Navegando Educação Empreenderora na Amazônia
Navegando Educação Empreenderora na Amazônia

Em 2021, com apoio do projeto LIRA/IPÊ – Legado Integrado da Região Amazônica e parceria do LinkedIn, a maior rede social profissional do mundo, foi possível reformar o barco Maíra I e iniciar o projeto Navegando Educação Empreendedora na Amazônia.

Um levantamento realizado pelo IPÊ em 2021, apurou que a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, localizada na zona rural de Manaus (Amazonas) e que protege quase 100 mil hectares de Amazônia, possui cerca de 147 empreendedores, que trabalham em mais de 330 negócios no território. Este é o maior levantamento sobre o tema na região. Exceto a pesca e a agricultura, que são atividades de subsistência, a maioria das 17 comunidades estudadas possui como fonte de renda o turismo, junto com as atividades que fazem parte de toda essa cadeia como artesanato, hospedagem, alimentação, serviços de trilhas, e experiências culturais. Todas essas atividades foram muito impactadas na pandemia de Covid-19 e, consequentemente, a economia de várias famílias. O estado do Amazonas, epicentro da pandemia no Brasil, registrou uma queda de 66% no faturamento do setor, refletindo diretamente no turismo dentro das áreas protegidas, comprometendo essa atividade socioeconômica e indiretamente em outras cadeias associadas ao turismo.

A partir desse levantamento, o Instituto e o parceiro LinkedIn selecionaram 47 projetos com potencial de crescimento e desenvolvimento, que passaram por nova triagem. A partir disso, 21 negócios passaram por orientação dos profissionais voluntários que estão apoiando os empreendedores em desafios sobre logística, comunicação, marketing, infraestrutura e contabilidade. Voluntários apoiaram essa ação.

As comunidades da Amazônia têm um saber-fazer no uso e manejo da biodiversidade, em atividades como agricultura, extrativismo, criação de pequenos animais, pesca e caça. As famílias são originárias de grupos indígenas do alto Rio Negro, bem como de migrantes, principalmente da região nordeste do Brasil. Seu histórico de trabalho em diferentes ciclos econômicos do extrativismo (cacau, juta e borracha) foi determinante para a predominância de atividades rurais ligadas à agricultura e ao extrativismo.

Vale ressaltar que as comunidades ribeirinhas não são plenamente contempladas pelas políticas socioeconômicas e ambientais. Somando-se a isso o cenário atual brasileiro, agravado pelo desmonte das políticas ambientais, é necessário fomentar mecanismos e estratégias voltadas à conservação de base comunitária buscando a superação de eventos extremos devido à crise climática, especialmente. Assim, é necessário construir novos arranjos inovadores e mais circulares frente ao momento atual, adotando estratégias para despertar uma visão sistêmica sobre a importância de um ambiente saudável como uma barreira natural para eventos de crise ambiental e climática.

Para desenvolver o projeto, o IPÊ dispõe de um barco, o “Maíra I”, meio de transporte fundamental para chegar às comunidades ribeirinhas, já que o acesso na região é feito exclusivamente por via fluvial. O barco percorre a região do baixo Rio Negro até as localidades, promovendo capacitações, apoiando atividades de organização comunitária e educativas. Possui acomodações para 16 pessoas em cabines e 10 em redes.
O “Maíra I” foi doado ao IPÊ pelo Grupo Martins no final de 2003. Este grupo empresarial, com sede em Uberlândia (MG), atua no mercado atacadista. Além de seus objetivos empresariais, o Grupo Martins apoia projetos de conservação socioambiental de diversas regiões do Brasil.

Coordenação Geral

Nailza Porto - Turismóloga, Msc .Gestão de Áreas Protegidas

Coordenação Executiva

Fernanda Freda - Zootecnista, Msc.Biologia de Água Doce

Assistência Técnica

Rebeca Sena - Cientista Social