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O 29º Curso Internacional de Manejo de Áreas Protegidas, no Colorado, Estados Unidos, teve participação de duas pesquisadoras do IPÊ que atuam na Amazônia. Ao longo de 32 dias, Nailza Pereira Porto e Ilnaiara Souza, aprenderam mais sobre manejo e planejamento de áreas protegidas, governança, mecanismos de financiamento para áreas protegidas, turismo, concessões, manejo de visitantes, mudanças climáticas, entre outros temas atuais e importantes para a conservação e manejo de áreas protegidas.

"Além dos importantes temas para o nosso crescimento profissional, também trabalhamos durante o curso a parte pessoal. Começamos a desenvolver o nosso plano de liderança pessoal, comunitário-familiar e profissional para nos ajudar a melhorar a nossa abordagem em desafios atuais na conservação, além de nos ajudar a lidar com situações de conflito e, por fim, conseguir a colaboração e o consenso entre os atores envolvidos", comenta Ilnaiara, que atua com Monitoramento Participativo de Biodiversidade, no Acre. No monitoramento, realizado em parceria com o ICMBio, membros de comunidades, gestores e técnicos do IPÊ desenvolvem planejamentos para levantamento e avaliação da biodiversidade para conservação.

"Em meu caso, que trabalho com o envolvimento da comunidade local, acredito que posso trabalhar de uma forma melhor o empoderamento e a governança deles sobre o monitoramento, os dados, os resultados e a aplicabilidade desses resultados para melhorar o manejo e a gestão da área em que eles vivem. Para além do monitoramento, também podemos desenvolver o potencial turístico das áreas em que trabalhamos, com um melhor planejamento e envolvimento das comunidades locais", afirma. 

Com atuação no baixo Rio Negro, especificamente em projetos de Turismo de Base Comunitária, Nailza destaca o potencial do aprendizado no dia a dia. "Os novos conceitos, as metodologias e as ferramentas para o planejamento do uso público em Áreas Protegidas, com certeza, irão contribuir para o desempenho do meu trabalho por meio do IPÊ. Foi uma experiência muito enriquecedora e inspiradora", diz.

A participação no curso foi possível devido ao apoio da Universidade Estadual do Colorado e o financiamento da bolsa de estudos pela USAID -  US Agency for Internacional Development e US Forest Service.

MBA Gestão de Negócios Socioambientais é um curso que trata dos grandes temas fundamentais na área e prepara o aluno para criar, implementar e desenvolver soluções para os complexos desafios socioambientais no Brasil e no mundo. Com professores de ampla experiência no mercado, o curso é estruturado no formato Blended Learning, ou seja, as aulas são divididas em módulos online e presenciais, facilitando o acompanhamento e gerenciamento do tempo pelos alunos, ao longo de 18 meses. As inscrições podem ser feitas até 23 de setembro, no http://mba.ipe.org.br/2019.

As aulas presenciais acontecem na sede do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, na cidade de Nazaré Paulista (SP) a cada dois meses, de sexta a domingo, em um ambiente que promove a interação, networking e imersão nas discussões e debates. O curso tem apoio pedagógico da ARTEMISIA Negócios Sociais e CEATS-USP (Centro de Empreendedorismo e Administração em Terceiro Setor) e atrai profissionais variados, que buscam desenvolver em suas áreas de atuação a sustentabilidade socioambiental a partir de negócios inclusivos e de valor compartilhado. No corpo docente, professores com expertise na área, como Rosa Maria Fischer (USP), Graziela Comini (USP), Claudio Padua (IPÊ), Maure Pessanha (ARTEMISIA), Edgard Barki (FGV), Luciana Zaffalon (FGV), José Augusto Padua (UFRJ).

"Grandes empresas, não só no Brasil, mas em vários países, já perceberam a necessidade de terem empreendimentos com finalidades sociais e ambientais, não apenas visando o lucro. Estão repensando a finalidade de seus negócios e isso é uma tendência que chegou para ficar. Assim como empreendedores individuais estão já criando negócios com a função de superar desafios socioambientais a partir de um produto ou um serviço. Estar preparado para esse novo momento, com esse MBA, abre portas de trabalho em diversos setores, além de transformar o mindset desse profissional", afirma Rosa Maria Fischer, coordenadora do CEATS-USP.

O curso é direcionado tanto para quem quer criar um negócio socioambiental como para quem atua em empresas e pode gerar essa transformação dentro do setor corporativo.

Os principais assuntos são ilustrados em cases, que estimulam os participantes a desenvolverem soluções práticas aos desafios sociais e ambientais reais. Na grade, há agendas para visitas técnicas objetivando interação com projetos de diversas instituições que atuam nesta área, uma delas é uma imersão na Amazônia, no barco escola Maíra do IPÊ.

Ao final do MBA, o aluno estará apto a: desenvolver planos de ação para projetos de impacto, empreender, gerir negócios de impacto, projetos e parcerias em fundações empresariais; atuar como consultor ou gestor de projetos em organizações de fomento como aceleradoras e fundos de investimento; tornar-se gestor ou responsável da área/comitês de sustentabilidade dentro de grandes corporações; e tornar-se gestor ou responsável de inovação social em grandes corporações.

Mais informações:
http://mba.ipe.org.br/2019
cursos@ipe.org.br
11 99981-2601 (whatsapp)

 

 

 

Pela quarta vez, o IPÊ participa da Festa de Flores e Morangos de Atibaia, que está na sua 39a edição. A organização atua há mais de 27 anos pela proteção da biodiversidade em locais como a Mata Atlântica, Amazônia, Pantanal e Cerrado. Uma das áreas de grande interesse para a conservação ambiental é justamente a Mata Atlântica da região Bragantina, por ser uma área que abriga flora e fauna ameaçadas de extinção e recursos hídricos importantes, que ajudam a abastecer o Sistema Cantareira, fornecedor de água a milhões de pessoas.

Durante o evento, educadores ambientais do IPÊ estarão presentes levando aos estudantes das escolas visitantes e todos os participantes da festa informações ambientais relevantes e os principais desafios na proteção dos recursos naturais.

"Atibaia e região possuem grandes desafios ambientais, assim como a maioria das cidades no Brasil. Descarte incorreto de lixo, proteção das nascentes e corpos d'água, desmatamento com queimadas e cortes de árvores são alguns deles. Nossa ideia é despertar nas pessoas da festa e nos estudantes o olhar para essas questões que estão muito próximas deles no dia a dia e que às vezes eles não percebem. Temos feito muito esse trabalho com alunos e comunidades da região do Sistema Cantareira com o projeto Semeando Água" afirma a educadora ambiental Andrea Pupo Bartazini.

Por ano, cerca de 10 mil pessoas participam das atividades de educação ambiental promovidas pelo iPÊ, que levam conhecimento, informação e capacitação para transformar realidades e a forma de os cidadãos enxergarem o meio ambiente em que estão inseridos.

Além do estande de Educação Ambiental, o IPÊ expõe no evento os produtos de comunidades de Nazaré Paulista, cidade próxima à Atibaia. Eles são feitos artesanalmente e inspirados na natureza da Mata Atlântica. A renda é destinada à manutenção do projeto Costurando o Futuro e contribui com a renda das bordadeiras participantes.

Nos estandes do IPÊ também são vendidas mudas de árvores nativas da Mata Atlântica. As mudas são produzidas no Viveiro Escola do IPÊ em Nazaré Paulista e a renda obtida com a venda das plantas é destinada à manutenção do espaço, que também serve como local de educação ambiental e cursos.

Serviços da natureza

As flores e plantas expostas no evento, assim como as plantações de morangos e de outros alimentos dependem de maneira direta dos serviços ecossistêmicos oferecidos pela natureza. Polinização, regulação do clima, fertilidade do solo e produção de água são alguns dos serviços da natureza que influenciam as atividades como agricultura e produção de plantas. Um ambiente equilibrado, com florestas conservadas, é o caminho para que se mantenha os ciclos naturais equilibrados e plantações mais sadias. As áreas produtivas, sejam elas de pecuária ou agrícolas podem contribuir com a manutenção desses serviços.

O tema "Serviços da Natureza" foi a inspiração para o Concurso de Desenhos da festa este ano. Professores de escolas municipais de Atibaia participaram de um workshop promovido pelo IPÊ sobre o assunto e levaram o tema para a sala de aula.

O projeto Semeando Água, do IPÊ, patrocinado pela Petrobras Socioambiental, atua para a conservação dos serviços da natureza na região do Sistema Cantareira, Os trabalhos apoiam pequenos produtores no desenvolvimento da agroecologia e também na pecuária mais amigável ao meio ambiente, mostrando que é possível aliar ganhos econômicos com a proteção ambiental. Os materiais do projeto estão expostos no estande de Educação Ambiental do Instituto.

 

 

Juliana Nogueira/USAID

Capacitação para atividades sustentáveis de geração de renda, formação de pessoas para produção agroecológica, atividades de fortalecimento da gestão de áreas protegidas, desenvolvimento das cadeias produtivas, pesquisas de espécies da fauna, entre outras, são atividades executadas pelo IPÊ em quase 20 anos de presença na Amazônia. As ações do IPÊ na Amazônia, contabilizam benefícios para mais de cinco mil pessoas, com projetos que priorizam a participação social e o respeito às tradições locais.

O Instituto começou seu trabalho pela proteção do bioma na região do baixo Rio Negro, no estado do Amazonas, com o desafio de implementar modelos de gestão territorial que contribuíssem para a melhoria da qualidade de vida e conservação da biodiversidade. Ali, promoveu nos primeiros anos parcerias com diversos setores, implementou trabalhos de educação por meio do barco Maíra I, e desenvolveu ações que beneficiaram mais de mil pessoas em 29 comunidades, criando alternativas de renda para famílias da zona rural de Manaus, com foco no desenvolvimento de cadeias produtivas (com agricultura sustentável), do turismo de base comunitária e do artesanato. O IPÊ apoiou a formalização e fortalecimento das organizações locais, com documentação para acesso a políticas públicas voltadas aos agricultores familiares e artesãos, e contribuiu com infraestrutura de negócios, como o restaurante da comunidade Nova Esperança e estrutura de beneficiamento de um grupo de mulheres e uma rede de agricultores. Apoiou também a formação de uma rede de agroecologia no Amazonas, formada por representantes de diversas instituições e grupo de agricultores no estado (Rede Maniva de Agroecologia).

Celio Arago (foto), artesão do baixo Rio Negro foi um desses beneficiados pelos projetos do Instituto. Oficinas, cursos e intercâmbios fizeram com que ele desenvolvesse ainda mais suas habilidades como artesão, ofício que aprendeu com o pai. Da comunidade Nova Esperança, as peças de Celio ganharam o mundo e foram indicadas a prêmios. Após o projeto, Celio hoje ensina a jovens o que aprendeu. "O aprendizado que tive com o IPÊ me abriu muitas portas. Agora eu ensino jovens na minha comunidade para que tenham a mesma chance que eu."

Na região, o IPÊ também atuou pela conservação do peixe-boi-da-amazônia e do saium-de-coleira, com pesquisas científicas de campo e ações de integração social e educativas. Os resultados dos trabalhos são compartilhados com organizações para apoio na construção de políticas públicas para a fauna.

Evolução para Soluções Integradas de Conservação do bioma

Ao longo dos anos, os desafios cresceram, assim como as possibilidades para transformação positiva no bioma, por meio das Unidades de Conservação (UCs). Em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o IPÊ passou, a partir de 2012, a desenvolver dois projetos de grande relevância nas UCs federais: o Motivação e Sucesso na Conservação de UCs - MOSUC (com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore), e o Monitoramento Participativo da Biodiversidade - MPB, (com apoio da USAID, da Fundação Gordon e Betty Moore e Programa ARPA). Eles buscam soluções  inovadoras e integradas entre vários setores para apoiar a consolidação de 42 UCs, um território de aproximadamente 35 milhões de hectares - uma área maior que os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, juntos.

O projeto MOSUC nasceu para ampliar a participação das comunidades na gestão, superar as dificuldades de recursos financeiros e atuar para transformar as UCs da Amazônia em polos de desenvolvimento regional. O trabalho beneficia 30 UCs em 6 estados, envolvendo gestores, organizações e comunidades para atuarem em conjunto pela proteção de parques nacionais, reservas extrativistas, florestas nacionais entre outras áreas protegidas. Essa ação pioneira do IPÊ e do ICMBio ajudou e promoveu parcerias com 12 instituições locais que contrataram 54 colaboradores para atuarem em UCs do  Acre, Roraima, Rondônia, Pará, Amapá e Mato Grosso.

O apoio desses profissionais trouxe benefícios às UCs, como relata Aldeci Cerqueira (Nenzinho), da associação da Reserva Extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema (Acre). “O projeto nos deu oportunidade de nos aproximar mais do ICMBio, o órgao gestor da unidade, trabalhando de forma integrada. Pra mim está sendo muito importante. A Associação já fazia o trabalho com o ICMBio, mas com a equipe reduzida, tínhamos dificuldade de chegar nas comunidades. Essa gestão integrada (com a chegada de técnicos contratados) proporciona melhor atendimento às comunidades”, comenta. O trabalho junto às instituições locais gerou emprego e renda nas comunidades envolvidas com as UCs, e contribuiu para aumentar o vínculo da comunidade com as unidades e fortalecer a estrutura organizacional de instituições locais que já possuam alguma relação com a UC. Hoje, por exemplo, a mais nova gestora do ICMBio para a Resex Cazumbá Iracema é uma moradora capacitada pelo MOSUC.

Saiba mais sobre o MOSUC: www.ipe.org.br/ra2018/tematicos/mpb

No Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia (MPB), a comunidade é o principal agente de transformação. A proposta é obter informações conjuntamente e trocar conhecimento entre pesquisadores, gestores e populações moradoras das UCs e de seu entorno sobre a importância da biodiversidade local e de que forma elas próprias podem contribuir para protegê-la por meio do monitoramento. O projeto integra o Programa Monitora do ICMBio que busca fortalecer o diálogo em torno das questões ambientais, com base no compartilhamento de informações e na formulação de questões, criação conjunta de protocolos para levantamentos sobre a biodiversidade.
 
O projeto MPB já levantou inúmeras informações nas áreas monitoradas de 2014 até 2018. Os dados são utilizados em pesquisas científicas de espécies, no aprimoramento sobre conhecimento da biodiversidade e manejo sustentável dos ativos da floresta. Esses levantamentos, por sua vez, contribuem no planejamento e melhoria na gestão dessas áreas protegidas e no combate às mudanças climáticas, à extinção de espécies, ao desmatamento e à pobreza. 

"Os levantamentos são muito importantes, mas o trabalho vai muito além do conhecimento reunido, pois também traz a participação das populações locais na gestão das áreas protegidas. Portanto, o projeto é fundamental para atingir as metas brasileiras para a Convenção sobre Diversidade Biológica e as Metas de Biodiversidade de Aichi", comenta Cristina Tófoli, coordenadora do MPB.

Saiba mais sobre os resultados mais recentes: www.ipe.org.br/ra2018/tematicos/mpb

Um legado para a Amazônia a várias mãos

A partir de 2019, as ações em rede do IPÊ em prol da Amazônia deram um salto em termos territoriais, com o início do projeto LIRA - Legado Integrado da Região Amazônica. Ao viabilizar a realização de projetos de organizações locais, que atuam no bioma, o projeto vai promover transformações socioambientais em 80 milhões de hectares da Amazônia (43 terras indígenas e 43 unidades de conservação, em cinco estados). Uma área que corresponde a três vezes o estado de São Paulo, que agrupa seis blocos regionais nos estados do Amazonas, Pará, Rondônia, Acre e Mato Grosso. As organizações vão receber recurso do Fundo Amazônia/BNDES e Fundação Gordon e Betty Moore para trabalhar no fortalecimento e implementação de ações de conservação da Amazônia até 2022. O objetivo é ampliar a efetividade de gestão das áreas abrangidas pelo projeto, a manutenção da paisagem e das funções climáticas e o desenvolvimento socioambiental e cultural de povos e comunidades tradicionais, beneficiando mais de 20.000 pessoas. 

Os projetos selecionados promoverão as seguintes ações no território: Planos de Manejo ou Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA); Mecanismos de Governança; Uso Sustentado dos Recursos Naturais; Sistemas de Monitoramento e Proteção; Integração com Desenvolvimento Regional; Políticas Públicas.

 
IPÊ na Amazônia em números

• 1.000 pessoas beneficiadas em 29 comunidades do baixo Rio Negro  com ações que estimulam o desenvolvimento local sustentável


• 4.000 pessoas beneficiadas em 42 Unidades de Conservação com capacitação e novas alternativas de renda 

• 460 monitores de biodiversidade formados e com chances de trabalho ampliadas no local onde vivem

• 674 pessoas treinadas para desenvolverem e aprimorarem trabalhos de gestão e monitoramento 

• 13 Instituições e organizações locais beneficiadas 

• 42 Unidades de Conservação beneficiadas, que protegem um território de 34.671.385 hectares / 346.713,85 km2 (uma área maior que os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, juntos)

• 06 estados da Amazônia beneficiados com ações em suas UCs

• Em 2019, as atividades influenciarão a conservação de 86 áreas protegidas 

O projeto MPB, ao todo, já levantou, em 17 UCs, registros de: 

6.809 mamíferos e aves 
11.956 borboletas 
2.605 plantas lenhosas
1.201 árvores de Castanha-da-Amazônia monitoradas 
1.169 indivíduos de quelônios e 12.728 ninhos monitorados
33 espécies e 4.164 indivíduos registados como caça de subsistência 
42 espécies e 83.882 registros de mamíferos em áreas de concessão florestal
2.846 indivíduos registrados na pesca do tucunaré 
11.078 registros de 137 espécies  no auto-monitoramento de pesca 
2.439  registros de 149 espécies na pesca experimental

 

Os alunos do Mestrado Profissional da ESCAS elaboraram um Plano de Manejo para a RPPN Copaíba (Reserva Particular do Patrimônio Natural Copaíba), uma associação ambientalista localizada em Socorro (SP), que tem como missão “conservar e restaurar a Mata Atlântica das bacias dos rios do Peixe e Camanducaia”. A criação do plano de manejo fez parte da última disciplina do programa de Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável da escola, chamada Resolução de Desafios. Nela, os alunos trabalham com um desafio real e, juntos, decidem as soluções mais adequadas para um determinado cliente, seja ele do setor público, privado ou não governamental. No final de uma semana intensa de trabalho, eles entregam ao cliente sua proposta, de forma que possa ser implementada na prática, para a solução do desafio.

Um plano de manejo é um instrumento sobre como realizar a implementação de uma área protegida, é um “documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos gerais de uma unidade de conservação, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade” (SNUC- Lei Federal n° 9.985/2000).

“Foi um grande presente receber este Plano de Manejo deste grupo que é especial na minha vida e agora na vida da Copaíba. Para a instituição foi um passo muito importante. Este plano será inspirador para colocarmos na prática todas essas ações de transformação e mudar vidas”, afirmou Flávia Balderi, Secretária Executiva da Copaíba, organização fundada em 1999 e que desenvolve projetos de restauração o florestal, produção de mudas de árvores nativas, educação ambiental e políticas ambientais.

O Plano de Manejo apresentado pelos alunos demonstrou a caracterização e os detalhes sobre a RPPN, as características geomorfológicas e recursos hídricos, a diversidade de flora e fauna a dinâmica social do território e as principais atividades econômicas e serviços do entorno da RPPN. O trabalho apresentou também o uso público e pesquisa, ou seja, o potencial de ações de educação ambiental na associação.

Angela Pellin, professora e coordenadora desta edição da disciplina, é especialista na elaboração de planos de manejo de áreas protegidas e afirma que a atividade foi realmente um desafio, especialmente por ter levado apenas uma semana. “A elaboração de um plano de manejo é um intenso trabalho que envolve uma equipe disciplinar e geralmente demora um ano ou mais para acontecer. Então nosso grande desafio foi justamente o tempo. Isso só foi possível porque os alunos vêm sendo bem preparados ao longo de todo o mestrado e a Resolução de Desafios reúne todas as disciplinas pelas quais eles passaram. Sem contar que o curso agrupa as pessoas que já são profissionais e passaram a criar novas possibilidades juntos, em sintonia, o que facilita muito", disse.

Embora de maneira intensiva, para realizar o produto os alunos passaram por todos os conhecimentos básicos necessários. "Em relação ao diagnóstico trabalhamos como oficina, fizemos visita em campo, levantamos dados secundários, trabalhamos a parte do planejamento, trabalhamos com SIG e chegamos a uma proposta de plano de manejo que agrupa esse conhecimento, fazendo uma avaliação estratégica da área, definindo o zoneamento para a RPPN e os programas de gestão", complementa Angela, que atuou em parceria com a professora de gestão ambiental Giovanna Dominici.