Viabilidade Populacional (AVP), por meio de um software que alinhou essas variáveis  às ameaças presentes em cada região. 

“Para ter viabilidade e saúde na população de micos, deve haver ao menos 98% de diversidade genética na população. Isso torna a espécie mais resistente a doenças, por exemplo. O risco de ameaça à extinção  deve ser inferior ou no máximo igual a 2%, o menor possível. O que vimos é que nesse cenário, entre as 17 populações analisadas, apenas duas são viáveis em longo prazo (100 anos, o equivalente a 13 gerações), em especial por conta do número de indivíduos. Seis populações podem se tornar extintas em média em 25 anos pela combinação de fatores envolvendo: isolamento, baixa variabilidade genética e ameaças.  Com base na análise de todas essas variáveis, a população mínima para garantir a viabilidade da espécie é de 800 indivíduos”, destaca. 

Para Francy, o estudo só reforça a importância da continuidade de ações do IPÊ, tanto relacionadas à recuperação do habitat quanto de manejo de pequenos grupos.  “Quanto menores as populações de micos e mais isoladas por conta da fragmentação da paisagem, maiores são os riscos. A conservação da espécie no longo prazo está relacionada ao aumento da conectividade entre os fragmentos. Essa ação tem o potencial de contribuir como fluxo gênico. Na mesma medida, precisamos implementar estratégias eficazes de manejo envolvendo indivíduos, em especial de pequenas populações isoladas em pequenos fragmentos”. Francy também é mestra em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, pela ESCAS/IPÊ – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade. 

Francy conta com a coautoria de Gabriela Rezende (UNESP/IPÊ), Kathy Traylor-Holzer (CPSG/UICN), Cláudio Valladares Padua (ESCAS) e Arnaud Desbiez (ICAS/IPÊ). 

Contratação de prestação de serviços pessoa jurídica (PJ) para apoiar o planejamento e realizar a implementação de atividades de agroecologia e conservação ambiental para oprojeto em quatro assentamentos rurais nos municípios de Alto Rio Novo e Águia Branca, ambos no Estado do Espírito Santo.

O projeto “A educação como agente de mudanças: agroecologia, participação e sustentabilidade para assentamentos rurais e instituições na bacia do rio Doce” é uma iniciativado IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, por meio de sua escola, a ESCAS – EscolaSuperior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, que conta com o financiamento daFundação Renova.

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Contratação de Prestação de Serviço Pessoa Jurídica (PJ) para apoiar os trabalhos de educação e comunicação de projeto no estado do Espírito Santo, de acordo com planejamento e implementação dasatividades, em quatro assentamentos rurais nos municípios de Alto Rio Novo e Águia Branca.

O projeto “A educação como agente de mudanças: agroecologia, participação e sustentabilidade para assentamentos rurais e instituições na bacia do rio doce” é uma iniciativado IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, por meio de sua escola, a ESCAS – EscolaSuperior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, que conta com o financiamento da Fundação Renova.

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Cerca de 100 espécies de árvores nativas da Mata Atlântica, como Peroba-rosa (Aspidosperma cylindrocarpon), Jequitibá (Cariniana estrellensis), Cedro (Cedrela fissilis), Pau-brasil (Paubrasilia echinata) formam o Banco de Sementes ou Banco de Germoplasma, do IPÊ, localizado em Teodoro Sampaio, na região do Pontal do Paranapanema, no extremo Oeste do estado de São Paulo. 

BANCO DE SEMENTES LAURIE HEDGES 4 minBancos de sementes são preciosos, em especial, em biomas como a Mata Atlântica, que conta com apenas 12% da cobertura original. “Estas árvores nos possibilitam estudar os processos de transformação e muitas vezes garantir a sobrevivência de algumas espécies. As sementes das árvores matrizes são coletadas pelos viveiristas comunitários. Nos viveiros da região, as sementes se transformam em mudas que são utilizadas para restaurar a paisagem de um dos biomas mais ameaçados do mundo. Com isso a gente garante a sobrevivência das florestas e de outros animais que dependem desse bioma para sobreviver”.  Confira o vídeo de Aline sobre o Banco de Germoplasma. 

Valter Ribeiro Campos (foto), proprietário do Viveiro Alvorada, contabiliza os resultados que foram possíveis a partir do banco de sementes. “Por conta do banco de sementes, mais de 10 mil sementes de Guaritá (Astronium graveolens) germinaram no viveiro Alvorada e hoje estão espalhadas em matas reflorestadas aqui na região”, pontua orgulhoso. Segundo Campos, essa espécie até então não era mais encontrada na região. 

Para Iraci Lopes Duveza, proprietária do viveiro Viva Verde, o fato dos viveiristas terem livre acesso ao banco, sem dúvida, é um diferencial. “O banco é a primeira opção para os viveiristas coletarem sementes de árvores nativas da Mata Atlântica, como o Mutambo (Guazuma ulmifolia) Angico (Anadenanthera peregrina), Guaritá (Astronium graveolens), Aroeira: Preta (Myracrodruon urundeuva) e Pimenteira (Schinus terebinthifolius), Canudo de Pito (Esenbeckia febrifuga), entre outras”, frisa. A coleta de sementes em propriedades privadas depende da autorização do proprietário. Nas Unidades de Conservação a coleta de sementes é proibida. 

Maria Regina dos Santos, proprietária do viveiro Mata Nativa e estudante de Gestão Ambiental, destaca a localização do banco de germoplasma como diferencial. “A proximidade entre o Mata Nativa e o banco de sementes gera uma dupla economia: financeira e de tempo. Resumindo é uma grande facilidade econômica para nós viveiristas da região”, disse. Dos nove viveiros, quatro deles estão localizados a menos de 2 km do banco de germoplasma. Já o mais distante chega a 30 quilômetros.

O técnico do IPÊ, Nivaldo Ribeiro Campos, explica que o banco de germoplasma teve início com a doação de mudas feita pela Companhia Energética do Estado de São Paulo (CESP) ao IPÊ, em 2005.