Projeto Educação, Paisagem e Comunidade (Espírito Santo).

Projeto Educação, Paisagem e Comunidade (Espírito Santo)

Em busca de incentivar processos mais sustentáveis de produção rural aliados à geração de renda e bem-estar da sociedade, o IPÊ tem como compromisso em seus projetos desenvolver educação e capacitação de forma gratuita a públicos diversos.

Com o projeto Educação, Paisagem e Comunidade, o Instituto leva para assentamentos rurais a tecnologia social bem sucedida desenvolvida conjuntamente com agricultores do Pontal do Paranapanema, região do extremo Oeste do estado de São Paulo.

A iniciativa faz parte da linha de projetos de Integração Escola e Comunidade, realizada pelo IPÊ e sua escola, ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade. Em sua edição no Espírito Santo, o projeto trabalha para beneficiar 143 pequenas propriedades em quatro assentamentos rurais localizados nos municípios de Alto Rio Novo e Águia Branca, selecionados devido ao potencial de responder ao programa de recuperação de APPs e recarga hídrica do rio Doce.

As ações do IPÊ e da ESCAS envolvem educação ambiental, capacitação e extensão rural. Dentre algumas das principais atividades está a implantação dos PIPs (Projeto Individual de Propriedades) que contemplem a restauração florestal de paisagens rurais e a produção rural sustentável na agricultura familiar. Estes PIPs serão legitimados pela tecnologia social do IPÊ, que prioriza a elaboração de estratégias e alternativas para o desenvolvimento rural sustentável e a melhoria da qualidade de vida da comunidade local, em harmonia com a restauração de paisagens, a conservação dos recursos naturais e com a participação e envolvimento de parceiros regionais.


O projeto também traz a expertise da ESCAS, que desenvolve as metodologias de ensino em parceria com os técnicos para a aplicação em campo, na execução deste trabalho.

Tendo em vista as necessidades do Programa de Recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Recarga Hídrica degradadas da Bacia do Rio Doce, e para garantir que existam ganhos de escala, replicabilidade das técnicas utilizadas e engajamento dos envolvidos, uma série de linhas de pesquisa e desenvolvimento serão desenvolvidas para a Fundação Renova. Parceira do projeto, a fundação apoia o projeto no eixo Pesquisa & Desenvolvimento sob o título “Educação como Agente de Mudanças: Agroecologia, Participação e Sustentabilidade para Assentamentos Rurais e Instituições na Bacia do Rio Doce”.

Como objetivo, o projeto pretende envolver 143 assentamentos e recuperar mais de 635 hectares de solo e áreas de preservação permanente com práticas agroecológicas que apoiem a restauração da área de influência da bacia do rio Doce.

 

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O projeto tem como base a pesquisa-ação, que compreende dois focos principais:

1 - a educação como estímulo ao envolvimento de diferentes atores em estratégias socioambientais;
2 - o envolvimento dos assentados rurais, através de práticas produtivas socioambientais.

Aqui, a participação é a estratégia base, utilizada na integração dos diversos atores sociais para as questões socioambientais da região, de maneira transparente e inclusiva (Padua, 2004). Esta tecnologia social foi desenvolvida pelo IPÊ em seus quase 30 anos de atuação na região do Pontal do Paranapanema, em trabalhos e pesquisas envolvendo também assentamentos da reforma agrária. Segundo Padua (2004) que estudou os resultados destes trabalhos em sua tese de doutoramento, a pesquisa-ação descrita por Barbier (1996; 1998), Thiollent (1999) e Vasconcellos (1998), postula que o pesquisador participe de maneira ativa, sendo mais um ator na teia que se forma no processo de construção. Ao assumir este papel coletivo, testa os efeitos da ação nos grupos-alvo da pesquisa e formula ajustes quando necessários. A pesquisa-ação é um método adequado à escala microssocial, de pequenos grupos (Thiollent, 1994), como os que o projeto trabalha em cada assentamento selecionado.

As ações como estudos, capacitações, econegociações, produção de materiais em coletividade, entre outras, fornecerão a base de avaliação e reflexão da pesquisa-ação e seus resultados. A compreensão da realidade local, a escuta e integração com os parceiros, a clareza e o respeito pelo outro são decisivos neste contexto. Daí a importância de se tecer as questões desse estudo por meio da educação, que é o caminho mais amplo para lidar com a inclusão social e com a valorização da vida em geral.

José Eduardo Badialli
Edmilson Teixeira Jr.
Laury Cullen Jr.
Paula Piccin
Rosemeire da Silva
Tiago Pavan Beltrame
Vanessa Silveira