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Cerca de 200 alunos do sétimo ano de todas as escolas estaduais de Nazaré Paulista, participaram dias 31 de julho e 1º de agosto da "Trilha da Mata do Moinho".

Durante a caminhada, eles observam as árvores, recebem e anotam as informações levantadas através de pesquisa etnobotânica realizada com os moradores do bairro. As ações já são realizadas com o recurso levantado via campanha de crowdfunding pelo projeto "Nascentes Verdes, Rios Vivos"

MonicaKlein SmallMônica Monteiro Klein, bióloga, especialista em Administração de Empresas com ênfase em Meio Ambiente pela FGV e mestre pela ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade acaba de lançar seu livro “Reduzir a jornada de trabalho para ajudar nosso planeta?” pela editora Matrix, no qual aborda a redução da jornada de trabalho, bem estar social, consumismo e preservação ambiental.
Na entrevista a seguir, ela fala sobre como surgiu o interesse pelo tema, os paralelos que traçou e a situação atual deste conceito no Brasil.

O assunto “Redução na Jornada de Trabalho” faz parte de uma discussão latente no Brasil. Como surgiu seu interesse pelo tema?
M: O tema despertou minha atenção pela primeira vez ao entrar no site da New Economics Foundation e me deparar com o artigo “21 hours: why a shorter working week can help us all to flourish in the 21st century”. Este artigo trazia uma série de justificativas interessantes em defesa da redução da jornada de trabalho, tendo como base principalmente experiências e dados obtidos de países desenvolvidos, especialmente Reino Unido.

Com base no artigo da New Economics Foundation (NEF), como o princípio da Economia Ecológica defende a ideia da redução da jornada de trabalho?

Antes de tudo, é importante salientar que a New Economics Foundation (NEF) é uma Think Tank que busca desenvolver propostas econômicas que estejam fortemente vinculadas à promoção do bem estar e desenvolvimento sustentável. A Economia Ecológica, por sua vez, é uma abordagem que surgiu da necessidade de se pensar a economia dentro de um modelo ecologicamente sustentável, considerando os limites biofísicos do nosso planeta. Pode-se dizer que a NEF absorve os princípios da Economia Ecológica no sentido mais fundamental, ao sustentar a necessidade de integrar as dimensões sociais, ambientais e econômicas de uma maneira harmoniosa, equilibrada. A NEF propõe a diminuição da jornada de trabalho para 21 horas semanais, alegando que isso ajudaria a resolver problemas como excesso de trabalho, desemprego, consumismo, elevadas emissões de carbono, bem-estar reduzido, desigualdades, falta de tempo para viver de forma sustentável e para cuidar de si e dos outros ou simplesmente para aproveitar a vida. Com mais tempo livre, eles acreditam que as pessoas conseguiriam se desapegar do ciclo de “trabalhar para ganhar e ganhar para consumir” e usariam o tempo para se dedicar a atividades que lhes proporcionasse maior bem estar, tais como ficar mais tempo com a família, praticar atividades físicas, desfrutar de espaços públicos, contemplar a natureza, enfim, atividades que não necessariamente estão vinculadas aos interesses do mercado e que são menos dependentes do uso intensivo de carbono e de outros recursos naturais.

O seu livro é dividido em 6 capítulos independentes, correto? No terceiro, quando você fala da Jornada de Trabalho e o bem estar social, há a abordagem na formação da sociedade de consumo. Você pode traçar um paralelo entre trabalho, bem estar social e consumismo?

Sim. O interessante desse tema é que estes três fatores podem estar interligados de várias formas. O trabalho interfere diretamente no nosso bem estar. Se estamos estressados, sobrecarregados ou se o trabalho nos deixa pouco tempo de sobra para outras atividades, toda nossa experiência de vida é afetada. Isso ocorre tanto por uma questão temporal, ou seja, pela limitação de tempo imposta pela jornada de trabalho, que nos impede de fazer outras coisas de que gostamos e que nos agregam bem estar; quanto pela própria qualidade de tempo que nos é destinada, uma vez que passamos a tomar decisões sobre o que fazer no tempo livre com base em uma necessidade de otimizar este tempo, de compensar o tempo “perdido” no trabalho. Essa interferência do trabalho na quantidade e qualidade de tempo que nos resta fora dele tem favorecido um comportamento de consumo que não é apenas autodestrutivo emocionalmente, mas também extremamente prejudicial ao planeta. Saímos do trabalho ansiando por um momento de liberdade, de relaxamento, de prazer, mas não temos tempo suficiente para refletir sobre quais opções são as melhores para preenchermos este tempo livre. Ao mesmo tempo, somos constantemente bombardeados por propagandas que associam o bem estar e o prazer à aquisição de bens materiais, à nossa aparência e ao nosso poder de compra. Como resultado, estamos consumindo cada vez mais, tentando atingir um ideal, um estilo de vida mediado por coisas e não por relações e, obviamente, continuamos nos sentindo insatisfeitos e vazios. Sem contar que este estilo de vida caro nos exige cada vez mais tempo de trabalho, que agora também ocupa nosso tempo livre. Chegamos a um ponto de diluição de fronteiras entre tempo livre e tempo de trabalho e com o avanço da tecnologia, essas fronteiras tendem a ser tornar ainda menos claras. Todo esse ciclo vem sendo convenientemente sustentado por nosso modelo econômico, que obcecado por crescimento e riqueza, ignora os altos custos sociais e ambientais envolvidos.

Sobre o desenvolvimento sustentável, de que forma a jornada de trabalho influencia na preservação ambiental?

Um tempo de trabalho que se sobrepõe aos outros tempos sociais, isto é, que restringe o tempo para a realização de outras atividades, sejam elas culturais, religiosas, esportivas, artísticas, políticas, entre outras, também termina por comprometer nosso envolvimento mais ativo com outros assuntos que nos dizem respeito e que afetam nossa qualidade de vida. Isso inclui, obviamente, atividades e decisões com relação ao meio ambiente. Com um ritmo de vida voltado para o trabalho, nossas prioridades mudam. Ficamos mais preocupados com planejamentos em curto prazo, com atividades que poupem tempo e que nos permitam cumprir nossa agenda, mais do que decisões cujos resultados são de médio a longo prazo, que é onde se encaixam principalmente aquelas voltadas para a preservação ambiental. Então, entre comprar um alimento pré-preparado com elevado nível de sódio que demora apenas 10 minutos pra ficar pronto, ou comprar ingredientes frescos na feira local, que vão trazer benefícios à sua saúde, mas que exigem uma dedicação de tempo um pouco maior, o produto congelado acaba levando vantagem. E o mercado tem explorado muito esse consumidor acelerado, infelizmente sem levar em conta o meio ambiente e o bem estar desse mesmo consumidor. Vemos cadeias de fast food se espalhando, com cardápios pouco saudáveis e muitas embalagens. Eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos que prometem poupar tempo, mas cuja manutenção é cara ou mesmo inviável, compelindo o consumidor a uma forçosa substituição desses produtos. Uma multiplicação de centros de consumo onde é possível encontrar de tudo em um único lugar, e onde somos induzidos a comprar além do que necessitamos. E o próprio espaço urbano, que tem priorizado mais o “lazer” privado, mercantilizado, em detrimento de espaços abertos e arborizados, onde poderíamos fazer atividades ao ar livro e nos conectarmos mais com a natureza.

A redução na Jornada de trabalho está sendo testada em alguns países europeus. Você acredita no sucesso se transportarmos este modelo para o Brasil?

Muitos países vêm reduzindo a jornada de trabalho, sendo o exemplo mais conhecido o da França, com a redução para 35 horas semanais, ocorrida em 1998 (decisão que agora vem sendo revista). É difícil, no entanto, prever resultados para o Brasil por algumas razões. Primeiro porque antes de se importar um modelo, é preciso que ele tenha sido bem sucedido, certo? Acontece que a principal a razão por trás das políticas de redução jornada realizadas nos países europeus foi a ampliação de empregos, ou seja, uma questão muito mais de sustentabilidade econômica do que de sustentabilidade ambiental. E para esse objetivo, até agora os resultados se mostraram controversos e aquém das expectativas. Além disso, mesmo em se tratando de um modelo de redução da jornada de trabalho que tenha a sustentabilidade ambiental como foco, como o da NEF, por exemplo, é preciso ter um olhar crítico bastante forte. Não podemos esquecer que o Brasil é um país em desenvolvimento com uma série de características que o diferenciam dos países desenvolvidos que foram analisados para o modelo. Temos um mercado consumidor em crescimento, um aumento de poder de compra e uma classe média em plena expansão, pontos vistos com otimismo pelos economistas ortodoxos. Mas ainda prevalece no país uma forte desigualdade social, má distribuição de renda, falta de educação financeira e um planejamento das cidades que privilegiam as classes mais favorecidas e que negligenciam espaços públicos gratuitos ao mesmo tempo em que restringem a população de baixa renda ao acesso a programas culturais e de lazer de qualidade. Essas e outras características presentes no país podem ser grandes barreiras para quem um modelo de redução de jornada de trabalho possa ser eficaz como estratégia para uma economia mais sustentável e mais justa. Antes de termos tempo livre, precisamos saber o que fazer com este, do contrário iremos apenas perpetuar os mesmos hábitos de sempre. Se não formos orientados para um melhor uso do tempo, se não tivermos opções de lazer de qualidade que não sejam apenas estratégias de negócios, e se não soubermos o que é realmente importa para sermos felizes, nenhuma proposta de diminuição de jornada de trabalho por si só será bem sucedida.

Qual seria o próximo passo para o avanço deste “novo comportamento” no Brasil?

Eu acredito que ainda estamos em uma zona de conforto muito grande. As defesas ou críticas em torno da redução da jornada no Brasil tem se mostrado muito subjetivas, superficiais. Isso ocorre porque existe uma lacuna muito grande de estudos práticos que giram em torno dos efeitos da jornada de trabalho sobre o comportamento de consumo, bem estar e meio ambiente. Diante de uma falta de dados nos quais se apoiar, não é surpresa que a defesa da redução da jornada seja defendida ora como estratégia de redução de consumo, por ambientalistas, sociólogos e economistas ecológicos aqui no Brasil, e ora como estratégia de aumento de consumo, por políticos, economistas ortodoxos e sindicalistas. Então, o passo mais importante que eu vejo é criarmos condições mais palpáveis para que essas discussões aconteçam, ou seja, começarmos a realizar mais estudos sobre o tema aqui no Brasil, a partir de metodologias já reconhecidas e que possam ser aplicadas no nosso contexto. Daí poderíamos então pensar em um modelo que atenda às nossas necessidades, que seja viável e que nos coloque na direção certa para uma transição sustentável.

Dez agricultores da margem esquerda do Baixo Rio Negro estão aptos a participar da Feira Orgânica de Manaus, que acontece todos os sábados, na Superintendência Federal de Agricultura do Amazonas (SFA/AM). Desde 2013, representantes da Associação de Produtos Orgânicos do Amazonas (Apoam) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) têm realizado visitas às comunidades para verificar se o sistema produtivo e as propriedades estão dentro dos padrões estabelecidos pela legislação de orgânicos.

A última visita ocorreu no dia 31 de julho, quando os técnicos estiveram nas comunidades Vila Nova do Chita e Santa Maria, acompanhados do IPÊ. Essa verificação constitui requisito para cadastramento como agricultor orgânico no MAPA e também para participação na Feira Orgânica de Manaus.

Durante as atividades, houve a troca de experiência e práticas agroecológicas entre agricultores e técnicos, além de explicações sobre como funciona a feira orgânica e a relação com os consumidores.

O agricultor Raimundo Meireles da Costa, 50, da comunidade Vila Nova do Chita, foi um dos que recebeu a equipe na sua propriedade. Segundo ele, a visita dos técnicos e a avaliação trazem bons resultados para toda a comunidade. “Nós sabemos reconhecer a importância desse contato. Nesse dia aprendi como manipular e embalar nossos produtos para a feira, por exemplo”.

Mais sobre o assunto no Blog Eco-Polos Amazônia XXI

Para combater os atropelamentos de fauna no Estado do Mato Grosso do Sul, foi criada a Rede Estrada Viva, composta por profissionais de diferentes áreas e diversas organizações socioambientais, inclusive do IPÊ, por meio da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira e do Projeto Tatu-Canastra.

A Rede vai atuar junto a diversos atores direta ou indiretamente envolvidos com as tomadas de decisão para a proteção de espécies da fauna nas estradas. De 29 a 30 de Julho, esses profissionais reuniram-se em Campo Grande (MS) para desenvolver um planejamento estratégico que contempla: compilação de dados já existentes sobre o tema, comunicação e sensibilização dos mais diversos públicos para o problema, e sistemas de mitigação dos impactos das estradas na vida de animais silvestres. Algumas das ações já estão pautadas para serem implementadas nos próximos meses.A ideia da Rede Estrada Viva é também divulgar o tema para o Brasil, fazendo com que aumente o interesse por informações e soluções para o problema dos atropelamentos em todos os Estados.

Os índices de atropelamentos de fauna silvestre nas rodovias brasileiras são alarmantes e a morte causada pelo choque com veículos é considerada um dos fatores que impactam diretamente a conservação da biodiversidade no País. Dados conservadores mostram que os atropelamentos matam 450 milhões de animais anualmente, segundo estimativas do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), da Universidade Federal de Lavras.

Um exemplo dos atropelamentos como ameaça a espécies acontece no Mato Grosso do Sul. Pesquisadores do IPÊ relataram que, de Abril de 2013 a Março de 2014, em apenas três trechos de rodovias do Mato Grosso do Sul (pouco mais de 1 mil quilômetros nas BRs 262, 163 e 267), foram encontradas 1124 carcaças de 25 espécies diferentes de animais silvestres de médio e grande porte, como a anta brasileira, com 36 registros. Nesta pesquisa, a grande vítima desses acidentes foi o cachorro do mato, com 286 indivíduos mortos.

Tais números são extremamente relevantes para algumas dessas espécies que se encontram ameaçadas de extinção na natureza (IUCN Red List of Threatened Species e Lista Vermelha Nacional do ICMBIO - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), como a anta, listada como Vulnerável à Extinção especialmente por causa de seu ciclo reprodutivo muito longo (cerca de dois anos). A pesquisa identificou ainda que diariamente uma ou até duas antas são mortas a cada 1000km de rodovias no Estado.

“O problema é de fato muito grave e acontece por uma série de razões, entre elas, a negligência do motorista, que muitas vezes ultrapassa a velocidade permitida ou ainda atropela por fatores culturais, de superstição, por exemplo”, afirma Patrícia Medici, coordenadora da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (IPÊ). A pesquisadora ainda relata que em alguns casos, pequenas medidas podem fazer a diferença para solucionar o problema. “Em 2006, no Pontal do Paranapanema no Estado de São Paulo, na SP-613 [que corta o Parque Estadual Morro do Diabo], foram instaladas placas educativas e radares a fim de reduzir os atropelamentos de fauna. Apenas com essas medidas, a mortalidade de antas por atropelamento foi reduzida de uma média de seis antas por ano para uma anta a cada três anos”, afirma Patrícia.

Dia de Urubuzar

Uma das ações já planejada com o apoio da Rede Estrada Viva, e que acontecerá no dia 15 de Novembro, é o Dia Nacional de Urubuzar. A proposta vem do CBEE/UFLA com o objetivo de fazer com que as pessoas se mobilizem, por meio de qualquer atividade, para lembrar a importância do tema para a conservação da biodiversidade brasileira. Vale fazer palestra, distribuir informações sobre o problema dos atropelamentos da fauna nas estradas, utilizar o aplicativo Urubu, entre outras ações. Quem participar poderá divulgar as ações no Facebook do evento: www.facebook.com/groups/urubuzar

 

Dias 29 e 30 de Julho, será realizada em Campo Grande (MS) a primeira reunião do Programa Eco.Estradas Pantanal, com a presença de profissionais de diversos setores atuantes pela conservação da biodiversidade regional e gerenciamento de rodovias. Durante o encontro serão discutidos: o impacto das rodovias para a fauna local e as formas de redução deste problema. Também serão apresentados os mais recentes dados sobre atropelamento de fauna no Brasil, particularmente no Estado do Mato Grosso do Sul, com o objetivo de reuni-los e, posteriormente divulgá-los a diferentes segmentos da sociedade, reforçando a importância de se compreender o impacto das rodovias para sobrevivência de espécies. Nos dias de reunião espera-se definir, em conjunto com os participantes, um planejamento estratégico para a construção de uma rede de profissionais que possa sugerir e implementar soluções que reduzam o impacto causado pelas estradas à biodiversidade.

O encontro foi proposto pela a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB) e Projeto Tatu-Canastra. Ambos são trabalhos realizados pelo IPÊ no Pantanal do Mato Grosso do Sul (MS). Os dois projetos juntaram forças para o monitoramento de atropelamentos de fauna em três trechos de rodovias no MS por um ano (Abril de 2013 a Março de 2014) e registraram informações alarmantes.  Em 12 meses, os pesquisadores encontraram 1124 carcaças de 25 espécies animais diferentes vítimas de atropelamentos nessas três rodovias.  Esses números são relevantes para algumas dessas espécies que se encontram ameaçadas de extinção na natureza (IUCN Red List of Threatened Species). Considerando o Brasil todo, estima-se que, por ano, 450 milhões de animais sejam mortos por atropelamento nos quase dois milhões de quilômetros de estradas do País, segundo o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE). 

“O nosso grande objetivo com o encontro é gerar subsídios para influenciar no processo de estabelecimento de políticas públicas locais e regionais que favoreçam a solução do problema de atropelamentos de fauna na nossa região”, afirma Patrícia Medici, coordenadora da INCAB.

Além dos pesquisadores do IPÊ, a reunião contará com a presença de Alex Bager, Coordenador do CBBE e Professor da Universidade Federal de Lavras, responsável pela criação do sistema Urubu Mobile, um aplicativo de celulares lançado recentemente, que ajuda a identificar e, principalmente, contabilizar o número de mortes de animais por atropelamento no Brasil.